A afamada Pista do Figueiredo, na Ribeira de Cima, por muitos considerada o “berço do downhill” em Portugal, voltou a ser o local escolhido para receber, a 28 e 29 de maio, a quinta e última etapa da Taça de Portugal de Downhill. Na prova que contou com a participação de cerca de 170 pilotos, Rafael Bascón (ITEA Sports) e Margarida Bandeira (Wildboys/Riding Addiction) foram as estrelas ao conseguirem vencer nas classificações gerais masculina e feminina. O ciclista espanhol completou a descida final em 3m8s308ms, seguido do neozelandês Tuhoto-Ariki Pene (MS Mondraker Team) e de Vasco Vasconcelos (a título individual), com os quais partilhou o pódio. Destaque ainda para outro feito de Rafael Bascón, que conseguiu ser o mais pontuado no conjunto das cinco provas pontuáveis, nas contas finais da Taça. No setor feminino, Margarida Bandeira foi a mais rápida das três ciclistas de elite classificadas, terminando a prova em 4.01.084. Em segundo e terceiro lugar ficaram, respetivamente, Sara Ferreira (Maiatos) e Joana Nunes (Casa do Povo de Abrunheira).

A prova foi organizada pelo Team Ribeirense, uma das secções do Grupo Desportivo Ribeirense, que esteve representado por três pilotos. Uma organização que, segundo o diretor de prova, Nuno Louro, mereceu o elogio dos responsáveis da Federação Portuguesa de Ciclismo que se mostraram «bastante satisfeitos» com o trabalho efetuado: «O feedback foi muito positivo. A análise que fizeram à prova foi que não houve falhas, que estava devidamente organizada e que cumpriu todos os regulamentos». A criação de uma ponte na zona da ecopista, substituindo uma parte do troço que já estava «muito deteriorada», foi uma das novidades e também aquela que «mais expectativa» gerou entre os pilotos. «Tentámos criar as melhores condições e, pelo que soube, o pessoal ficou bastante agradado com essa solução», afirma. «A única coisa que acho que poderá não ter superado as expectativas a 100% foi o número de participantes porque estávamos na perspetiva de conseguir chegar mais próximo dos 200, mas não foi possível», confessa. «Acredito que se deveu ao facto de alguns pilotos já estarem em final de época e se calhar já não terem interesse em vir», acrescenta.

Conhecida por ser uma das modalidades mais radicais dentro do ciclismo, o downhill trouxe alguns percalços aos atletas que fizeram o percurso de 2 100 metros, entre terra batida e pedras. Se no sábado, dia de treinos, tudo correu dentro da normalidade, o mesmo não se pode dizer de domingo. Durante a qualificação que decorreu ao longo da manhã, contabilizaram-se três quedas «consideráveis» que obrigaram a intervenção dos bombeiros, levando os pilotos a serem transportados para o hospital. «As ocorrências registaram-se em zonas onde ninguém previa que fossem acontecer», conta.

A prova realizou-se num fim de semana com vários eventos no concelho, alguns deles a acontecerem em simultâneo, o que, no entender de Nuno Louro, tem influência na quantidade de público e consequentemente leva à «dispersão de pessoas». O diretor de prova critica esta sobreposição de eventos na mesma data e lembra que este em concreto já estava marcado «há mais de um ano». «As entidades locais é que têm que analisar essas situações e ver quais são os eventos que lhes interessam para o concelho e salvaguardar alguns interesses da imagem local que, neste caso, deveria ter sido salvaguardada. Estamos a falar de uma Taça de Portugal, um evento federado e com atletas internacionais», sublinha, deixando claro que essa gestão de eventos é uma das coisas «à qual a organização é totalmente alheia» e na qual «não tem qualquer interferência».

Restantes classificados

Em juniores, Matias Camacho (Caniço Riders/2 Cycling) foi o grande vencedor, já Bernardo Rocha (MCF/XDream/Município de S. Brás) impôs-se na geral de cadetes. Por sua vez, Helena Vasconcelos (BTT Pandilhas a Monte) triunfou na geral de cadetes femininas. Nos veteranos, conquistaram a Taça de Portugal o master 30 Miguel Gaboleiro, o master 40 Gabriel Baker (ITEA Sports), o master 50 José Salgueiro (MCF/XDream/Município de S. Brás), o master 60 António Rodrigues (Casa do Povo de Abrunheira) e a master feminina Ana Luz (Bicisintra/GásMucifal/2Cycling). Por equipas, a Casa do Povo de Abrunheira foi a que levou a melhor, no entanto, a geral coletiva foi conquistada pelo conjunto Wildpack Algarve Racing.

Fotos | Jéssica Silva