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Todos os caminhos vão dar ao Parque: uma rota por explorar

8 Junho 2023
Bruno Fidalgo Sousa

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Bruno Fidalgo Sousa

8 Jun, 2023

Há um parque que se esconde à vista de todos. O mesmo parque do Polje e da Praia Jurássica, o mesmo parque do Arco da Memória e da Fórnea. Nesta edição, onde se celebram os 44 anos do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), O Portomosense traz-lhe seis locais de particular interesse – alguns, desconhecidos das malhas da Internet, outros, subvalorizados pelo tempo, todos eles “escondidos” à vista e próximos do coração dos populares. Este é um percurso que se inicia precisamente em Porto de Mós, um de sete municípios cujo território integra o PNSAC, e que termina em Rio Maior, via os trilhos incomuns e as portelas entre serras que revelam o que de ainda tão reservado tem o “nosso” Parque. Para esta lista, O Portomosense contou com a ajuda do investigador Óscar Pires e do naturalista Samuel da Costa.

Lapa da Mouração

A entrada não é fácil e a gruta não é particularmente opulenta, como as caves vizinhas de Alvados e Santo António. A Lapa da Mouração, ou Buraco Maroução, não deixa de ser, contudo, uma importante necrópole do período Neolítico/Calcolítico e da época romana, tendo nela sido encontrados vários artefactos arqueológicos à data da sua descoberta (século XX). Situa-se perto do anfiteatro natural da Fórnea e do “castelo de Alcaria” e, de acordo com os espeleologistas, é melhor levar lanterna – a do telemóvel é suficiente – e ajuda especializada.

Pia Corseira

A água sempre teve uma importância desmedida para os habitantes da serra. Com o intuito de guardar água da chuva para os meses de estio, desde cedo que se aproveitaram as cavidades naturais da rocha para formar o que chamamos de cisternas. A Pia Corseira, no lugar de Serra de Santo António, Alcanena, é um excelente exemplo da união entre as gentes: é um conjunto de 31 parcelas de terreno, privadas, cada uma delas com uma ou mais cisternas, algumas ligadas entre si, e, no centro da aldeia, a Pia comunitária, que ainda hoje existe. Um exemplo da «dimensão artística, estética e criativa do homem serrano que as produziu», diz Óscar Pires.

Pegadas de Dinossauros de Vale dos Meios

O PNSAC guarda as duas jazidas paleontológicas mais antigas, no que a pegadas de dinossauros dizem respeito, de toda a Península Ibérica. As pegadas presentes na jazida de Vale dos Meios, Alcanede, remontam há aproximadamente 168 milhões de anos, a par com as da Pedreira do Galinha. À semelhança da Praia Jurássica de São Bento, a origem desta prende-se com o mar de água salgada que outrora ali existiu. A idade da jazida e as condições da preservação fazem deste um marco de excelência para os aficionados da paleontologia ou simplesmente para os mais curiosos.

Sumidouro da Ribeira dos Amiais

É um fenómeno natural e deveras interessante, de nome “flúviocársico”, mas, na linguagem popular, tem um provérbio que o explica melhor: “água mole em pedra dura…”. É que, em pleno Planalto de Santo António, a água nasce e renasce a seu bel-prazer. A ribeira dos Amiais, afluente do Alviela, afunda-se na pedra calcária da gruta da Canada e só ressurge 250 metros depois, até eventualmente desaguar no rio Alviela. Para os curiosos, há um curto percurso pedestre (dois quilómetros) com paragem no sumidouro.

Miradouro de Casais da Moreta

Chegamos, enfim, à outra ponta do PNSAC. Na freguesia de Monsanto, lugar de Casais da Moreta, descansa um parque de merendas que prima não só pela sombra acolhedora, como pela vista. Dali vê-se o arrife, nome pelo qual se conhece a grande escarpa de falha que demarca o Planalto de Santo António da Lezíria do Tejo, com vista para Monsanto e Alcanena. Um de dezenas de miradouros guardados pelo PNSAC.

Disjunção Prismática da Portela da Teira

Irlanda tem a Calçada dos Gigantes, Rio Maior tem as formações prismáticas de basalto da Portela da Teira. Partilham a origem – são formações que ocorrem durante o arrefecimento da lava expelida por um vulcão – e os geólogos consideram ambas autênticas maravilhas da natureza. Pese parte do morro onde se encontram estas estruturas ter sido delapidado pela exploração de uma pedreira hoje abandonada, as “colunas” naturais são ainda visíveis ao longo do morro, chegando a atingir os 20 metros de altura.

Com Isidro Bento
Fotos | DR

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