É no Alqueidão da Serra que está um dos melhores bateristas do mundo. O seu nome é Tiago Joaninho, tem 20 anos, e foi um dos quatro vencedores do concurso internacional de bateristas Drum-Off Global em que estiveram representados 197 países. Quem ditou a sua vitória foram os jurados da competição, seis bateristas de renome mundial e professores de academias internacionais, na final que decorreu por videoconferência através da plataforma Zoom, no passado dia 15 de janeiro.

A aventura de participar no concurso, recorda o jovem, começou em novembro quando através das redes sociais reparou no anúncio da realização do evento e decidiu concorrer. «Fiz o solo de bateria com a duração de quatro minutos e inscrevi-me», recorda. Os 197 bateristas que inicialmente participaram na competição, ficaram reduzidos a menos de metade após a primeira eliminatória, mas Tiago Joaninho foi um dos selecionados para marcar presença na final. «Eu estava a concorrer com 37 bateristas, de 37 países diferentes», conta. O jovem estava longe de imaginar que, a 15 de janeiro, três dias antes de festejar o seu 20.º aniversário iria ser considerado um dos quatro melhores bateristas do mundo. «Quando disseram que era o vencedor fiquei mesmo bué contente. Não estava à espera, porque concorreram bateristas muito bons e é sempre difícil», frisa. Agora, o alqueidanense, que se considera um «músico freelancer», confessa o desejo de que o feito conseguido lhe possa «abrir muitas portas» no futuro. «Gostava de ir para o estrangeiro, conseguir fazer lá carreira e também ser dinamizador de vários projetos», ambiciona.

Por ter sido um dos vencedores do Drum-Off Global, Tiago Joaninho ganhou um troféu e uma ida ao Canadá para conhecer o Drumeo, o maior canal de Youtube de bateria. Apesar de reconhecer o valor do prémio recebido, o jovem admite que lhe «bastavam os comentários» que obteve da parte do júri. Tomas Haake, Jost Nickel, Shawn Kok, Kaz Rodriguez, Echa Soemantri e Sarah Thawer: são estes os nomes dos profissionais, provavelmente desconhecidos para o público geral mas, por quem o jovem detém uma grande «admiração». «São bateristas mundialmente conhecidos, admirados, prestigiados e que avaliaram cada um dos solos que foram selecionados para a final», afirma.

O concurso Drum-Off Global está dividido em quatro categorias: Super Júnior, para crianças até aos 7 anos; Júnior que se destina a crianças dos 8 aos 12 anos; Intermédia direcionada para jovens dos 12 aos 18 anos e a Open, na qual participou e ganhou o jovem e que é dirigida a pessoas a partir dos 19 anos, não havendo limite de idade.

Um passatempo que se transformou num projeto de vida

Por esta altura deve estar a pensar que o nome de Tiago Joaninho lhe é familiar e é bastante natural que tenha essa sensação. Apesar dos seus 20 anos, o jovem alqueidanense já conta com mais de uma década de afinco ao mundo artístico. «A minha vida sempre foi um pouco à volta da bateria», admite. Tinha 9 anos quando trocou os «tachos e panelas da avó» pela baqueta, tambores e pratos, altura em que, recorda, os pais decidiram que era «melhor» ter aulas de bateria. Mas admite que aquilo que começou por ser um passatempo e também um refúgio rapidamente evoluiu para algo mais sério. «No início era um passatempo, mas depois decidi que era aquilo que queria fazer para a minha vida», garante. Foi também com 9 anos que integrou pela primeira vez um projeto musical: «O meu irmão que é cinco anos mais velho, já tocava guitarra e tinha um amigo baixista, só que faltava um baterista para formar um projeto». Esse cargo foi ocupado por si e assim nasceram os Feedback, uma banda entretanto extinta.

Em 2011, os três jovens decidiram participar no Portugal Tem Talento, um programa transmitido pela SIC e onde conseguiram arrecadar um lugar na final. A partir daí, garante, a banda ganhou outra projeção. «Começámos a ter concertos por Portugal inteiro, andámos a divulgar a banda durante três a quatro anos e gravámos um disco», recorda. Apesar da tenra idade, a exposição mediática fez com que Tiago Joaninho passasse a ser conhecido. «Eu era muito miúdo, mas lembro-me que olhavam para mim como o “puto da bateria”, basicamente», refere.

A paixão pelo mundo artístico havia de acompanhar a vida do jovem alqueidanense que no 10.º ano decidiu ir tirar o curso profissional de Instrumentista de Jazz para o Conservatório de Música da Jobra, em Albergaria-a-Velha. Atualmente, está no 2.º ano da licenciatura em Música, variante de Jazz na Escola Superior de Música de Lisboa, uma tarefa que vai conciliando com a produção de um projeto de originais que, esclarece, ainda está num «processo embrionário».