A Toxoplasmose é uma doença causada por um parasita, o Toxoplasma gondii (que é muito associado a gatos, por poder ser transmitido através das suas fezes). Em pessoas saudáveis, é uma condição benigna, muitas vezes assintomática, mas que pode cursar com febre e gânglios aumentados; resolve-se em poucos dias, como uma simples “constipação”, é frequente e não costuma deixar sequelas. Em imunodeprimidos (pessoas com VIH, etc.) ou numa grávida não imune, a gravidade pode ser bem diferente. Quando ocorre na gravidez (Toxoplasmose Congénita), pode deixar importantes sequelas no bebé, tais como epilepsia, atraso cognitivo, surdez, cataratas e outras alterações da visão.

Toxoplasmose Congénita: quem está em risco?
As mulheres não imunes. As grávidas imunes têm anticorpos que eliminam o parasita e evitam a doença. As mulheres não imunes não têm essa proteção, pelo que estão em risco de infetar o embrião/feto.

Importância do rastreio pré-concecional e da vigilância da gravidez
A altura ideal para pesquisar a imunidade é na fase pré-concecional. Deve agendar com o seu Médico de Família uma “Consulta Pré-Concecional”, cerca de 4 a 6 meses antes de planear engravidar. Este irá informá-la quanto à sua imunidade. Grávidas não imunes repetem esta análise nos três trimestres. A mãe pode não ter sintomas e apenas ser detetada a infeção nestas análises. Caso aconteça, será referenciada para a Consulta de Obstetrícia para iniciar tratamentos e minimizar os riscos para o bebé. É na prevenção que está o ganho e grávidas não imunes devem adotar uma série de medidas para evitar a infeção.

“Doutora, tenho um gato e não estou imune… Tenho de o dar?”
Não, não tem. Apenas tem de cumprir rigorosamente as medidas preventivas.

Como prevenir?
• Não consumir carne crua ou mal passada, marisco ou produtos lácteos não-pasteurizados, sobretudo de cabra;
• Cozinhe a comida a temperaturas adequadas e evite prová-la enquanto a confeciona;
• Consuma água analisada, engarrafada ou da rede;
• Descasque ou lave bem frutas e legumes. Pode recorrer a lixívia (1 colher de sopa para 1 litro de água durante 15 minutos e depois lavar bem com água corrente) para esse efeito.
• Deve fazer sempre uma boa lavagem das mãos, com água e sabão, após manusear os alimentos e os utensílios utilizados quando cozinha – facas, garfos, tábuas de cortar ou outros – e após fazer jardinagem, por tocar em solos potencialmente contaminados com fezes de gato;
• Se tiver gatos domésticos, não limpe a caixa de areia. Peça a outra pessoa que o faça ou então use luvas e higienize bem as mãos de seguida. Mude a areia diariamente – o parasita só é infecioso após 1 a 5 dias na areia. Mantenha o gato dentro de casa e não adote outros animais. Não dê comida crua ao animal, apenas ração ou enlatados.

Tenha todos os cuidados e contacte sempre a sua equipa de saúde em caso de dúvidas ou necessidade de esclarecimentos adicionais.

Texto: Ana Luísa Falcão, Médica Interna, USF Novos Horizontes (orientada pela médica Tânia Pereira)