No dia 26 de setembro, cerca de 20 tocadores de concertina vão «dar vida» e levar música a todo o concelho, no âmbito do Encontro Nacional de Tocadores de Concertina da Barrenta que este ano, em consequência da pandemia, vai decorrer em moldes muito diferentes do habitual. Durante 10 horas, os elementos do Grupo de Concertinas da Barrenta, irão percorrer, em cima de dois camiões panorâmicos, um total de 105 quilómetros. «Será um chegar da nossa concertina a todas as freguesias. Vamos fazer deslocar o grupo entre os diversos locais, definidos com os presidente de Junta, onde faremos uma atuação, dentro dos limites aceitáveis, para a população que queira estar em contacto connosco e ter um dia diferente», refere Ricardo Pereira, presidente do Centro Cultural da Barrenta, a entidade organizadora do evento.

O Encontro Nacional de Tocadores de Concertina nasceu na Barrenta há 19 anos e desde então, recebe, anualmente, no final de setembro, centenas de tocadores de concertina oriundos de todo o país.

A pandemia obrigou a readaptações drásticas na edição deste ano, mas Ricardo Pereira garante que o cancelamento nunca esteve em cima da mesa: «Numa altura em que o mais fácil é desistir, tivemos a “coragem” de conseguir levar este projeto para a frente. É uma forma de dar esperança e alento, também. Não queríamos deixar de dar alegria a todas as pessoas que sempre estiveram connosco e o que tentámos foi chegar a todos, não deixando morrer nem esquecer esta data, assim como o evento em si», acrescenta.

A adaptação à conjuntura atual poderá, ainda, ter o mérito de fazer chegar o Encontro a pessoas que, pelos mais diversos motivos, nunca conseguiram marcar presença antes, e que assim terão uma «pequena amostra do que seria o evento», admite.

Paralelamente às atuações em formato “volante”, irá decorrer a partir das 17 horas, o Barrenta ComVida, um encontro online onde grupos de norte a sul do país, que normalmente marcam presença no evento, vão tocar a partir de suas casas para o público em geral. «Como é a primeira vez, tem sido um esforço imenso para que nada falhe. Espero que tenha uma grande projeção até porque envolver vários grupos de todos os pontos do país no mesmo projeto à distância é algo inédito em Portugal», afirma o presidente.

Na altura em que O Portomosense conversou com Ricardo Pereira, já havia mais de 30 respostas positivas ao desafio lançado. Um entusiasmo que, na sua perspetiva, pode ser justificado com o tempo em que os tocadores estiveram sem conviver devido à pandemia. «Na realidade, muitos grupos nunca mais se tinham encontrado até nós lançarmos o desafio», garante. As memórias que detêm da pequena aldeia e o respeito pelo evento são outras das razões que, na ótica de Ricardo Pereira, podem estar na origem de tamanha adesão. «Acho que eles disseram que sim por tudo aquilo que sempre viveram na Barrenta, pelo carinho que levaram e pelo ânimo que dá poderem estar juntos», acrescenta.

“Vai ser um desafio enorme”

Os camiões itinerantes que irão percorrer todas as freguesias do concelho têm partida agendada para as 9h30 no Largo da Junta, no Juncal e chegada prevista para as 20 horas, no Jardim da Carreirancha, no Alqueidão da Serra. «O nosso objetivo não será só passar mas ter contacto e dar a atenção devida a todos aqueles que possam estar à nossa espera», explica Ricardo Pereira. No total, as atuações vão durar 10 horas, o que está a ser encarado como um «desafio enorme»: «Vai ser muito duro, mas com esta quantidade de pessoas, vamos tendo capacidade de ir dando descanso a alguns tocadores, de forma a manter a animação sem que haja fadiga ou saturação», sublinha.

«Tentar transmitir a ideia, de uma forma clara e direta, a todos os grupos de que o festival não é presencial foi uma das grandes dificuldades», conta Ricardo Pereira, adiantando que o principal foco da organização foi defender a saúde pública, evitando aglomerados de pessoas e consequentes riscos para a população.

Executivo da Junta confiante no sucesso do evento

Uma das mudanças deste ano é o encontro online de tocadores, totalmente inédito na história do evento e que se deveu à atual situação pandémica. Em declarações a O Portomosense, a presidente da União de Freguesias de Alvados e Alcaria, Sandra Martins, admite que esta versão «não tem o valor da relação humana» que se vive quando o evento é presencial, mas ainda assim considera que irá ser «muito interessante». «Achamos que será uma bela surpresa. Vamos conseguir ligar o país todo porque iremos ter grupos de todo o lado a dar o seu contributo», justifica.

Apesar de reconhecer que o online é «muito vantajoso» e que os últimos tempos têm demonstrado isso mesmo, a autarca recorda que há pessoas de uma determinada faixa etária que não aderem tanto ou porque não têm acesso ou por «não conviverem da melhor forma» com esse tipo de meio. Por esses motivos, Sandra Martins considera que a passagem dos autocarros panorâmicos foi uma opção «muita positiva». «Esta será uma descentralização do evento pelo concelho, assinalando que todas as freguesias são importantes. É uma forma de mostrar que o evento está vivo e que não deixou de parte nenhum recanto», afirma.

“Drive-in” em autocarro panorâmico pelo concelho

9h30 Juncal – Largo da Junta
10h15 Pedreiras – Largo da Igreja
11h00 Calvaria – Largo da Igreja
14h00 Porto de Mós – Praça Arménio Marques
14h45 Serro Ventoso – Salão Paroquial
15h30 Mendiga – Largo da Igreja
16h00 Arrimal – Lagoa Pequena
17h00 São Bento – Largo da Igreja
17h45 Alvados – Largo da Igreja
18h30 Alcaria – Largo da Igreja
19h15 Mira de Aire – Largo da Igreja
20h00 Alqueidão da Serra – Jardim da Carreirancha