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Thaís Leal: num ano foi dos 1 443 aos 100 mil seguidores no Instagram

27 Fevereiro 2023
Jéssica Moás de Sá

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Jéssica Moás de Sá

27 Fev, 2023

Há um ano e quatro meses a viver em Porto de Mós, Thaís Leal estava longe de imaginar, quando decidiu emigrar para Portugal, que a partilha da sua vida por cá, se poderia materializar em mais de 100 mil seguidores no Instagram. Desde que decidiu que Portugal passaria a ser a sua casa, Porto de Mós era a morada que queria «pela paz, segurança e tranquilidade». O facto de já ter família a viver no concelho desde 2018 – um tio do marido – foi também um incentivo. «Tudo o que sabia sobre Portugal veio a comprovar-se, a qualidade de vida aqui é incomparável, a segurança, o poder de compra, sobretudo no que diz respeito a criar os nossos filhos», explica Thaís Leal que é mãe de três rapazes, de 6, 4 e 2 anos. Porto de Mós também não desiludiu: «Procurávamos um local mais pacato, sem ser nos grandes centros urbanos, um lugar com paz e correspondeu 100% às nossas expectativas, tudo o que precisamos de resolver há aqui, conseguimos ir a pé fazer as coisas, ainda para mais eu não tenho carta de condução», frisa.

Thaís Leal era técnica de enfermagem no Brasil, profissão para a qual não existe correspondência direta em Portugal, ainda assim, encontrou emprego na mesma área. «Sou auxiliar de Saúde numa unidade de cuidados continuados, há um ano e dois meses, e gosto do que faço, no fundo já era o que fazia no Brasil, embora lá o técnico de enfermagem tenha mais atribuições, faz coisas que o enfermeiro faz aqui», explica. Thaís Leal trabalha sobretudo com idosos, algo a que também já estava habituada. «Desde os meus 17 anos, em que me formei, que sempre trabalhei com idosos, por isso é muito tranquilo para mim», sublinha.

É precisamente a sua rotina no trabalho, o dia-a-dia com os filhos e o marido, as questões práticas sobre viver em Portugal, que “alimentam” o Instagram de Thaís Leal, com uma missão bem clara: ajudar brasileiros que queiram vir para Portugal a adquirir o máximo de conhecimento sobre o país. «Eu via muitas pessoas a fazer conteúdo sobre Portugal, mas sempre achei que não tinha jeito, embora tivesse brasileiros que me acompanhavam do Brasil. Quando comecei tinha 1 443 seguidores», recorda. Depois, «de uma forma muito natural», quis começar a mostrar às pessoas a sua realidade: «Como é o meu dia-a-dia, como se trata da documentação, como são os preços e o poder de compra aqui», esclarece. Era um processo tão orgânico que Thaís Leal até admite que «entendia pouco de Instagram e de estratégias para fazer crescer» a sua página, ainda assim, ela cresceu «sem que esperasse». Uma dos aspetos que a produtora de conteúdos refere é que, apesar de ser sempre verdadeira no que comunica, cada pessoa poderá ter uma perceção diferente. «Deixo claro que esta é a minha experiência, o que estou a viver, cada um tem uma experiência diferente, não dá para generalizarmos que a Saúde em Portugal é maravilhosa ou ruim, para mim é boa, mas há quem tenha outra experiência», salienta. «Não posso dizer a ninguém “vem que vai dar certo”, mostro que para dar certo tem que se ser determinado, cada um vai fazer a sua própria história», afirma ainda.

A produtora de conteúdos também é agente de viagens

Cerca de 80% dos seus seguidores de Instagram são brasileiros «que estão em planeamento para vir para Portugal» e percebendo isso, uma agência de viagens convidou-a para fazer parte da equipa. «A minha função é vender as passagens e tirar dúvidas, como por exemplo que malas podem trazer, o que podem ou não trazer no voo», clarifica. Thaís Leal não «ajuda com o arrendamento de casas, documentação» ou outras questões práticas, no entanto, o seu trabalho digital tem permitido criar parcerias com empresas/marcas que recomenda a muitos brasileiros. «Este trabalho é uma forma de ganhar um dinheiro extra, com três filhos é importante, e ao mesmo tempo estou a dar suporte a pessoas com muitas dúvidas, eu já passei por isto, sei exatamente o que passa na cabeça de uma pessoa que está a planear emigrar», refere. Apesar de o Instagram não pagar diretamente pelos seguidores «ao contrário do que muitas pessoas pensam», a verdade é que através de publicidade e parcerias que Thaís Leal faz, consegue ter algum rendimento.

Os seus grandes incentivos são o marido e os filhos: «O meu marido é quem mais me incentiva, quando comecei a fazer os vídeos achava sempre que não estavam bons, mas ele dizia sempre que estava perfeito. É o meu braço direito em tudo, ajuda-me com as crianças, com a casa e os meus filhos adoram aparecer nos vídeos», frisa. Thaís Leal trabalha em horário noturno e o seu marido trabalha também por turnos, o que obriga a uma logística onde a “parceria” com o marido é «fundamental».

“Não pretendo voltar para o Brasil”

«Muitas pessoas vêm para cá para conquistar alguns objetivos e depois querem voltar para o Brasil e nós não, desprendemo-nos de tudo e viemos com a mente de vir sem voltar», garante Thaís Leal. «Queremos criar os nossos filhos, que eles estudem cá, vão para a universidade, trabalhamos aqui, fazermos a nossa vida aqui», reitera. Quem ouvir hoje a produtora de conteúdos, dificilmente acredita que houve um tempo em que não queria, de todo, vir para Portugal: «Tinha muito medo, quando estás sozinho adaptas-te, trabalhas em qualquer área e lugar, mas quando se tem filhos é diferente, tem que haver um planeamento financeiro». Ao «contrário do que algumas pessoas pensam» dos emigrantes, Thaís Leal não veio «por ser pobre ou não ter nada». «Trabalhávamos muito, tínhamos tudo o que precisávamos dentro de casa e abdicámos disso pela segurança, pelo ensino, para criar os nossos filhos», volta a salientar.

Fotos | Jéssica Moás de Sá

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