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	<title>Inês Henriques | Jornal O Portomosense</title>
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	<description>Atualidade, Economia, Cultura, Desporto, Saúde, Sociedade, Educação, Artigos de Opinião. O jornal de Porto de Mós. Desde 1983.</description>
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	<title>Inês Henriques | Jornal O Portomosense</title>
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		<title>Campeonato Nacional de Marcha volta ao centro da vila de Porto de Mós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Jéssica Moás de Sá]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 08:44:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[Campeonato da Europa de Nações]]></category>
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		<category><![CDATA[Federação Portuguesa de Atletismo (FPA)]]></category>
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					<description><![CDATA[O Campeonato Nacional de Marcha em Estrada realizou-se pelo oitavo ano consecutivo em Porto de Mós, mas regressou à vila, depois de dois anos a ser realizado na Zona Industrial. Nos masculinos, João Vieira (Sporting CP) sagrou-se campeão nacional pela sétima vez nos 35 km com uma marca de 2h36m32s, o seu segundo melhor resultado [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Campeonato Nacional de Marcha em Estrada realizou-se pelo oitavo ano consecutivo em Porto de Mós, mas regressou à vila, depois de dois anos a ser realizado na Zona Industrial. Nos masculinos, João Vieira (Sporting CP) sagrou-se campeão nacional pela sétima vez nos 35 km com uma marca de 2h36m32s, o seu segundo melhor resultado de sempre. Já Inês Henriques (Clube de Natação de Rio Maior), sagrou-se campeã dos 35 km. A atleta, que é embaixadora de Porto de Mós, terminou a prova em 2h55m26s, que lhe vai permitir estar presente no Campeonato da Europa de Nações, em marcha atlética.</p>
<p>Este campeonato não parou durante a pandemia e um dos motivos foi as condições que a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) encontrou em Porto de Mós. «Quando começou a pandemia, continuámos a fazer a prova, mas não dentro da vila, tivemos que ir para a Zona Industrial, que cumpre perfeitamente estes requisitos que a FPA exige», sublinhou o técnico nacional de marcha atlética, Carlos Carmino. Agora, de «regresso à vila», o técnico, garante que espera que continue «para muitos e bons anos». «Nós, FPA, estamos contentes com o apoio que o Município nos tem dado», frisa.</p>
<p>Em Porto de Mós, estiveram os melhores atletas da disciplina, no entanto, avaliando o contexto geral da marcha, o técnico assume que já «esteve melhor». «Estou a lembrar-me dos Jogos Olímpicos de 2016, tivemos oito atletas na marcha, em Tóquio 2020 [que se realizaram em 2021], tivemos apenas dois marchadores», recorda. Portugal continua a ter «atletas bons» mas está «numa fase de renovação do setor». «Estivemos com vários jovens no Campeonato do Mundo de juniores, que estiveram aqui hoje, estivemos também com vários jovens no Campeonato da Europa de juvenis, alguns que estiveram aqui hoje, mas a renovação nem sempre é fácil», salienta. Carlos Carmino apela à ajuda «das Associações Distritais e dos clubes», dos quais, assume, a FPA «depende». «Felizmente, o Grupo Desportivo das Pedreiras (GDP) tem feito alguma renovação, conseguiu no ano passado a primeira campeã nacional, Isa Ferreira, e tem o André Moreira, dois jovens que neste momento mais se destacam e espero que progridam». O técnico diz que o mesmo se passa noutros clubes do distrito «que tem alguns jovens bons». «É uma disciplina ingrata, o gesto técnico não é propriamente apelativo, popular, mas alguns resistem, digamos que só os mais desinibidos e resistentes ficam a praticar marcha», realça.</p>
<p><strong>Jorge Vala ambiciona ter mais provas</strong></p>
<p>«Este é um evento de dimensão nacional, é sempre importante receber. Porto de Mós está associado a uma marca mundial, da Inês Henriques [que aqui estabeleceu a marca dos 50 km], e a partir desse momento, Porto de Mós ficou uma referência quando se fala de atletismo e em particular de marcha», considera o presidente da Câmara, Jorge Vala. Para o autarca, «acresce ainda o facto» do concelho ter uma equipa de atletismo – o GDP – «que tem feito um trabalho extraordinário a este nível e trazer provas para Porto de Mós é fundamental para incentivar ainda mais os que já praticam e tentar promover a modalidade». Ter atletas internacionais em Porto de Mós «é também um ponto de incentivo importante». Na opinião de Jorge Vala, o concelho tem condições para «receber outras provas nacionais de atletismo».</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20016" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2023/01/isa-ferreira-GDP_campeonato-nacional-de-marcha.jpg" alt="isa ferreira GDP campeonato nacional de marcha | Jornal O Portomosense" width="1200" height="628" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2023/01/isa-ferreira-GDP_campeonato-nacional-de-marcha.jpg 1200w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2023/01/isa-ferreira-GDP_campeonato-nacional-de-marcha-980x513.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2023/01/isa-ferreira-GDP_campeonato-nacional-de-marcha-480x251.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1200px, 100vw" /></p>
<p><strong>Uma campeã, dois vice-campeões e um quarto lugar: assim foi a prestação do GDP</strong></p>
<p>Em simultâneo com o Campeonato Nacional de Marcha em Estrada, decorreu o Campeonato Distrital onde participaram cinco atletas do GDP, com resultados que «orgulharam» o treinador, Emanuel Moniz. Isa Ferreira sagrou-se campeã distrital de sub-18, batendo o seu recorde pessoal e apenas a «15 segundos da marca de qualificação para o Campeonato da Europa», um objetivo que tinha sido traçado pelo clube e pela atleta, embora Emanuel Moniz frise que seguem o trabalho «para que o objetivo seja alcançado para a próxima». Lara Beato foi vice-campeã no mesmo escalão, lugar também conseguido por André Moreira (sub-18). Isabel Chindongo foi quarta em infantis femininos. «Estou orgulhoso do trabalho que temos vindo a fazer, tem sido espetacular e é sempre bom estarmos na nossa terra», frisou o técnico. Ver pais, colegas da direção, pessoas das Pedreiras, a torcer pelos atletas, é «uma festa», sublinha, acreditando que Porto de Mós tem ótimas condições para receber estas provas. «Tem um ambiente diferente de todos os outros porque engloba muita coisa, estamos num sítio muito bom, o percurso é espetacular e por isso, além de campeonatos nacionais, podemos vir a ter provas internacionais», antevê.</p>
<p><strong><span style="color: #99cc00;">Campeã nacional de 35 km e embaixadora de Porto de Mós em discurso direto:</span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><em><img decoding="async" class="wp-image-20079  alignright" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2023/01/Ines-Henriques_Campeonato-Marcha_2023-e1674486026232.jpg" alt="Ines Henriques Campeonato Marcha 2023 e1674486026232 | Jornal O Portomosense" width="319" height="276">Porto de Mós, para mim, é uma vila muito especial, foi onde eu fiz o primeiro recorde do mundo e onde tudo começou. Nesse ano sagrei-me campeã do mundo e posteriormente fiz aqui o recorde nacional dos 35 km, depois fui campeã da Europa dos 50 km. Tinha saudades de vir aqui. Os últimos campeonatos têm sido também em Porto de Mós, mas na Zona Industrial, e voltar à vila, sem dúvida nenhuma, é diferente. Queria voltar e sentir-me bem, sentir-me feliz a marchar e tendo em conta o treino que eu tenho neste momento, foi um bom resultado e o início da época que espero que seja ainda mais positivo.<br />
</em><span style="color: #99cc00;"><em>Inês Henriques</em></span></p>
<p><strong>Fotos | Jéssica Moás de Sá</strong></p>
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		<title>ALTA COMPETIÇÃO = ALTA PRESSÃO</title>
		<link>https://oportomosense.com/alta-competicao-alta-pressao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Jéssica Moás de Sá]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2021 08:32:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[Alta competição]]></category>
		<category><![CDATA[Alta pressão]]></category>
		<category><![CDATA[David Carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Emanuel Moniz]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo Desportivo das Pedreiras]]></category>
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					<description><![CDATA[A ginasta americana Simone Biles pôs recentemente o mundo a falar de saúde mental nos atletas de alta competição quando desistiu dos Jogos Olímpicos de Tóquio, por se sentir «psicologicamente fragilizada». Nas últimas semanas, também Portugal foi confrontado com este tema: Vanessa Fernandes, ex-triatleta, revelou o “tormento” pelo qual passou durante a sua carreira com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A ginasta americana Simone Biles pôs recentemente o mundo a falar de saúde mental nos atletas de alta competição quando desistiu dos Jogos Olímpicos de Tóquio, por se sentir «psicologicamente fragilizada». Nas últimas semanas, também Portugal foi confrontado com este tema: Vanessa Fernandes, ex-triatleta, revelou o “tormento” pelo qual passou durante a sua carreira com a pressão que sentiu de diversas frentes para conseguir sempre mais e melhor, quando tudo o que estava a dar já era o seu máximo. Os dois testemunhos foram encarados como atos de coragem, que podem ser importantes para outros atletas que estejam a sentir o mesmo. Porque este é um tema que não pode sair da ordem do dia e queremos contribuir para isso, aqui damos voz a quem também deste tema pode falar: Um ex-atleta paralímpico e uma atleta no ativo que é campeã do Mundo e da Europa. Mas não só. Temos no concelho um clube que está a formar atletas vencedores, o Grupo Desportivo das Pedreiras. Ouvimos não só atletas do clube que estão a aprender a ser atletas, como o coordenador, que é quem lhes dá as ferramentas para voarem. Sejam quais forem os voos, o importante é aprender a gerir as quedas. </p>
<p><strong>David Carreira, ex-atleta paralímpico de natação</strong></p>
<p><em>&#8220;Nós sabemos que os maus momentos também fazem parte e a preparação de uma grande competição e de um atleta é muito exigente, desgastante, dá muito trabalho e tira-nos muita energia e tempo, mas a partir do momento que atingimos os nossos objetivos tudo isso fica para trás&#8221;.</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/david-carreira_ex-atleta-paralimpico-de-natacao.jpg" alt="david carreira ex atleta paralimpico de natacao | Jornal O Portomosense" width="1200" height="628" class="alignnone size-full wp-image-14173" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/david-carreira_ex-atleta-paralimpico-de-natacao.jpg 1200w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/david-carreira_ex-atleta-paralimpico-de-natacao-980x513.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/david-carreira_ex-atleta-paralimpico-de-natacao-480x251.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1200px, 100vw" /></p>
<p>Depois de ter competido na competição “máxima” de todas as competições, os Jogos Paralímpicos (neste caso do Rio de Janeiro, em 2016), David Carreira, atleta natural do Alqueidão da Serra, decidiu parar. Antes dos Jogos, já tinha participado em campeonatos da Europa e do Mundo. Alcançou 70 títulos de campeão nacional, batendo 57 recordes nacionais. Toda esta experiência faz do nadador testemunha importante sobre a pressão que existe no desporto de alta competição, com a qual sempre lidou bem, algo notório no seu discurso. David Carreira garante que nunca permitiu que a natação, que começou por ser uma «brincadeira», deixasse de o ser, preferiu utilizar a responsabilidade acrescida da competição como motor. «A competir temos que saber utilizar a pressão pelo lado positivo, como forma de nos motivarmos a dar mais em cada treino», frisa. </p>
<p>Embora reconheça que nem todos os atletas conseguem ter este espírito, David Carreira sempre soube que para estar ao mais alto nível, existiam cedências pessoais que tinha de fazer. «Um atleta de alta competição tem de ter noção de que para ter alguns resultados, precisa de muito tempo, senão, não está no sítio certo», salienta. O ex-atleta paralímpico encarou o abdicar de tempo com os amigos, para atividades de lazer, como algo que faz parte do caminho de um atleta. «Não estamos limitados a nada, não é por sermos atletas que temos de deixar de sair à noite ou de fazer o que quer que seja, mas eu sentia que não estava para aí virado. Eu queria aproveitar o fim de semana para descansar porque sabia que as semanas tinham sito intensas em termos de treino, às vezes tinha um fim de semana de competição e sobrava pouco tempo, eu sabia que era assim se quisesse ter alguns resultados», explica. Também o controlo da alimentação sempre foi visto com naturalidade: «Nunca cheguei ao ponto de sentir pressão de quem quer que fosse em termos alimentares, de estar proibido de comer algo, agora, eu próprio sabia que tinha de controlar. Tinha a noção que existiam dois pontos fundamentais para alcançar resultados: Descansar bem e uma boa alimentação», frisa. </p>
<p>Apesar de ter sempre mantido esta atitude positiva, nem tudo foi bom. «Não posso negar que tive fases complicadas em que acabei por duvidar das minhas capacidades, porque sentimos que damos o máximo nos treinos e depois os resultados não aparecem», recorda. Aqui, o seu treinador, com quem tinha uma ótima relação, foi preponderante. «Ele não me ignorou, não me deixou de lado, deu-me mais força para que não desistisse naquele momento e conseguisse continuar a trabalhar», afirma. David Carreira acredita que um treinador tem de ser um amigo, só assim estará atento à saúde mental do seu atleta: «Se o treinador for apenas um treinador, acredito que ele vá olhar para o umbigo dele e fazer os possíveis para o seu atleta ter os melhores resultados mas não vai perceber o que está por trás disso, o trabalho que é preciso ser feito nessas fases mais complicadas em que tem de haver um ombro amigo». </p>
<p>O nadador alqueidoense desistiu da carreira aos 26 anos, depois da participação nos Jogos Paralímpicos. A difícil gestão entre a sua vida profissional e os treinos e competições esteve no centro da sua decisão, algo que em Portugal é uma realidade, devido à falta de apoios dados aos atletas. «Essa diferença era mais notória quando íamos ao estrangeiro representar a seleção e competíamos com atletas de outros países que não faziam mais nada do que treinar e isso acaba por afetar a preparação. Em muitas situações eu fazia um treino antes de ir trabalhar e outro depois do trabalho, depois de um dia preenchido que desgastava também», recorda. </p>
<p>A capacidade de David Carreira de ver “o copo meio cheio” leva-o a afirmar que, olhando para a sua carreira, as coisas boas foram muito superiores às más, apesar de todos os sacrifícios. «Fui um sortudo no meio de tantos atletas e consegui aquilo que uma minoria dos atletas portugueses consegue, portanto não tenho motivos para reclamar», conclui. </p>
<p><strong>Inês Henriques, campeã dos 50 km marcha</strong></p>
<p><em>&#8220;Quando o médico da Federação disse que tinha que tomar anti-depressivos, eu perguntei como é que era possível. Pensei que tinha de resolver aquilo comigo própria e durante algumas semanas neguei a toma. Eu tinha feito os 50 quilómetros, era uma atleta forte, como é que tinha chegado aquele ponto? Entramos em negação&#8221;.</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/ines-henriques_campea-dos-50-km-marcha.jpg" alt="ines henriques campea dos 50 km marcha | Jornal O Portomosense" width="1200" height="628" class="alignnone size-full wp-image-14181" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/ines-henriques_campea-dos-50-km-marcha.jpg 1200w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/ines-henriques_campea-dos-50-km-marcha-980x513.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/ines-henriques_campea-dos-50-km-marcha-480x251.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1200px, 100vw" /></p>
<p>Inês Henriques é campeã do mundo e da Europa dos 50 km de marcha conquistados no Campeonato do Mundo de Londres em 2017 e no Campeonato Europeu de Berlim em 2018. Já depois destas conquistas, a atleta de Rio Maior e embaixadora de Porto de Mós (onde conquistou em 2017 o recorde do mundo nos 50 kms), passou por um período complicado onde desistir da carreira esteve nos planos. </p>
<p>Antes de chegar a este ponto, Inês Henriques confessa que sempre foi muito exigente consigo mesma, mas do seu lado sempre teve um treinador (com quem trabalha há mais de 30 anos) que doseou essa exigência. «Sempre tive uma pressão controlada, tenho um treinador com muita experiência e que nunca deixou que eu queimasse etapas, deixou-me crescer. Inicialmente eu queria treinar todos os dias e ele não me deixava, porque não se deve exigir que um atleta chegue a níveis elevados muito rápido», recorda, lembrando que há muitos treinadores que não deixam os atletas crescer naturalmente. «Nós conseguimos o que conseguimos com muitos anos de trabalho, no caso da prova dos 50 quilómetros é uma prova com uma dureza muito grande, em que são necessários muitos anos de experiência para a fazer», acrescenta ainda. </p>
<p>Inês Henriques defende também que todos os sacrifícios que fez, nomeadamente o facto de abdicar de tempo com a família, o ter faltado a festas de finais de curso, entre outros eventos, foi sempre opção sua e nunca lhe foi imposta por ninguém. «O atletismo sempre foi mais importante, eu costumo dizer que é o meu modo de vida», afirma a marchadora que garante ainda que não está «arrependida do caminho» que percorreu. A questão alimentar também foi sempre bem gerida: «Houve um ou outro momento em que tive de perder peso, mas tive sempre acompanhamento de nutricionistas e nunca cometi loucuras, nem nunca me foi pedido pelo meu treinador. Ele sempre disse que preferia que tivesse um quilo a mais do que não ter força para treinar. Alguns treinadores são obcecados nesse aspeto, neste caso o meu treinador é que teve problemas porque alguns atletas se recusavam a comer e depois não tinham força». </p>
<p>Sempre teve este apoio incondicional do treinador que era atento à sua saúde mental, então o que levou Inês a, já depois das grandes conquistas da sua carreira, necessitar de apoio psicológico? «Tive um processo muito complicado na minha vida pessoal e uma lesão que me impediu de treinar durante sete semanas. Depois o voltar foi muito difícil, o meu corpo não respondia da forma que eu queria e aliado a isso tive muitos problemas de sono. Estive muitos meses sem conseguir dormir bem», recorda. A ansiedade era causada «por sentir que não era capaz», agravada pelos problemas de sono e também pela espera que viveu para saber se os 50 km marcha femininos seriam ou não considerados olímpicos. «Depois soubemos que o Comité Olímpico tinha decidido que a prova não era olímpica, isso não me ajudou nada. Acredito que se me tivessem dito que era, o foco era diferente, eu deixei de ter o foco que tive desde miúda, deixei de ter motivação e alegria para marchar», recorda Inês Henriques, especialista nesta distância. </p>
<p>O apoio psicológico que recebeu de um psicólogo da Federação Portuguesa de Atletismo e também de uma especialista do sono foram fundamentais para que fosse recuperando e para que esteja de volta aos treinos. «Mentalizei-me que não tenho de provar nada a ninguém. Recomecei a treinar, inicialmente só fazia corrida onde me apetecia e quando me apetecia e isso deu-me motivação. Depois comecei a marchar e comecei a sentir prazer outra vez», conta. Aos 41 anos, garante que estará no Campeonato do Mundo e da Europa de 2022. A participação nos Jogos Olímpicos de Paris em 2024 dependerá da certificação dos 35 km marcha femininos como prova olímpica. «Se não for olímpico, termino a minha carreira no campeonato europeu de 2022», avança.  </p>
<p><strong>Emanuel Moniz , coordenador do GD Pedreiras</strong></p>
<p><em>&#8220;É fundamental não fazer pressão sobre os miúdos senão acabamos por os perder. Eles estão aqui para se divertirem, para crescerem e aprenderem, isso é a base de tudo, a partir daí o resto sai naturalmente&#8221;.</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/emanuel-moniz_coordenador-GP-pedreiras.jpg" alt="emanuel moniz coordenador GP pedreiras | Jornal O Portomosense" width="1200" height="628" class="alignnone size-full wp-image-14175" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/emanuel-moniz_coordenador-GP-pedreiras.jpg 1200w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/emanuel-moniz_coordenador-GP-pedreiras-980x513.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/emanuel-moniz_coordenador-GP-pedreiras-480x251.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1200px, 100vw" /></p>
<p>Começou como atleta, agora assume o papel de coordenador e treinador do Grupo Desportivo das Pedreiras (GDP). Falamos de Emanuel Moniz, especialista na área de meio fundo e marcha mas que ajuda as crianças e jovens em todas as modalidades. Emanuel Moniz defende que a relação entre treinador e atleta tem de ser de união, não fazendo demasiada pressão, mas conseguindo motivar o desportista: «Temos de conhecer os limites do atleta». Sobretudo nestas camadas jovens, uma exigência ponderada é fundamental, acredita. «Não vou dizer aos atletas para não sairem à noite ou para não comerem determinado alimento, mas procuro de outra forma demonstrar que é importante para estarem cada vez melhor. Serem atletas não os vai impedir de ter uma vida normal, procuro que vivam o dia a dia da forma mais normal possível e depois eles vão percebendo que se dormirem e descansarem bem e tiverem uma alimentação equilibrada, isso vai-se refletir nos treinos e provas», explica. O treinador não aceita é a falta de comprometimento com os treinos, pedindo aos atletas que estejam presentes sempre que possam. </p>
<p>Emanuel Moniz frisa que é importante que «um atleta esteja bem a nível mental para ter um bom desempenho» e nos momentos em que vê os atletas mais frustrados tenta atuar de «forma pedagógica», dadas as idades com que trabalha. «Eles estão numa fase de desenvolvimento, não temos tido problemas psicológicos, o que vejo muitas vezes é que quando um atleta não consegue, por exemplo, atingir um mínimo para os nacionais, fica muito frustrado. Nesse momento falamos com eles e explicamos que tudo tem o seu tempo, que se continuarem a trabalhar os resultados vão aparecer», explica. Por vezes a maior pressão vem da parte da família. «Todos os pais gostam de ver os filhos a ganhar e às vezes, nas competições a que vou, eles ultrapassam um bocado o limite. Exigem ao atleta que ganhe à força e isso pode fazer com que um atleta desista», salienta. Quando isso acontece com pais e atletas do clube e porque considera que o GDP é um clube com «um sistema de trabalho em que o atleta está em primeiro lugar», Emanuel Moniz opta por falar com os pais e explicar «que tudo tem o seu tempo e para deixarem as coisas fluir naturalmente».  </p>
<p><strong>André Moreira e Isa Ferreira, atletas GD Pedreiras</strong></p>
<p><em>&#8220;A pressão que sinto tem sido na conta certa e é importante, porque eu às vezes preciso de um empurrão para fazer melhor, sei que sou um pouco preguiçoso&#8221;, André Moreira</em></p>
<p><em>&#8220;Quero fazer disto vida, penso que se for sair com os meus amigos é menos um treino em que consigo evoluir, então prefiro vir treinar&#8221;, Isa Ferreira</em></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" src="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/atletas-GP-Pedreiras.jpg" alt="atletas GP Pedreiras | Jornal O Portomosense" width="1200" height="628" class="alignnone size-full wp-image-14169" srcset="https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/atletas-GP-Pedreiras.jpg 1200w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/atletas-GP-Pedreiras-980x513.jpg 980w, https://oportomosense.com/wp-content/uploads/2021/11/atletas-GP-Pedreiras-480x251.jpg 480w" sizes="(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1200px, 100vw" /></p>
<p>André Moreira e Isa Ferreira, ambos com 15 anos, estão há cinco e três anos no Grupo Desportivo das Pedreiras, respetivamente. Ambos imaginam o futuro de sapatilhas e num pódio, se possível. Até lá, sabem que o caminho é exigente. Até agora a maior dificuldade tem sido conciliar os treinos e provas com a escola. «Os testes e a escola influenciam muito a vida desportiva, às torna-se difícil vir aos treinos e ter bons resultados, mas acho que com esforço tudo se consegue, quando se gosta», afirma André Moreira. Isa Ferreira é da mesma opinião: «Essas alturas de testes e provas em simultâneo são muito difíceis, mas é tudo uma questão de organização, de tirar tempo para cada coisa». Difícil é também “arranjar” tempo para o lazer. «Normalmente optamos por ir às provas ou aos treinos em vez de sair com os amigos, ir ao cinema ou algo do género. É um pouco difícil, para ser sincero», confessa André Moreira. Isa Ferreira também acaba por, quase em 100% das vezes, dar prioridade à sua vida desportiva, mas é «uma opção» consciente, para evoluir enquanto atleta. </p>
<p>Os dois jovens são também cuidadosos no que diz respeito ao descanso e à alimentação. «Durmo sempre entre oito a nove horas e tento ter um equilíbrio na alimentação», garante André Moreira. Isa Ferreira frisa que para ela essa parte não é difícil: «Eu tenho uma alimentação equilibrada porque a minha mãe também sempre foi rigorosa com isso e diz que se não comer bem, também não treino bem. Quanto às horas de sono são sempre oito», explica. Todos estes fatores que têm de ter em conta, alguma vez fizeram com que pensassem em desistir? Os testemunhos dividem-se. «Às vezes a pressão é muita e é difícil gerir tudo, mas nunca pensei em desistir», diz André Moreira. Já Isa Ferreira assume que isso já lhe passou pela cabeça. «Já pensei em desistir por tudo isto, por ser difícil gerir treinos, escola, vida pessoal. Meto sempre os treinos em primeiro lugar, nunca a escola e depois há dias em que chego a casa e ainda tenho de estudar alguma coisa e não consigo», justifica, embora agora essa opção não esteja em cima da mesa. Em cima da mesa está, para os dois jovens, lutarem para que um dia possam elevar as suas carreiras a patamares mais altos. </p>
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