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	<title>Historiador | Jornal O Portomosense</title>
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	<description>Atualidade, Economia, Cultura, Desporto, Saúde, Sociedade, Educação, Artigos de Opinião. O jornal de Porto de Mós. Desde 1983.</description>
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	<title>Historiador | Jornal O Portomosense</title>
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		<title>Em Entrevista&#8230; Kevin Carreira Soares</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Isidro Bento]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 08:22:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Exclusivo]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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					<description><![CDATA[“A História Local tem sido muito bem tratada” A História é, muitas vezes, encarada como uma disciplina/área menos “atrativa”, mas é através dela que conseguimos perceber que caminhos nos trouxeram ao presente. Seja de um ponto de vista macro, seja com um olhar centrado na história local, o jovem historiador portomosense, Kevin Carreira Soares, fala-nos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>“A História Local tem sido muito bem tratada”</p></blockquote>
<p>A História é, muitas vezes, encarada como uma disciplina/área menos “atrativa”, mas é através dela que conseguimos perceber que caminhos nos trouxeram ao presente. Seja de um ponto de vista macro, seja com um olhar centrado na história local, o jovem historiador portomosense, Kevin Carreira Soares, fala-nos disso mesmo. Nesta entrevista viajou pelo mundo em investigação e, apesar de nos falar dessas experiências, é sobre a História de Porto de Mós e a sua riqueza.</p>
<p><strong>Como é que começou este interesse pela História? E porquê Historiador?</strong></p>
<p>Quando estava na fase pré-universitária, percebi que tinha muito gosto em comunicar e interessava-me pelo mundo do ensino. Entre os docentes, aqueles que eu mais admirava eram os de História porque conseguiam debater com grande conhecimento a maioria dos temas. Quando comecei a licenciatura, o que queria fazer era o percurso de professor. Acontece que os seminários finais de licenciatura correram muito bem e na altura fui desafiado para pensar se não queria entrar para o mundo da investigação. Em 2010, estávamos no pico da crise, estava tudo mal e naquele tempo se disséssemos que queríamos ser professores de Ensino Básico ou Secundário, diziam-nos imediatamente: “com isso não vais para lado nenhum, vais para o desemprego”. O mundo da Ciência e da Universidade estava igual, mas entre os dois pensei: “eu até gosto de investigação e até gosto de História” e, então, decidi fazer o mestrado, não na via pedagógica, que me daria acesso à carreira docente, mas na científica e, depois, segui o caminho natural nessa fase que foi fazer o doutoramento.</p>
<p><strong>É voz comum que fazer investigação não é fácil e fazê-la em Portugal ainda mais difícil é, até porque as regras são apertadas e haverá uma certa competição para conseguir os escassos recursos. Este cenário corresponde à realidade?</strong></p>
<p>Hoje em dia, avalia-se um historiador como se avalia um químico, um biólogo ou um físico. O que conta para fazer uma carreira no meio académico são os artigos, maioritariamente em inglês, que publicamos em grandes revistas internacionais. Eu, por exemplo, dei por mim a ter que justificar porque é que tinha um livro em Porto de Mós, quando podia, com esse tempo, investir em dois artigos numa revista em inglês que me contariam muito mais [em termos de currículo]. Ao falar disto não me estou a lamentar, gosto do que faço e fiz as coisas consciente e estou convicto delas, mas isto cria, quase, uma espécie de esquizofrenia em relação ao que sentimos que devemos fazer, porque não podemos ignorar a sociedade e o que temos que fazer para as nossas carreiras porque depois o que temos a montante é uma imensa precariedade.</p>
<p>Quando eu estava na Universidade de Coimbra, o grupo de docentes da área da História seria, talvez, de quatro dezenas. Neste momento, o quadro está reduzido a uma dezena. Estive há pouco tempo na cerimónia de jubilação de um dos grandes medievalistas portugueses, o Professor João Gouveia Monteiro, e ele dizia que os medievalistas são uma espécie em vias de extinção naquela universidade, porque neste momento, no quadro, sobra praticamente um [o Professor Saúl António Gomes] o resto são contratos de avença, são pessoas que estão lá com vínculos precários, com salários muito baixos, sem nenhuma segurança profissional, ou com muito pouca.</p>
<p>É, portanto, um mundo de muita precariedade e que nos obriga a todos a ter que competir muito porque depois, quando chegam os concursos, o que conta não é o artigo sobre Porto de Mós (para ser honesto, esse até pode ter um peso negativo), mas o artigo de 10 páginas, publicado numa revista qualquer, que ninguém lê, e que terá muito pouco impacto à escala local.</p>
<p>Esta foi uma das razões para não me tornar um académico apenas, porque, em parte, não me revejo neste sistema de avaliação, e, francamente, é contra a minha natureza estar a participar de um sistema que eu acho que está bastante “obscurecido”. A seu tempo, acho que vamos perceber que é preciso um novo sistema de avaliação e valorizar mais outras componentes.</p>
<p><strong>No âmbito do seu doutoramento, passou por várias universidades em vários pontos do mundo. Notou muita diferença na forma como se vive e trabalha a História nesses países?</strong></p>
<p>É sempre diferente. Em primeiro lugar, a experiência foi fantástica. Viajar dá-nos escala e estas viagens não são de turismo mas de trabalho. Normalmente, quando o investigador vai para uma universidade parceira vai como investigador visitante e tem uma carga de trabalho bastante exigente porque está lá pouco tempo e normalmente é convidado para participar em muitas coisas, o que é ótimo. articipar em projetos de discussão noutros países dá-nos perspetiva para perceber como diferentes problemas são encarados por diferentes comunidades académicas em geral.<br />
Em Buenos Aires, na Argentina, percebi que os nossos colegas argentinos valorizam muitíssimo a extensão universitária e nessa medida tive de dar duas aulas a alunos do ensino secundário e participei também na formação de professores do ensino básico e secundário porque eles disseram que não podiam deixar de levar os convidados à comunidade escolar.</p>
<p>Em La Plata, a universidade onde eu estava, tinha um protocolo com o Estado para tentar levar a universidade às prisões para que aquelas pessoas tenham acesso a conhecimento universitário e possam até ir tirando os seus cursos gradualmente, de maneira a que, quando saiam em liberdade, não saiam sem ferramentas mas com alguma qualificação que permita uma melhor inserção na sociedade. Isso tem um impacto brutal, quer para os académicos, quer para os reclusos. Em Portugal não temos isto.</p>
<p>Em Brown, nos Estados Unidos, deu para perceber, por exemplo, como é que muitas vezes as dinâmicas mudam quando estamos em univerdades onde os recursos financeiros não são um problema. A certa altura, eu estava a tentar convencer um colega a vir à Lisboa, utilizando uma bolsa que eu também tinha utilizado, e ele disse-me: “mas porque é que eu hei-de fazer essa papelada toda? Se eu quiser ir à Lisboa, peço à minha universidade e vou. Não preciso estar a submeter um projeto”. Foi muito interessante perceber como a minha carreira universitária foi, muitas vezes, conduzida pela necessidade de captar recursos e como, de repente, noutros sítios, estou com colegas onde a questão de recursos não é um problema.</p>
<p><strong>Algumas pessoas, nomeadamente jovens, encaram a História como uma disciplina menos atrativa. Como é se muda esta ideia?</strong></p>
<p>Os tempos mudam e as linguagens têm de mudar. Os formatos têm de mudar e o ónus de fazer com que a disciplina tenha interesse cabe, sobretudo, a quem a divulga. Portanto, é o orador que tem de buscar essas ferramentas. É normal que umas pessoas gostem mais de umas coisas e outras de outras. Eu também tenho as minhas preferências. O que faço quando trabalho com público em Porto de Mós e quando vou a escolas, em circunstâncias e para públicos muito diferentes, é procurar partir de casos que eles conhecem. Levo também aquilo que é matéria-prima dos historiadores, os documentos, de maneira a tornar um conhecimento que parece muito erudito e muito distante em qualquer coisa de concretizável para quem está a ter contacto com a disciplina ou com a investigação pela primeira vez. E tenho que dizer que não me posso queixar. Percebo sempre muito interesse e saio com muitas perguntas e, normalmente, volto.</p>
<p><strong>A História, ao contrário do que alguns afirmam, não se repete?</strong></p>
<p>É preciso perceber que há algumas características que se repetem no tempo, mas, todavia, as sociedades mudam e nós temos que abraçar esta mudança sem hesitação e com coragem. Como disse há mais de 2500 anos um dos primeiros filósofos &#8211; Heráclito de Éfeso &#8211; “Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio… pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tão pouco o homem!…”.</p>
<p>Há, porventura, alguns vetores que se podem repetir e, por isso, muitas vezes, o historiador está atento ou chama a atenção para certas coisas. Numa altura em que vemos que há determinadas liberdades que estão a ser cerceadas, em que constatamos que há uma certa dificuldade com a liberdade de expressão e percebemos algumas tendências que procuram encontrar em determinados grupos ou impor em determinados grupos características comuns que sabemos que são injustas ou que procuram culpar esses segmentos por algum mal maior, pode haver essa tendência para pensar que a história se repete.</p>
<p><strong>À luz dessa leitura está otimista quanto ao futuro?</strong></p>
<p>O historiador é otimista por natureza. Quando olhamos para trás 50 ou 100 anos, em Portugal, não temos dúvida nenhuma em afirmar que hoje estamos muito melhor. E, portanto, é verdade que a história não é linear, a progressão não é contínua como gostaríamos, mas a verdade é que as coisas melhoraram. Hoje temos uma sociedade muito mais desenvolvida, muito mais conforto, por isso, também se calhar, exigimos muito mais, e é natural, porque queremos sempre mais, mas é preciso ter esta perspetiva e perceber que estamos a caminhar para a frente e não para trás. Eu estou otimista quanto ao futuro.</p>
<p><strong>Num país que tão grande número de emigrantes deu ao mundo, parece que agora estamos a ter, nalguns segmentos da população, uma certa “aversão” a cidadãos estrangeiros. Como olha para esta situação?</strong></p>
<p>Há uma tendência para culpar quem é de fora e que eu senti, na verdade, muito já na época da covid-19, esta ideia de que quem vem de fora é quem traz o vírus. Eu tinha estado três meses no México como investigador visitante de uma universidade e cheguei justamente no dia em que encerraram as ligações aéreas entre Madrid e Lisboa. Devo ter apanhado talvez o último avião. E pela primeira vez senti-me mal acolhido no meu país porque andava com uma mala nas ruas de Lisboa, que estavam desertas, e senti um mal-estar perante mim, sendo que eu vinha de um país onde a pandemia ainda quase não se tinha difundido e o avião estava vazio. Em épocas de crise, é natural olhar para grupos e ter esta posição defensiva, dizer que “eles é que são os culpados”. Não vou entrar em matéria económica mas sabemos que a imigração é absolutamente necessária do ponto de vista da renovação de gerações e para dar mão-de-obra a muitos setores.</p>
<p><strong>Como é que podemos acolher bem quem procura o  nosso país para trabalhar?</strong></p>
<p>Os portugueses têm uma vocação particular para acolher bem, desde logo, porque têm comunidades pelo mundo todo. E nós fazemos-lo tão bem. E, portanto, temos que o fazer sem medo. Naturalmente, sendo exigentes para quem vem para o nosso país e quem escolhe ficar connosco. Mas, também, sendo exigentes em relação a quem nos governa para que resolva os problemas sociais que nos afetam. Não são os imigrantes que o fazem.</p>
<p><strong>Recuperando a linha de pensamento anterior, como é que se explica que um país que comemora 50 anos de Liberdade, veja crescer de uma forma acentuada a extrema-direita?</strong></p>
<p>Normalmente, olhamos para o passado como um sítio de conforto, pelo menos para o passado coletivo. No Século XVIII, por exemplo, é muito frequente encontrar pessoas a dizer “naquele Século XVI é que era bom”.  Cada vez mais, ouvimos, infelizmente, a ideia de que no tempo da Ditadura é que era bom. Não sei bem o que é que era bom, mas é uma ideia que se vai ouvindo nas conversas de rua. Este afastamento daquilo que era a realidade de um país governado por uma ditadura de inspiração fascista, convida a um crescimento de partidos que se aproximam de algumas das linhas deste mesmo regime.</p>
<p><strong>Portugal não está propriamente isolado dos outros&#8230;</strong></p>
<p>Sim, vivemos num tempo, cada vez mais acentuado (infelizmente, a meu ver), em que há uma certa fascínio por líderes fortes, ou que querem parecer fortes, e Portugal participa deste processo.  Eu acho que aqui a comunicação social tem um papel muito importante a desempenhar. É preciso combater uma polarização crescente e tentarmos manter as pontes de diálogo entre grupos que pensam de maneira diferente. Eu creio que, por exemplo, os algoritmos e as redes sociais aprofundam essa polarização, porque o que fazem é mergulhar-nos a todos em bolhas, em que quase deixamos de ter contacto com realidades que não são as nossas, e isso acaba por prejudicar muitíssimo a comunicação entre todos.</p>
<p><strong>Muita gente tem a ideia de que para os historiadores, a História a uma dimensão mais local não interessa. No entanto, nas conferências dos 50 anos do 25 de Abril, houve um  realçar  do contrário. Afinal, em que é que ficamos?</strong></p>
<p>Esse é um tema que me é caro e no qual insisto quer aqui, quer quando estou na Academia, a falar em conferências. No dia em que os historiadores se divorciarem das suas comunidades, será o dia em que a História se tornará, na perspetiva dessas comunidades, uma coisa obsoleta e desnecessária e daremos razão àqueles que dizem que andamos a gastar dinheiro para nada porque isto depois não tem impacto naquilo que são as nossas vidas concretas. Infelizmente, o meio académico está-se a distanciar da história local por razões de avaliação e de métricas. Vivemos num tempo dos papers e do inglês e que convida pouco a projetos como estes que tivemos. Em todo o caso, vai havendo resistentes e por isso conseguimos ainda fazer algumas coisas, muitas vezes a custo das pessoas que têm que fazer isto além da sua atividade académica regular.  Percebemos que a escala micro é essencial precisamente para introduzir complexidade àquilo que são realidades maiores. Por exemplo, em relação ao 25 de Abril, percebemos que a Guerra Colonial é uma questão fundamental naquilo que é memória e para aquilo que foi a operação do 25 de Abril mas foi muito curioso que quando começámos a pedir às pessoas para nos trazerem objetos sobre o 25 de Abril, cerca de metade foram fotografias de Guerra Colonial e nós não as pedimos. Elas faziam parte de uma lista, mas tornaram muito mais concreto o peso da memória e da guerra 50 anos depois. Ora, foi esta aplicação daquilo que é uma escala macro a uma perspetiva local que permitiu dizer: &#8220;sim senhor, Porto de Mós demonstra, traz complexidade e traz substância a esta ideia maior&#8221;. </p>
<p><strong>Porto de Mós pode orgulhar-se da forma como celebrou os 50 anos do 25 de Abril?</strong></p>
<p>Temos razões objetivas para o fazer. Porto de Mós conseguiu apresentar um programa que foi muito respeitado pelo país inteiro. Lembro-me das palavras de Irene Pimentel que disse que eram as melhores comemorações que estavam a acontecer no país. A própria senhora Comissária Nacional louvou-nos sempre o esforço e deu-nos os parabéns. Foi um esforço importante e que nos deu muita visibilidade e conseguimos aquilo que era muito importante: criar momentos de diálogo que permitissem à população participar sem ter medo daquilo que são as visões diferentes sobre o 25 de Abril. Em nenhum momento quisemos impor um discurso e foi muito bom termos salas cheias nas conferências e ver uma participação popular muito forte, às vezes, inclusive, discordando dos oradores. Foi muito bom, também poder percorrer cada freguesia e poder trabalhar com cada comunidade e, daí, produzir discursos e um catálogo que conta com dezenas de participantes.</p>
<p><strong>Falando agora das suas áreas de investigação, temos a questão dos Impérios Ibéricos na Ásia dos séculos XVI e XVII e a história de Porto de Mós. É fácil a mesma pessoa juntar estes dois interesses tão distantes? </strong></p>
<p>É um desafio, porque estudar impérios e estudar o espaço asiático das coroas portuguesa e espanhola dos séculos XVI e XVII é uma realidade muito distante da de Porto de Mós. Todavia, há duas grandes vantagens que resultam desta aliança. Em primeiro lugar, é perceber que há modelos que circulam. Por exemplo, estou estou convencido que a Procissão do Senhor dos Passos começa ao mesmo tempo em Macau e em Porto Mós porque há aqui uma difusão de uma matriz cultural que emerge de movimentos de reforma muito profundos do século XVI e que depois têm influência em todo o espaço das duas coroas ibéricas, quer na Península Ibérica, quer depois nos espaços ultramarinos, africanos e asiáticos. Estudar os dois dá-me perspetiva para perceber alguns fenómenos com maior profundidade. </p>
<p>A segunda vantagem é que, no âmbito da minha atividade académica, tenho muitas vezes que comunicar com públicos que não são os imediatos. Já falei com escolas de outros países, muitas vezes tenho que falar noutras universidades e tenho que fazer um esforço, tentar que os temas sejam relevantes para o público que tenho diante de mim e isso ajudou-me a criar mecanismos de transmissão de conhecimento que procuram tornar o conhecimento consequente para alguém que até pode não ter tanto interesse na História de Portugal. E este mesmo esforço é o que eu faço permanentemente em Porto de Mós, seja nas diferentes propostas que vou tendo, seja intervenções que vou fazendo.</p>
<p><strong>E a história local tem sido bem tratada?</strong></p>
<p>Tem sido muito bem tratada. Em Porto de Mós, felizmente, já há um grande lastro de historiadores. O 25 de Abril trouxe também um impulso à história local logo ali a queimar a revolução. Temos casos como o Luciano de Justo Ramos, em Mira de Aire, e o Alfredo Matos, no Alqueidão da Serra, cujos trabalhos muito admiro. Nas últimas décadas tivemos contributos valiosíssimos de grandes académicos no contexto nacional como Saul António Gomes e José Manuel Brandão que nos deram contributos decisivos para a história local. Nos últimos anos tenho tentado procurar diversificar aquilo que é o leque de historiadores que se dedica a Porto de Mós, porque o bom conhecimento nasce do debate sereno sobre temas. Precisamos dessa diversidade. Hoje seria quase  impossível enumerar todas as pessoas que estão envolvidas com diferentes aspectos da história. Importa dizer que nunca senti nenhuma resistência, nenhuma dificuldade da parte daquilo que é o Município de Porto de Mós.</p>
<p><strong>Já se sabe o essencial sobre a história do concelho?</strong></p>
<p>Falta bastante. Se me pedissem para fazer uma história do concelho não a conseguia fazer. Em primeiro lugar porque há zonas sobre as quais ainda sabemos muito pouco. Temos casos como o Alqueidão da Serra ou as Pedreiras que estão de facto muito bem estudadas porque tiveram grandes vultos que deram contributos decisivos, mas depois isto não acontece em todo o território. De Mira de Aire, por exemplo, sabemos alguma coisa, mas não o suficiente. Durante anos foi o motor económico do concelho e é o sítio onde alguns partidos se vão instalar imediatamente. Depois de Justo Ramos não tivemos trabalhos de fundo e isso deixa-nos empobrecidos, falta-nos conhecer melhor aquela realidade. Relativamente às freguesias serranas também sabemos, de uma forma geral, pouco. Portanto, é difícil ter uma visão de conjunto equilibrada. A história do Castelo também merece estudo mais aprofundado. Seria igualmente interessante desenvolver trabalhos sobre a Batalha de Aljubarrota numa perspetiva social. Temos de continuar a pegar no melhor que se faz em Portugal e aplicá-lo às nossas escalas.</p>
<p><strong>Voltando a unir a perspectiva micro com a macro, de uma forma relativamente sucinta, que principais contributos é que Porto de Mós terá dado para a história do país?</strong></p>
<p>Porto de Mós tem características que o tornam um território essencial para perceber mudanças muito importantes na história nacional, desde logo porque foi sempre um território de passagem a ligar centros muito importantes. Às vezes nós não conseguimos lidar bem com esta ausência de uma centralidade muito óbvia, porque parece-nos que Porto de Mós é uma espécie de aglomerados que com dificuldade se colam, mas eu acho que é precisamente nesta circunstância, nesta riqueza cultural, nesta permanência de tantas comunidades com identidades tão marcadas que está aquilo que é, talvez, o aspeto que o torna tão interessante.  </p>
<p>Na crise de 1383-1385, o exército de João I passa em Porto de Mós. Aquela que João Gouveia Monteiro caracterizou como “a mãe das batalhas medievais”, a Batalha Real de 14 de Agosto de 1385, acontece aqui, em São Jorge, e não é por acidente. Nós percebemos, na história medieval, nomeadamente, que Porto de Mós é não só um concelho de reis, mas também, como afirmou uma vez a professora Maria Helena da Cruz Coelho, um concelho de rainhas: Porto de Mós vai sendo sucessivamente doado. Talvez a mais interessante das doações seja à rainha D. Isabel, onhecida como Rainha Santa, a esposa de D. Dinis mas isto acontece sistematicamente. </p>
<p><strong>Eu diria que é preciso sacudirmos essa espécie de síndrome de que Porto de Mós não tem história ou que não tem uma história tão importante quanto isso. Precisamos de sacudir para conseguir encontrar esses grandes momentos e grandes figuras. Eu asseguro-vos, elas estão lá.</strong></p>
<p>No âmbito de um contrato de avença com a Câmara tem trabalhado no Arquivo Municipal. O que nos pode dizer sobre o Arquivo?<br />
O Arquivo Municipal tem muita e interessante documentação. Tem é um problema de raiz que tem a ver com as Invasões Francesas porque nessa altura desapareceu quase tudo. Nalguns casos, as Invasões são usadas como desculpa, mas em Porto de Mós essa destruição aconteceu de facto. Dos século XIX e XX temos muita atividade camarária, nomeadamente, os livros de atas e já está tudo digitalizado e acessível a qualquer um. No ano passado tive o gosto de fazer a incorporação de uma documentação que veio da Junta de Freguesia do Juncal,  e entre essa descobrimos aquilo que talvez seja, neste momento, um dos tesouros do Arquivo: um livro de uma casa nobiliárquica, de 1580, e é muito curioso. É um livro de forma, um livro de aparato, que tem as iluminuras, que tem os brasões, e a pessoa que o redigiu explica que há necessidade de criar prova daquilo que tinham sido os privilégios e os direitos concedidos àquela família pelos reis anteriores, e eu como historiador acrescento, claro que há, porque ele já perspetivava que ia haver uma mudança dinástica, e portanto havia que procurar fazer prova dos direitos que aquela casa tinha, porque as mudanças dinásticas convidam a ruturas, e as primeiras doações tinham sido feitas por D. João I. </p>
<p><strong>Relativamente ao Campo Militar de São Jorge temos a Fundação Batalha de Aljubarrota que quer preservar o património e a população que tem necessidade de usufruir das suas propriedades. Como olha para isso tudo?</strong></p>
<p>Esta oposição a longo prazo não beneficia ninguém.  O que posso fazer é apelar a que se façam esforços no sentido de conseguir aliar, por um lado, o direito daquela população a residir ali e a ter as suas vidas e a construir e a crescer. Parece-me à primeira vista que não faz sentido quase passar uma borracha e dizer “vocês daqui por diante não podem fazer mais nada porque a área é protegida”. Mas também procuro perceber que é preciso salvaguardar a investigação, o património, não só porque é importante no passado mas também porque continua a produzir resultados muito interessantes do ponto de vista da arqueologia. </p>
<p><strong>Para terminar, quer falar-nos do seu mais recente projeto, o Walking Tours? </strong></p>
<p>É um projeto privado que faço como investigador e como historiador e que utiliza uma plataforma online conhecida entre viajantes chamada GuruWalk.  A ideia é termos um “guru” que nos mostra uma realidade local. O que acontece na prática é que as pessoas, através da plataforma, podem inscrever-se nos horários disponíveis, (neste momento só ao fim de semana), e terão comigo aquilo que eu chamei de uma viagem na História de Portugal através de Porto de Mós. A visita começa no castelo e depois desce a vila medieval. Faço sempre esta brincadeira, de descobrir cinco igrejas, sendo que só duas é que existem. As outras três vamos descobri-las por imagem. Terminamos na Central, naquilo que foi um espaço de desenvolvimento do concelho e do país muito importante para o século XX. É uma viagem no tempo. Todas as pessoas podem inscrever-se. O conceito deste projeto é que de é gratuito sabendo que, quem participa, no final, dará o que entender. O que quero com isto? Em primeiro lugar, gosto muito da história de Porto de Mós.  Em segundo, também gosto de a contar. Em terceiro, sinto que tenho já uma investigação muito sólida sobre o concelho, ainda que não saiba tudo, mas que me permite ter uma visão de conjunto. Por fim, também percebi no contacto com os hotéis que tenho tido e com os players locais, que há uma vontade deste tipo de propostas. Quando chego aos hotéis dizem-me que não há nenhuma maneira de conhecer a história do concelho em particular. E esta é uma boa forma de o fazer. Portanto, estou muito contente.</p>
<p><img decoding="async" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2025/01/Kevin-Carreira-Soares_2.jpg" alt="Kevin Carreira Soares 2 | Jornal O Portomosense" width="1280" height="800" class="alignnone size-full wp-image-35674" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2025/01/Kevin-Carreira-Soares_2.jpg 1280w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2025/01/Kevin-Carreira-Soares_2-980x613.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2025/01/Kevin-Carreira-Soares_2-480x300.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1280px, 100vw" /></p>
<p><strong>Perfil</strong></p>
<p>Com apenas 32 anos, o portomosense Kevin Carreira Soares tem um vasto currículo.  É licenciado em História, mestre em História Moderna e doutorado em História: Mudança e Continuidade no Mundo Global. Como investigador tem desenvolvido o seu trabalho em dois eixos principais: o primeiro relacionado com a história dos impérios ibéricos na Ásia, nos séculos XVI e XVII (tema de investigação do seu doutoramento) e o segundo centrado na história local da terra onde cresceu (no âmbito das atividades de extensão universitária).  Já viajou pelo mundo “à boleia” da investigação e acredita que a perspetiva que traz de cada lugar é preponderante para lhe dar bagagem para entender melhor o mundo e, por consequência, a História.</p>
<p><strong>Fotos | Isidro Bento</strong></p>
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		<title>Historiador José Custódio lança nova obra no Castelo de Porto de Mós</title>
		<link>https://oportomosense.com/historiador-jose-custodio-lanca-nova-obra-no-castelo-de-porto-de-mos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luís Vieira Cruz]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jun 2024 12:02:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Porto de Mós]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Medieval Portuguesa - Novas Interpretações.]]></category>
		<category><![CDATA[castelo]]></category>
		<category><![CDATA[Historiador]]></category>
		<category><![CDATA[josé custódio]]></category>
		<category><![CDATA[Paços Medievais Portugueses. O Caso Exemplar de Porto de Mós]]></category>
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					<description><![CDATA[O historiador José Custódio promove no próximo dia 6 de julho, no Castelo de Porto de Mós, a sua mais recente obra, denominada Arte Medieval Portuguesa &#8211; Novas Interpretações. Pelas 15 horas daquele sábado, o Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa far-se-á acompanhar pela professora e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O historiador José Custódio promove no próximo dia 6 de julho, no Castelo de Porto de Mós, a sua mais recente obra, denominada <em><a href="https://www.wook.pt/livro/arte-medieval-portuguesa-jose-custodio-vieira-da-silva/29848926" target="_blank" rel="noopener">Arte Medieval Portuguesa &#8211; Novas Interpretações</a>.</em></p>
<p>Pelas 15 horas daquele sábado, o Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa far-se-á acompanhar pela professora e arquiteta Alexandra Barradas, sobre quem recairá a responsabilidade da apresentação da obra.</p>
<p>Segue-se a conferência <em>Paços Medievais Portugueses. O Caso Exemplar de Porto de Mós</em>, que terá José Custódio Vieira da Silva como <em>keynote speaker.</em></p>
<p><strong>Sobre o autor:</strong></p>
<div class="autores-biografia col-xs-12  autores-sem-avatar ">José Custódio Vieira da Silva é Professor Catedrático Jubilado da NOVAFCSH, onde, a par das funções docentes, foi responsável científico pela área de História da Arte Medieval, Coordenador do Departamento de História da Arte e Vice-Presidente do Conselho Científico da Faculdade. As suas investigações privilegiaram o tempo e a arte góticas, sobretudo os seus momentos finais, de que é testemunho a publicação de livros e de artigos em revistas da especialidade e a participação em encontros e congressos nacionais e internacionais.</div>
<div class="autores-partilha col-xs-12  autores-sem-avatar ">
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		<title>Comunicações do I Ciclo de Conferências reunidas em livro</title>
		<link>https://oportomosense.com/comunicacoes-do-i-ciclo-de-conferencias-reunidas-em-livro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Isidro Bento]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Nov 2022 08:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação]]></category>
		<category><![CDATA[Centro do Património da Estremadura (CEPAE)]]></category>
		<category><![CDATA[Ciclo de conferências]]></category>
		<category><![CDATA[Contexto historiográfico]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão em Ciências Sociais]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Historiador]]></category>
		<category><![CDATA[Livro]]></category>
		<category><![CDATA[Porto de Mós]]></category>
		<category><![CDATA[Porto de Mós: Tempo Espaço e Memória]]></category>
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					<description><![CDATA[Porto de Mós: Tempo, Espaço e Memória que deu o mote a um ciclo de conferências históricas que, em 2019, trouxe a Porto de Mós, 13 académicos e estudiosos de diferentes áreas, com conhecimento produzido sobre o concelho, é agora título de um livro que reúne os textos das comunicações aí apresentadas. Sete dos 13 [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Porto de Mós: Tempo, Espaço e Memória</em> que deu o mote a um ciclo de conferências históricas que, em 2019, trouxe a Porto de Mós, 13 académicos e estudiosos de diferentes áreas, com conhecimento produzido sobre o concelho, é agora título de um livro que reúne os textos das comunicações aí apresentadas. Sete dos 13 especialistas aceitaram o desafio de cederem as suas comunicações para publicação e foi essa compilação de quase 200 páginas que, a 5 de novembro último, foi alvo de apresentação pública na Central das Artes, em Porto de Mós.</p>
<p>A apresentação da obra coube ao presidente do Centro do Património da Estremadura (CEPAE), Adélio Amaro, que, depois de passar em revista os sete textos, disse que, com este livro, «continuamos a fazer história da História». O responsável elogiou a qualidade do trabalho e deu os parabéns ao jovem historiador portomosense, Kevin Carreira Soares, o grande impulsionador do ciclo de conferências, por esta iniciativa, extensivos ao Município, a entidade promotora, e aos académicos e investigadores participantes.</p>
<p>Kevin Carreira Soares, por sua vez, explicou que este ciclo surgiu numa altura em que o concelho vivia «um ambiente de renovação do espaço patrimonial» e, após duas décadas, em que «investigações sólidas» em diversos campos «fizeram avançar conhecimento». Havia, portanto, matéria para partilhar com o público e, ao mesmo tempo, interessava juntar os académicos. Assim, «fazia sentido reunir uma parte do melhor que se produz no meio académico e trazê-lo a Porto de Mós».</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19212" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/livro-Porto-de-Mos-Tempo-Espaco-e-Memoria_apresentacao.jpg" alt="livro Porto de Mos Tempo Espaco e Memoria apresentacao | Jornal O Portomosense" width="1200" height="628" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/livro-Porto-de-Mos-Tempo-Espaco-e-Memoria_apresentacao.jpg 1200w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/livro-Porto-de-Mos-Tempo-Espaco-e-Memoria_apresentacao-980x513.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/livro-Porto-de-Mos-Tempo-Espaco-e-Memoria_apresentacao-480x251.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1200px, 100vw" /></p>
<p>O livro foi pensado «num contexto historiográfico», portanto pode ser «um pouco árido» para um público leigo, reconheceu, mas mesmo assim «vale a pena lê-lo». «É um livro bonito embora não seja de grande aparato e a razão para isso é simples: Se fizermos o trabalho que nos compete, se a história de Porto de Mós não ficar congelada, daqui a 20 anos estes textos estarão desatualizados e é isso que queremos. Este livro não é para estar na estante, mas para ter a lombada cansada», vincou, acrescentando que «é a obra mais académica que já saiu sobre Porto de Mós, nos últimos tempos».</p>
<p>O jovem investigador defende que «a Academia tem de encontrar formas de o conhecimento chegar aos cidadãos» e, para este projeto, encontrou na Rádio Dom Fuas e em O Portomosense os parceiros certos: «Todos os conferencistas foram entrevistados na rádio sobre o tema que iriam apresentar e um resumo de cada uma dessas entrevistas foi publicado no jornal». «Hoje, quando alguém me pergunta como pode saber mais sobre o castelo, recomendo-lhe a entrevista que juntou os três grandes especialistas mundiais nesta matéria», exemplificou.</p>
<p><strong>Ciclo de conferências premiado pela academia</strong></p>
<p>Os contornos pouco comuns do projeto com o envolvimento de parceiros locais valeram-lhe o prémio em <em>Extensão em Ciências Sociais</em>, do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, o que levou o historiador a confessar que gostou de ver Porto de Mós «associado àquilo que é a melhor ciência que se faz no país» e que «isto é a prova de que aquilo que fazemos aqui pode gerar valor, ser reconhecido lá fora e ser um capital para promover o concelho». Numa altura em que quem recebe apoios públicos «é fortemente incentivado a nunca publicar em português e jamais em Portugal» e a não participar em projetos de âmbito mais local, a forma que Kevin Carreira Soares encontra de captar a atenção dos investigadores será o de «associar Porto de Mós àquilo que de melhor acontece a nível internacional e no mundo historiográfico e, para isso, é necessário criar atividades de elevado valor de forma a que as pessoas quando recebem um convite saibam que vão a um concelho onde as atividades geram valor e têm consequências», defendeu.</p>
<p><strong>“Precisamos de uma obra sobre o castelo”</strong></p>
<p>A terminar a intervenção deixou desafios e sugeriu caminhos de investigação. O primeiro passa pela organização regular de jornadas históricas, que juntem «aqueles que entram na academia e precisam de aprender e têm gosto em participar, os que já têm algum trabalho feito e os que contam com carreiras sólidas a este nível». «Seria bom pôr gente da terra a trabalhar assuntos da terra», considerou. O segundo, para a Câmara e para Alexandra Barradas, que apresentou como «a grande especialista do Castelo de Porto de Mós». «Nós precisamos de uma obra sobre o castelo», disse, mostrando-se convicto de que é a pessoa certa para a produzir. «Não sei se a Alexandra aceitaria, se o executivo estaria interessado, mas espero dentro de dois anos estar no seu lançamento», sublinhou.</p>
<p>O terceiro desafio foi o de que o concelho saiba aproveitar e valorizar o trabalho de José Manuel Brandão sobre a antiga central termoelétrica, «a pessoa que nos últimos 50 anos foi responsável pela renovação historiográfica mais importante de Porto de Mós». Pegando nos trabalhos e nas propostas de outros conferencistas, sugeriu que se faça alguma investigação, «a partir de Porto de Mós, mas com abrangência regional», que se aprofunde a história do escutismo no concelho e que se encontre um espaço museológico de qualidade «onde os portomosenses possam saber a sua história».</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19206" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/apresentacao-de-livro-sobre-porto-de-mos.jpg" alt="apresentacao de livro sobre porto de mos | Jornal O Portomosense" width="1200" height="628" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/apresentacao-de-livro-sobre-porto-de-mos.jpg 1200w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/apresentacao-de-livro-sobre-porto-de-mos-980x513.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2022/11/apresentacao-de-livro-sobre-porto-de-mos-480x251.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1200px, 100vw" /></p>
<p>Antes da mesa redonda, em que intervieram os autores presentes, o presidente da Câmara, Jorge Vala, expressou a Kevin Carreira Soares «a enorme gratidão do Município pelo trabalho que tem sido desenvolvido de forma voluntária, abnegada e muitas vezes condicionando a sua disponibilidade profissional e académica, entregando-a a bem do património e do conhecimento de Porto de Mós», mostrando-se igualmente grato, «enquanto portomosense e presidente da Câmara», por tudo o que fez no âmbito do ciclo de conferências, nomeadamente, pela capacidade demonstrada em trazer «aqueles que melhor e mais têm estudado o concelho de Porto de Mós». Relativamente às considerações feitas e aos desafios lançados, o autarca disse concordar em absoluto e mostrou-se de braços abertos para os acolher.</p>
<p><strong>Fotos | Isidro Bento</strong></p>
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