Foto: CMPM

Entre os dias 10 de janeiro e 8 de fevereiro, houve teatro em Porto de Mós, foi o Festival de Teatro Teatremos, em 15.ª edição. Este ano só com os nove grupos amadores do concelho, o que deu para em todas as sessões encher o Cine-Teatro.

Foram nove os serões, no mês de janeiro. Realizaram-se às sextas-feiras e aos sábados e, no mês de fevereiro, em dois sábados, em que os grupos de teatro apresentaram peças e diferentes, tal como os grupos eram diferentes.

Contactados os grupos participantes, todos foram unânimes no balanço positivo, no entanto indicam que houve coisas que correram menos bem, como foi o caso da venda ou distribuição de bilhetes. Enquanto uns grupos entendem que o festival Teatremos deve ter sessões gratuitas, outros defendem o pagamento de bilhetes, pois «a cultura deve ser paga», isto para que não aconteçam casos como houve. Relativamente a este assunto, todos os participantes acham que a gestão da bilheteira deve ser da organização que distribuirá a receita pelos grupos respetivos. Atendendo a que a procura de entradas para o Teatremos deste a ano foi grande, sugerem que se façam mais sessões extra festival ou a rotação com o Teatro de Rua.

Na primeira sessão, que teve lugar no dia 10 de janeiro, o Trupêgo – Grupo de Teatro de Porto de Mós, apresentou a peça É nesse dia que começa o Outono, sendo que na sessão seguinte, no dia 11, foi a vez de Um Par de Cinco – Grupo de Teatro de Mira de Aire, representar a peça Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades. No dia 17, foi apresentada a peça A fuga da Ti Jaquina!, pelo Teatroleiros – Grupo de Teatro do CCR D. Fuas, da Fonte do Oleiro, e no dia seguinte foi a vez do Teatr’Ambu – Grupo de Teatro de São Jorge, representar a peça Femi quê?.

O Teatro Olaré de Serro Ventoso, apresentou no dia 24, a peça intitulada Ricardo III e, no dia 25, a peça Uma mistura desordenada foi apresentada pelo Mendigal – Grupo de Teatro de Mendiga e Arrimal. O mês de janeiro encerrou no dia 31, com o Juncateatro – Teatro Regional do Juncal, a representar Falar verdade a mentir, e no dia 1 de fevereiro, o Núcleo de Teatro do Instituto Educativo do Juncal apresentou a peça Aqui há fantasmas.

O 15.º Festival de Teatro Teatremos encerrou no dia 8, com a peça A Tempestade, interpretada por Os Miúdos da Serra – Grupo de Teatro do Alqueidão da Serra.
Segundo uma nota do Município de Porto de Mós, entidade organizadora do festival, «registaram-se mais de 2300 entradas, com público não só do concelho mas de Leiria, Marinha Grande, Alcobaça, Fátima e Batalha», o que demonstra o interesse regional pelo teatro.

De acordo com o documento, o teatro assume assim, «um papel cada vez mais relevante no panorama cultural portomosense e na dinâmica associativa, dando nova vida a várias coletividades».
Ainda este ano, em princípio no próximo mês de julho, haverá mais sessões de teatro, desta vez na praça da República, com o festival Teatro de Rua, onde haverá mais peças em cena e mais estreias.

Trupêgo – Porto de Mós

“É importante, pois sempre participámos no Teatremos e temos sido os grandes defensores do festival em que inicialmente eram só quatro os grupos, que foram desistindo e se teve que recorrer a grupos exteriores ao concelho, embora a assistência tenha sido escassa.
Os grupos entenderam que o teatro de rua era mais importante, porque havia um encenador e, também, mais público.
Não consideramos bem ter havido um grupo que esgotou a sala antes da sessão. Entendemos que todas as sessões devem ser pagas, com a organização a gerir a bilheteira e ceder a receita aos grupos participantes.”

Um par de cinco – Mira de Aire

“Achámos importante a nossa participação no Teatremos, pois deu-nos oportunidade de sermos vistos por outro público e percebemos que somos bem aceites também pelas pessoas de fora.
O que não esteve bem foi a publicidade que se fez, porque continha erros. Havia fotos, títulos, dias ou sinopses trocados e podia ter sido prejudicial para os grupos e confuso para o público.
A informação do estado da venda de bilhetes devia ser feita, para evitar que as pessoas se deslocassem e não pudessem assistir devido à lotação da sala. Também não foi cumprido o acordado em reunião, sobre a venda de bilhetes.”

Teatroleiros – Fonte do Oleiro

“Participar no Teatremos foi mais um objetivo alcançado, tanto para o grupo como para as nossas gentes, porque apesar de não termos a perceção da dimensão das sessões, avançámos com a participação neste festival de teatro, que teve bastante importância nas nossas vidas.
Como em todos os projetos há coisas mais positivas e outras menos e neste pensamos que houve alguma falta de informação, porque uns saíram a pagar e outros não, entendendo nós que a base deveria ser com entradas pagas para todos. Esta será uma situação a rever e achamos que no próximo festival Teatremos, todas as sessões deverão ter entradas pagas.”

Teatr’Ambu – São Jorge

“Achamos que a participação do Teatr’Ambu, neste evento do Município, foi muito importante, porque foi mais uma oportunidade para mostrar à comunidade mais um tema atual, sendo um êxito. 
Alterada a data do festival, pensamos que ainda não estará bem ajustada no calendário, no que respeita aos grupos, pelo facto do período que antecede o evento ser de festas, o que não ajuda nos ensaios.
Pensamos que o festival deve ter entradas gratuitas, podendo haver uma caixa de donativos. Achamos ainda que, devido ao aumento de grupos e eventos, seria interessante desmembrar eventos e dividir os grupos pelos mesmos.”

Teatro Olaré – Serro Ventoso

“O Olaré já participou noutros anos no Teatremos, por ser um festival diferente.
Não concordando com a cobrança na bilheteira e, uma vez que isso era facultativo, participámos, porque fazemos teatro em voluntariado. Entendemos que a haver bilheteira deveria ser a organização e não os grupos a gerir esse serviço. Além disso, também temos de considerar a lotação da sala, porque houve grupos que tiveram muita gente e a outros não foi permitido.
Como o teatro acordou em Porto de Mós, entendemos que se devia atribuir um fim de semana a cada grupo (duas sessões) ou então rodando com outro festival de teatro.”

Mendigal – Mendiga e Arrimal

“Como o grupo é recente, a participação neste festival de teatro foi importante, uma boa experiência para nós, porque não tivemos paragem e participámos num evento concelhio.
A realização do Teatremos no Cineteatro é bom porque é mais confortável para quem assiste e até para nós, grupos, no entanto estamos limitados pela lotação da sala e houve grupos prejudicados, porque tiveram menos público que outros. Também entendemos que o festival deveria ser gratuito para todos os grupos.
Para futuro, entendemos que se deveria arranjar outro local com maior lotação, ou então permitir mais que um espetáculo.”

Juncateatro – Juncal

“Como grupo, entendemos que a participação no Teatremos foi importante, porque a presença de mais público é muito boa e a iniciativa é de louvar.
Apesar de considerarmos o balanço positivo, gostaríamos que todos tivessem cumprido com o que foi combinado na reunião preparatória, que era o de haver cobrança de bilheteira e depois alguns cobraram e outros não.
Para este festival não houve quaisquer apoios por parte do Município, por isso entendemos que as entradas deveriam ser pagas ou então haver outro apoio, uma vez que se prima pela qualidade de representação.”

Núcleo de Teatro Instituto Educativo do Juncal – Juncal

“A participação é importante por dar mais visibilidade à escola, sendo também uma forma de a promover, proporcionando aos alunos outras vivências e experiências como o contacto com um palco verdadeiro e com uma sala com público a assistir.
Contestamos a data que, para os restantes grupos pode ser muito boa, mas para nós não é, porque se trata de um grupo escolar com várias condicionantes.
Entendemos que este festival deverá ter entradas gratuitas e a gestão de bilhetes, a existir, deve ser feita pela organização. Por outro lado e como houve muito público em todo o evento, deveriam fazer mais sessões.”

Os Miúdos da Serra – Alqueidão da Serra

“Consideramos a participação muito importante, porque deu oportunidade de mais uma vez mostrar à comunidade local e do concelho todo o trabalho desenvolvido na questão do teatro, que tem evoluído bastante.
Como negativo apontamos o caso da bilheteira que foi um pouco atribulada. Quanto a haver bilheteira achamos que deve ser a organização a geri-la. No caso de se propor o pagamento de entradas, o assunto deve ser analisado, caso a caso.
No fundo e tendo em conta que em todas as sessões houve casa cheia, achamos que no futuro se devem fazer mais sessões. O balanço foi bastante positivo.”