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	<title>Marco Pedrosa | Jornal O Portomosense</title>
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	<description>Atualidade, Economia, Cultura, Desporto, Saúde, Sociedade, Educação, Artigos de Opinião. O jornal de Porto de Mós. Desde 1983.</description>
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	<title>Marco Pedrosa | Jornal O Portomosense</title>
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		<title>O milagre digital e o erro analógico</title>
		<link>https://oportomosense.com/o-milagre-digital-e-o-erro-analogico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 07:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
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					<description><![CDATA[Se há coisa que o Ministério da Educação nos provou neste glorioso mês de julho de 2026, é que não há nada como uma boa &#8220;modernização tecnológica&#8221; para nos fazer ter saudades do tempo em que o maior problema dos exames nacionais era o professor vigilante levar tacões ou um decote passível de distrair os [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se há coisa que o Ministério da Educação nos provou neste glorioso mês de julho de 2026, é que não há nada como uma boa &#8220;modernização tecnológica&#8221; para nos fazer ter saudades do tempo em que o maior problema dos exames nacionais era o professor vigilante levar tacões ou um decote passível de distrair os meninos e as meninas. Bem-vindos à nova inovação, passo a redundância: a correção digital! Um sistema tão avançado, mas tão avançado, que decidiu avançar mais devagar para não avançar tanto.</p>
<p>A grande revolução deste ano prometia rigor, imparcialidade e, pasme-se, rapidez. A ideia era brilhante: os alunos escrevem à mão, a GNR transporta o papel (porque a modernidade confia mais numa viatura com pirilampos do que num PDF), os exames são digitalizados e fragmentados anonimamente para os professores. O resultado? Uma plataforma informática que inventou o inovador conceito de &#8220;indisponibilidade constante&#8221;.</p>
<p>O nosso estimado ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu com aquela candura peculiar que o sistema &#8220;não começou bem&#8221;, mas apressou-se a garantir aos jornalistas que os professores &#8220;estão a corrigir as provas muito rapidamente&#8221; graças à suposta eficiência do modelo. E tem toda a razão! Quando o sistema bloqueia e, pelo meio, ainda se convocam professores para classificar disciplinas que não lecionam, a rapidez é uma garantia — corrigir aquilo que não se sabe demora sempre uma fração do tempo. Não estamos perante um problema informático, mas sim perante um audaz <i>casting</i> de apanhados.</p>
<p>E não esqueçamos o inigualável requinte do conteúdo das provas. No exame de Português, a inovação foi tanta que um dos exercícios revelou ser o gémeo idêntico de um exercício de um manual de preparação editado muito antes da prova. Uma mera coincidência cósmica, decerto, digna de profunda análise literária. Já a Sociedade Portuguesa de Matemática veio a público avisar que o exame de Matemática A misturou programas e não garante uma seriação justa. Mero detalhe técnico! O que verdadeiramente importa é que o estudante português de 2026 está a ser superiormente preparado para a vida real adulta, onde os prazos derrapam, os servidores colapsam rotineiramente e as regras do jogo mudam a meio da partida.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>A consequência prática de todo este vertiginoso progresso foi, naturalmente, o adiamento da afixação das pautas para 17 de julho e da segunda fase para a reta final do mês. Quem precisa de estabilidade, de férias em família ou de saber se entra na faculdade atempadamente? A incerteza prolongada constrói o carácter de alunos e destrói o pouco que resta da sanidade de professores exaustos.</p>
<p>Em suma, a transição digital dos exames nacionais de 2026 é um inegável sucesso. Provou, sem qualquer margem para dúvidas, que a tecnologia de ponta ainda tem muito que suar para conseguir superar a nossa genuína, orgulhosa e sempre fiável ineficiência natural.</p>
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		<title>A Dança dos Pavões e o Naufrágio do Costume</title>
		<link>https://oportomosense.com/a-danca-dos-pavoes-e-o-naufragio-do-costume/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 06:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Pedrosa]]></category>
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					<description><![CDATA[Conta-se que os animais organizaram um concurso para gerir a floresta. O mocho propôs debater as reservas de água e o castor quis planear as barragens. Mas o pavão, abrindo um leque de penas exuberantes, limitou-se a dar piruetas e a cacarejar promessas abstratas. Deslumbrada com o aparato visual, a bicheza elegeu-o. Três meses depois, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Conta-se que os animais organizaram um concurso para gerir a floresta. O mocho propôs debater as reservas de água e o castor quis planear as barragens. Mas o pavão, abrindo um leque de penas exuberantes, limitou-se a dar piruetas e a cacarejar promessas abstratas. Deslumbrada com o aparato visual, a bicheza elegeu-o. Três meses depois, o rio secou e as cabanas ruíram, mas o espécime continuava a desfilar, garantindo que a culpa do desastre era do relevo do terreno.</p>
<p>Olhar para o atual xadrez partidário em Portugal é precisamente isto: fomos transformados numa plateia anestesiada que aplaude a performance e ignora a competência. A governação assemelha-se a um teatro de sombras onde a eficácia já não se mede pela melhoria das condições de vida, mas pelo número de visualizações num <i>clip</i> de trinta segundos filtrado para as redes sociais. Substituímos o planeamento estratégico pelo ilusionismo.</p>
<p>O exemplo mais gritante deste embuste é o novo pacote laboral que o Executivo se prepara para carimbar. Vendem-nos a reforma com termos bonitos como &#8220;flexibilidade&#8221; e &#8220;modernização&#8221;. Mas basta ler as entrelinhas para perceber o retrocesso grosseiro. Sob o pretexto de ajustar o país ao mercado, o governo assalta a árvore dos direitos que demoraram décadas a cultivar. Facilitam-se os despedimentos, precarizam-se os horários e esmaga-se a segurança de quem trabalha. É um roubo descarado de conquistas históricas, perpetrado por quem acha que a economia só cresce se o elo mais fraco for tratado como mercadoria descartável. Enquanto o pavão faz a sua roda na televisão, o trabalhador comum vê o seu descanso confiscado.</p>
<p>Quem detém as rédeas do poder parece flutuar numa redoma de propaganda, lavando as mãos como se o descalabro social fosse uma inevitabilidade. Do outro lado da bancada, o cenário consegue ser igualmente deprimente. A contestação ruidosa é alimentada por oportunistas sem espinha dorsal, justiceiros de vão de escada cujos bastidores partidários estão pejados de amiguismo e figuras prontas a saltar para o primeiro tacho que o sistema disponibilize. Prometem defender o povo, mas o seu único combustível é o tacticismo eleitoralista.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Perante tamanha palhaçada quotidiana, há momentos em que a única reação sanadora é mandar tudo para um sítio que eu cá sei, soltando um valente impropério para descomprimir a espinha. Passamos a vida a exigir seriedade, mas o ecossistema atual premeia a vigarice intelectual. Resta-nos o papel de zebras teimosas nesta savana de incompetência, continuando a lutar pelo que é nosso, mesmo quando os pavões nos tentam convencer de que este brutal retrocesso é um tremendo sucesso moderno.</p>
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		<title>O poio no palanque</title>
		<link>https://oportomosense.com/o-poio-no-palanque/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Apr 2026 06:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Pedrosa]]></category>
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					<description><![CDATA[Um poio é um poio! A natureza é mesmo assim, o que é é o que é.  Um ser vivo heterotrófico, por exemplo o ser humano, tem de consumir outros seres vivos para obter a sua matéria orgânica e a sua energia. Faz a digestão e elimina o que não absorveu. Dessa eliminação resulta o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um poio é um poio! A natureza é mesmo assim, o que é é o que é.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Um ser vivo heterotrófico, por exemplo o ser humano, tem de consumir outros seres vivos para obter a sua matéria orgânica e a sua energia. Faz a digestão e elimina o que não absorveu. Dessa eliminação resulta o poio. Pode então concluir-se que o poio é o dejeto, o que foi eliminado, após ação digestiva, e que, devido à presença de bactérias, vírus, parasitas e resíduos tóxicos, não deve ser reintroduzido no organismo. É altamente prejudicial se acontecer. O que se faz com o referido poio após a sua dejeção deve ser apenas puxar o autoclismo. Depois, será direcionado através dos canais destinados a esse fim para uma ETAR, onde será desmantelado de forma a devolver à natureza os elementos em configuração não tóxica. E é isto.</p>
<p>Não faz sentido chorar pela perda de um poio. Ele não tem na sua natureza um valor sentimental. Não será sã uma relação de qualquer tipo com um poio, nem esperar dele o que ele não pode oferecer: uma conversa fraternal, um ombro amigo, um companheiro de viagem, um conselho, uma ideia&#8230; Imaginemos: se cada poio usasse chantagem emocional, exigindo respeito, consideração e gritando a viva voz: “Vergonha! É isto que se faz? Mandar-me assim pela sanita abaixo sem o mínimo de consideração?”, e nós considerássemos o que diz, ia ser muito complicado de gerir o nosso dia a dia. Estaríamos cercados de poios que serviriam para mais nada que não fosse perturbar-nos com a sua presença, cheiro e toxicidade&#8230;</p>
<p>Imagine-se, agora, a sociedade como um organismo vivo: ela própria produz os seus poios, fruto do seu funcionamento. Para se manter viva e saudável, precisa de tratar desses poios, para que não contaminem. Colocá-los no sítio certo para que não a possam prejudicar com a sua toxicidade.</p>
<p>No sítio certo, os poios até podem ser úteis, uma vez que poderão ser fonte de nutrientes, depois de decompostos. Mas nunca se ponha um poio num palanque. Dar destaque a um poio é dar-lhe a oportunidade de disseminar doenças, de intoxicar tudo à sua volta, de colocar à vista de todos o que de pior se produz na sociedade, espalhar o mau cheiro e o mau aspeto. É dar-lhe oportunidade de ser sempre verdadeiro poio. Pôr um poio num palanque é retirar a oportunidade de lá ter outra coisa, mais saudável, mais útil e construtiva. Pôr um poio num palanque é, usando palavras bonitas, cagar em cima do que de tão belo e complexo tem vindo a ser construído ao longo dos tempos. Ver um poio num palanque ou no poste é desmoralizador, é doentio e é destrutivo.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Não nos deixemos enganar: Portugal tem neste momento um conjunto de 58 poios no palanque, de onde se destaca o Poio Supremo. Não se trata de disputa entre poios de esquerda e poios de direita: trata-se de 58 poios de extrema direita que, como poios que são, não acrescentam nada de positivo.</p>
<p>Não vamos acreditar que aquelas coisas podem mudar e contribuir, porque isso não vai acontecer. Podem mudar de imagem, de discurso ou de roupagem que, não tenhamos ilusões, serão sempre merda&#8230; perdão, caca&#8230; perdão outra vez: poios.</p>
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		<title>Mais cego é o que quer ver o que não está lá</title>
		<link>https://oportomosense.com/mais-cego-e-o-que-quer-ver-o-que-nao-esta-la/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 07:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
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					<description><![CDATA[Vivemos tempos estranhos. O panorama geopolítico está em absoluta mudança, com uma crise de valores que remetem aos mais sombrios tempos da humanidade. Políticos que pedem à população que não veja o que vê, porque os seus olhos não são suficientes. Manipulação descarada de notícias e criação de versões alternativas à realidade, à moda de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos tempos estranhos. O panorama geopolítico está em absoluta mudança, com uma crise de valores que remetem aos mais sombrios tempos da humanidade. Políticos que pedem à população que não veja o que vê, porque os seus olhos não são suficientes. Manipulação descarada de notícias e criação de versões alternativas à realidade, à moda de um bom filme de ficção científica.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Nesta fase da nossa história, em que tudo o que se passa é documentado, seria de esperar uma transparência sem precedentes, mas o que está a acontecer é precisamente o oposto: a inteligência artificial facilita a criação de imagens e vídeos de tal forma credíveis que, no fundo, passamos é a desconfiar de tudo. Se antes não havia como provar determinadas ações, hoje temos ferramentas para descredibilizar as fontes de prova que teríamos ao dispor. No cenário internacional mais mediático, entenda-se Estados Unidos da América, vemos acontecer o que parecia impossível: um pântano de lodo, com um completo idiota a desgovernar aquele que tem sido, até agora, um dos grandes motores da estabilidade bélica ocidental. Para o bem e para o mal, aquela força militar trazia segurança a grande parte do nosso lado do mundo. E agora, que caiu nas mãos de um criminoso condenado, de um egocêntrico maníaco com um comportamento digno dos maiores ditadores que conhecemos, vai tudo por água abaixo. A superficialidade da sua postura é de tal forma grotesca que consegue destruir a confiança internacional e a nacional ao mesmo tempo. E porque nos devemos preocupar com um país que está do outro lado do atlântico? Porque a sua economia abrange praticamente todos os países do planeta, incluindo a do nosso jardim à beira mar plantado. Mas não só: podemos antever o que aconteceria se o nosso projeto de mini ditador, cuja sede de poder mascarara com o “dever patriótico”, chegasse ao poder efetivo. Um político que, pior do que ter uma ideologia com a qual poderíamos discordar, não tem ideologia nenhuma. Tanto faz: se der votos, ele vai. Se deixar de dar votos, ele deixa de ir. Os outros partidos são assim? Talvez, mas ele diz que quer ser diferente. Também desconheço outro partido com ligação a grupos extremistas xenófobos, racistas e nazistas. Não consegue fazer no seu partido aquilo que se propõe fazer pelo país: livrar-se da “bandidagem”. Diz que o fará pelo país, mas não consegue desvincular-se da “bandidagem” que flui livremente pelos cargos que o malogrado sistema lhes permite ter. Sim, os tachos que o Chega oferece aos seus filiados depois de criticar toda a gente por quererem tachos. Não se consegue ver a incongruência? Parece que não, tendo em conta as mais recentes eleições.</p>
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		<title>Cartão Vermelho</title>
		<link>https://oportomosense.com/cartao-vermelho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 07:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Pedrosa]]></category>
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					<description><![CDATA[Não sou adepto de futebol. À medida que me fui apercebendo de que o futebol ao mais alto nível é mais um jogo de empresas do que de bola, com interesses financeiros bem acima do interesse desportivo, com jogos de bastidores mais ensaiados e treinados que os jogos no campo, com rasteiras e caneladas agressivas [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou adepto de futebol. À medida que me fui apercebendo de que o futebol ao mais alto nível é mais um jogo de empresas do que de bola, com interesses financeiros bem acima do interesse desportivo, com jogos de bastidores mais ensaiados e treinados que os jogos no campo, com rasteiras e caneladas agressivas e desonestas em salas de reunião, o meu interesse foi-se desvanecendo até desaparecer completamente.</p>
<p>Mas, como sempre, nem tudo é lixo. As regras do jogo de futebol que, embora manobráveis, ainda são maioritariamente cumpridas, podiam ser aplicadas a outras realidades fora do campo. Gosto, por exemplo, do conceito dos cartões.</p>
<p>É previsível que durante os 90 minutos de uma partida de futebol se vá cometer faltas. E é previsível também que algumas dessas faltas sejam leves e outras sejam mais graves. Destas, dependendo da agressividade, zona onde é efetuada, da reincidência, etc., poderão dar origem a que seja levantado o cartão amarelo e/ou o vermelho, ditando este último a expulsão do faltoso.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Não seria interessante usar o mesmo sistema nos debates políticos? Em vez de visar agressões ou incumprimentos de formalidades e regras, visava-se apenas uma coisa: as mentiras comprováveis.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Quando um candidato, numa qualquer eleição, dissesse uma mentira que facilmente se comprove que é mentira, ser-lhe-ia levantado um cartão. Se fosse uma coisa mais inofensiva e que não representasse grandes incongruências, via o cartão amarelo e era instado a não repetir essa atitude.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Se o voltasse a fazer, ou se a mentira fosse grave ao ponto de criar um impacto sério, veria o cartão vermelho e era expulso do jogo.</p>
<p>Eu acho que seria brutal. Vendo o que se passa nestes pseudodebates, com candidatos a mentir descaradamente, comprovadamente e sem consequências, fico frustrado*. O problema da mentira a este nível é que, se não for imediatamente desmascarada, ela vai ficar na nossa frágil memória e, a determinada altura, pode mesmo ficar retida como uma verdade.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Haja honestidade. Mas, se não houver, haja cartões! Se calhar, até se pode propor que se use mais que um amarelo antes do vermelho&#8230; sei lá, aí uns 10 ou vinte amarelos e só depois o vermelho&#8230; e, ainda assim, corre-se o risco de não haver debates por falta de concorrentes.</p>
<p><i>* Frustrado – palavra substituta de outra, iniciada também com a letra “F”.</i></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Política de (des)educação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 07:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Pedrosa]]></category>
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					<description><![CDATA[Não é só de agora que políticos se servem da Educação para alcançar os seus fins. É um triste e obsceno abuso de crianças e jovens, da sua preparação para o futuro, da deturpação da perceção da realidade e é até mesmo uma certa manipulação. Felizmente, estão cá os professores para equilibrar o barco e [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Não é só de agora que políticos se servem da Educação para alcançar os seus fins. É um triste e obsceno abuso de crianças e jovens, da sua preparação para o futuro, da deturpação da perceção da realidade e é até mesmo uma certa manipulação. Felizmente, estão cá os professores para equilibrar o barco e acrescentar uma colherada de bom senso naquilo que são, muitas vezes, políticas de educação absolutamente desastrosas. E é apenas isso que podemos fazer, dado que não temos voto na matéria quando são definidas as ditas regras.<span class="Apple-converted-space">  </span>O que acontece de diferente hoje em relação à perceção da influência da política no rumo da Educação é que as pessoas têm um acesso muito maior à informação e, para o bem ou para o mal, mais meios para<span class="Apple-converted-space">  </span>expressar e fazer ouvir as suas opiniões.<span class="Apple-converted-space">  </span>Com isto esclarecido, devo dizer que fiquei estarrecido com o tema “quente” da atualidade na Educação: a exclusão do tema “sexualidade” do programa da<span class="Apple-converted-space">  </span>disciplina de <i>Cidadania e Desenvolvimento</i>. E fiquei estarrecido por duas razões: em primeiro lugar, e apenas por uma questão de princípio, a cedência do governo perante a pressão de partidos de atrasados (no tempo e na mentalidade) que, com ideologias ditatoriais e puritanas (aplicadas aos outros, porque a eles próprios&#8230;), continuam a achar que o tema da sexualidade e da educação sexual devem ser assunto tabu. Continua-se a pensar que se pode estudar e analisar a constituição do sistema digestivo sem qualquer objeção, mas a do sistema reprodutor já não, como se este não pertencesse ao organismo de cada um, mas sim a um organismo moral coletivo que pode ditar os critérios de utilização; e depois, por se achar que retirar o tema da sexualidade da disciplina de cidadania é acabar com a educação sexual ou o tema da sexualidade. Não é! O tema é abordado em várias disciplinas ao longo dos quatro ciclos de escolaridade, com especial destaque na disciplina de Ciências Naturais. Não se pode ensinar o funcionamento do sistema reprodutor sem falar em sexualidade. Não consigo explicar o que é e como funciona um pénis sem dizer para o que serve, não é? Achar que, por se retirar o tema de uma disciplina em particular, ele sai do currículo, é de quem não sabe o que passa nas escolas.</p>
<p>Esta pequena desarmonia é apenas uma insignificância numa divergência, de longa data, entre fazer-se da Educação uma poderosa ferramenta para a formação de seres maiores, auto conscientes, empáticos, percetivos e críticos ou um utensílio para criar manadas de seres apáticos, encarneirados, “bem-mandados” e amorfos.</p>
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		<item>
		<title>A Realidade é uma Porca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Jun 2025 07:00:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Falava um crente com outro crente. Cada um tinha fé no seu Deus, ambos convencidos que de pleno coração. O Zé dizia que o seu Deus proibia que andasse de determinada maneira, que vestisse determinadas roupas, que comesse determinadas comidas, que dissesse determinadas palavras, que não desafiasse determinadas pessoas, que pensasse determinados pensamentos. O Manel [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Falava um crente com outro crente. Cada um tinha fé no seu Deus, ambos convencidos que de pleno coração. O Zé dizia que o seu Deus proibia que andasse de determinada maneira, que vestisse determinadas roupas, que comesse determinadas comidas, que dissesse determinadas palavras, que não desafiasse determinadas pessoas, que pensasse determinados pensamentos.</p>
<p>O Manel dizia que o seu Deus aconselhava que não andasse em determinados locais, que não comesse determinadas comidas, que não tocasse em determinadas coisas, que não desafiasse determinados animais, que não mergulhasse em determinadas águas, que não respirasse determinados ares.</p>
<p>O Zé disse que temia o seu Deus e o Manel que respeitava o seu.<br />
&#8211; Eu não desobedeço ao meu Deus! Ele ditou as suas leis há muitos anos e eu cumpro-as porque não quero ir para o inferno. Tento convencer os outros a fazerem o mesmo que eu, para os salvar da condenação eterna – disse o Zé.<br />
&#8211; Eu não faço nada daquilo que o meu Deus me mostrou que não devo fazer. As leis dele estão presentes no dia-a-dia e se não as cumpro, vou passar muito mal ou até mesmo morrer. Aviso os outros destas leis, para que não morram nem passem mal – replicou o Manel.<br />
O Zé prosseguiu:<br />
&#8211; Se vejo alguém que não cumpre as leis do meu Deus, chamo à atenção e castigo-o. Ao que o Manel responde:<br />
&#8211; Se vejo alguém que não cumpre as leis do meu Deus, não preciso de dizer nada. O meu deus trata de lhe mostrar que errou. O meu Deus não precisa de mim para se manifestar. O teu é um bocado fraquinho, não?<br />
&#8211; Ele manifesta-se através de mim. Se, por exemplo, alguém falta ao culto, anda com um abonado decote, pensa sequer em pecar, é punido pela nossa forte comunidade. É o que está escrito no nosso livro das leis: as leis de Deus – diz o Zé. O Manel, por sua vez diz:<br />
&#8211; Sim? Então é porque não tem capacidade de fazer as coisas ele mesmo. O meu manifesta-se por si próprio. Se, por exemplo, alguém decide que deve tentar voar de um décimo andar e achar que consegue manter-se no ar, acaba por cair. Eu não tenho nada que o castigar. Não sou eu, um peão, quem tem de assumir o papel do meu Deus. É o que está escrito no nosso livro das leis: as leis da física.</p>
<p>A grande diferença entre a crença e a realidade é simples: a crença pode ser falsa, mas a realidade não. A crença pode suavizar, mas a realidade não. A crença pode camuflar-se de realidade, mas nem sempre o é. Quando muitas pessoas creem na mesma coisa, tornam essa coisa numa pseudorrealidade. Cria-se uma ilusão coletiva de que o que parece ser é-o de facto. E vive-se nessa ilusão, por vezes, durante décadas. Mas a realidade tem uma característica: é imutável. Não há como evitá-la.</p>
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		<item>
		<title>Educação Perversa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Apr 2025 08:00:28 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
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					<description><![CDATA[Quem acha que uma escola privada tem como a sua principal prioridade o sucesso dos seus alunos, desengane-se. Quem é dono de uma escola privada tem, na verdade, uma empresa. E quem tem uma empresa procura, obviamente, o lucro. E há alguma mal nisso? A meu ver, não. Até porque, se o objetivo é o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acha que uma escola privada tem como a sua principal prioridade o sucesso dos seus alunos, desengane-se. Quem é dono de uma escola privada tem, na verdade, uma empresa. E quem tem uma empresa procura, obviamente, o lucro. E há alguma mal nisso? A meu ver, não. Até porque, se o objetivo é o lucro, é preciso ter clientes. E para ter mais lucro, é preciso ter mais clientes. E para ter mais clientes, é preciso oferecer um produto com alguma qualidade, ou então ter uma boa publicidade “enganosa”&#8230; Acredito que a maioria destas escolas oferece efetivamente um produto de qualidade (entenda-se, ensino). E, por isto, o sucesso dos alunos passa também a ser importante.</p>
<p>Estas escolas-empresa navegam em dois mares distintos: a educação e as finanças. Faz parte do seu conceito. Um privado não tem obrigação de zelar pela instrução de uma população. Um privado pode auxiliar na instrução de uma população sim, mas em troca de lucro, claro. Mais uma vez: nada de errado aqui.</p>
<p>O que está errado, e isso sim, é colocar no mesmo patamar instituições cuja única finalidade deveria ser a educação. Uma escola pública deve ter, sem nenhuma margem de dúvida, essa finalidade! Exclusivamente essa finalidade! Foi para isso que foi pensada e edificada. A Educação é um negócio para os privados, mas não o pode ser para o ensino público.</p>
<p>É uma enorme PERVERSÃO financiar uma escola pública com base em critérios que fomentem o mercantilismo. Escolas públicas a lutar por mais alunos para terem maior financiamento e poderem desenvolver os seus projetos é perverso. Escolas públicas que abafam casos de indisciplina (por vezes graves) para manterem uma boa imagem e, assim, não perderem alunos, é perverso. Deixe-se o negócio para os negociantes. As escolas públicas têm de gerir os seus orçamentos, mas não assim. Há escolas com níveis altíssimos de indisciplina e com péssimos resultados académicos mas que são excelentes. Fazem um trabalho diferente, e deveria ser valorizado. Cada escola tem uma realidade particular, e isso é que devia contar. Comparar resultados em rankings generalistas e míopes não é só perverso, é ESTÚPIDO!</p>
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		<title>Discutir com o burro: sim ou não?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 08:00:10 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Há uma história muito engraçada que serve para alegar que discutir com um burro não serve para nada. Diz assim:  “A zebra e o burro estavam numa acesa discussão no meio da savana. A algazarra era tal, que os restantes animais decidiram chamar o rei leão para que este resolvesse o assunto. Perante a inquirição [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma história muito engraçada que serve para alegar que discutir com um burro não serve para nada. Diz assim:</p>
<p><span class="Apple-converted-space"> </span>“A zebra e o burro estavam numa acesa discussão no meio da savana. A algazarra era tal, que os restantes animais decidiram chamar o rei leão para que este resolvesse o assunto. Perante a inquirição do rei, a zebra explicou que estava a dizer ao burro que a erva era verde e o burro, por sua vez, insistia que a erva era, obviamente, azul. A discussão recomeça e quase chega a haver pancadaria. O rei ordena que parem e diz:<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>&#8211; Burro, tens toda a razão! A erva é de facto azul! Zebra, condeno-te a 1 mês de trabalhos forçados!<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>O burro, com um sorriso de orelha a orelha, vai-se embora feliz e contente. Mas a zebra, indignada com a condenação, pergunta ao leão:</p>
<p>&#8211; Mas porquê? O meu rei sabe perfeitamente que a erva é verde! Porque me condenou a mim e não ao burro, que estava completamente errado?</p>
<p>&#8211; Sabes zebra – disse o rei – achar que a erva é azul não traz nada de mal, mas perderes a tua paciência e o teu tempo a discutir com um burro merece castigo.”</p>
<p>Podemos concordar com a decisão do rei, porque de facto há burros que não vão mudar, certo? Conheço alguns. São capazes de não ver o que está mesmo à sua frente porque não abona a favor das suas convicções. Burros para quem a realidade é menor que a ficção. Burros que dizem que o chocolate que está a comer é bem docinho, apesar de lhe terem dado uma tablete de merda. É deixá-los comer, certo?<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Pois e se o burro, com a sua opinião reforçada com a concordância do rei, faz disso notícia? E se esse burro começa a espalhar a notícia de que até o rei sabe que a erva é azul? Depois, haverá outros um pouco menos burros, que mesmo achando que a erva seria verde, afinal era azul, porque até o rei o dizia. Esse grupo de menos burros que aceita o azul da erva começa a fazer número, e com isso outros burros ainda menos burros dizem: “bem, se há tanta gente a dizer que a erva é azul, deve ter um fundo de verdade, não é?” E passam também eles a dizer que “a erva parece verde, mas não me choca que possa ser azul”. Por esta altura, já metade da população está convencida de que a erva é azul, e um terço acha que, pelo sim pelo não, mais vale ter as duas hipóteses em aberto.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Por isto pergunto:<span class="Apple-converted-space"> </span>deve-se discutir com o burro<span class="Apple-converted-space"> </span>ou não?</p>
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		<title>Um passo para a frente e cinco para trás</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marco Pedrosa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2025 08:00:15 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Espaço Público]]></category>
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					<description><![CDATA[Em 1488, o navegador Bartolomeu Dias transpôs o Cabo das Tormentas, segundo o próprio, ou o cabo da Boa Esperança, segundo o Rei D. João II de Portugal. Todos sabemos isso hoje, a menos que não se estivesse atento nas aulas de história ou houver preguiça de fazer uma simples pesquisa na internet. Hoje, muitos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1488, o navegador Bartolomeu Dias transpôs o Cabo das Tormentas, segundo o próprio, ou o cabo da Boa Esperança, segundo o Rei D. João II de Portugal. Todos sabemos isso hoje, a menos que não se estivesse atento nas aulas de história ou houver preguiça de fazer uma simples pesquisa na internet. Hoje, muitos séculos depois, sabemos, mas pergunto-me quanto tempo demorou esta notícia a chegar aos camponeses contemporâneos de Bartolomeu Dias, no norte de Portugal? Souberam uma semana depois? Um mês? Um ano? Chegaram a saber?</p>
<p>Não é muito difícil imaginar que tal notícia dificilmente chegasse até eles, uma vez que os meios de comunicação nessa altura não seriam os melhores. A informação era transmitida quase exclusivamente de uma forma verbal, num verdadeiro passa a palavra. Não será pois de estranhar que no cais do Tejo se soubesse que, ao transpor o Cabo, o navegador tivera dificuldades em vencer as correntes marítimas, mas quando chegasse a notícia a Coimbra a dificuldade fora vencer umas sereias com cornos até às barbatanas, e quando chegasse ao Porto se dissesse que a dificuldade fora vencer um dragão que “mijava” ouro e que só vestia casacos de penas de andorinha azul. Na verdade, para a maioria das pessoas nessa altura, compreender o que raio seria um cabo era já tarefa difícil.</p>
<p>Não havia, nesses tempos, forma de passar a informação de forma rápida e fidedigna. Felizmente isso mudou. A informação passou a ser universal e acessível, graças a várias invenções que não vou especificar porque isto não é uma lição de história!<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Seria impossível voltar atrás: com todos os meios de comunicação de que dispomos hoje em dia, não seria possível voltar a haver uma população de um país inteiro, ou até mesmo de todo o mundo, às escuras, sem informação, sem conhecimento, à nora.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p>Ou será que se consegue regredir? E se em vez de nenhuma notícia, houvesse muitas, todas a contradizerem-se mutuamente? E se, qual Pedro e o lobo, se mentisse em tantas notícias, que já não se consegue acreditar em nenhuma? E se se conseguisse, através de algoritmos viciados, direcionar uma versão de um acontecimento de acordo com as convicções de quem as recebe? E se os factos deixassem de importar e tivéssemos ao dispor textos que se<span class="Apple-converted-space"> </span>apresentam como verdadeiros, mas não são? Que parvoíce. As pessoas são inteligentes o suficiente para não permitir que isso aconteça.</p>
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