Trabalhar 24 horas por dia e gastar um camião de gasóleo

12 Fevereiro 2026

Jéssica Silva

Desde o passado dia 28 de janeiro que a DRCP não tem mãos a medir. A empresa que se dedica ao aluguer e venda de equipamentos novos e usados, como geradores, tem tido um papel crucial no abastecimento e troca de geradores no distrito de Leiria, depois dos danos causados na rede elétrica devido à depressão Kristin. «Desde quarta-feira, estamos a gastar um camião de gasóleo por dia, são cerca de 24 mil litros», revela a O Portomosense, Alberto Jorge, proprietário da empresa sediada na Ribeira de Cima. «Tínhamos 45 mil litros em stock e já foi quase todo», acrescenta. 

Desde a manhã seguinte à tempestade que a empresa tem equipas no terreno «a trabalhar noite e dia», num total de 28 funcionários, divididos por duas equipas, que «se vão rendendo». Trabalham 24 horas e descansam as 24 horas seguintes. O trabalho destas equipas passa «essencialmente por fazer abastecimentos e trocas de geradores de uns sítios para os outros». «À medida que a luz vai sendo restabelecida, vamos mudando os geradores de sítio. Estamos a abastecer os nossos, os da E-Redes, os do Canas [que são os empreiteiros da E-Redes] e temos também abastecido os da Machrent e de mais alguns particulares», explica Alberto Jorge. «Dentro das nossas capacidades vamos abastecendo os nossos e no mesmo circuito os deles também», refere. «Temos um camião de 22 mil litros, porque a E-Redes tem sempre duas ou três subestações a trabalhar que gastam 250 litros à hora. Depois temos os outros mais pequenos mas, no geral, estamos a gastar entre dois a três mil litros de combustível à hora. É muito combustível», sublinha.  

Logo após a passagem da tempestade, que provocou uma quebra total no acesso à energia, Alberto Jorge revela um facto curioso: «O primeiro gerador que saiu daqui foi para o Hospital de Leiria e o outro a seguir foi para a Bezerra, para a Proteção Civil. Esse ainda lá está», revela o empresário. «O primeiro gerador que ligámos foi aqui, para nós, para podermos trabalhar com as pontes rolantes, porque se falhar aqui a luz, não conseguimos carregar e descarregar. Então temos que ter sempre aqui um», conta. Temos as nossas instalações preparadas para ligar o gerador, só que não temos um gerador dedicado, porque até esse está a ser preciso», conta. 

Embora também disponha de geradores domésticos, são os industriais que a empresa mais tem. Máquinas com uma potência que pode ir «dos 14 até 1.500 kVA e com um peso que vai desde os 500 quilos até às 20 toneladas». O empresário reconhece que «há muita coisa ainda sem luz, sem geradores, porque os geradores também estão limitados» e prova disso é que a empresa não tem, neste momento, nenhum disponível. «Esgotámos as nossas capacidades. Está tudo a trabalhar», garante. Os geradores estão distribuídos por vários locais «desde Torres Vedras até Figueiró dos Vinhos, passando por Ferreira do Zêzere e Alvaiázere». «Estamos a trabalhar desde Mafra até a cima do distrito de Leiria, e alguns pontos do distrito de Santarém, como Rio Maior e Alcanena», acrescenta. 

Foto | DR

Assinaturas

Torne-se assinante do jornal da sua terra por apenas:
Portugal 20€, Europa 35€ e Resto do Mundo 40€

Primeira Página

Capa da edição mais recente d'O Portomosense. Clique na imagem para ampliar ou aqui para efetuar assinatura