O cineteatro de Porto de Mós foi o sítio escolhido para o Encontro de Turismo Militar 2022, promovido pela Associação de Turismo Militar Português (ATMPT) em parceria com o Município. Do programa deste encontro fez parte a apresentação dos projetos da ATMP, nomeadamente o lançamento da terceira revista Viagem na História – Turismo Militar e a apresentação da nova rota no âmbito do Roteiro de Turismo Militar – a Rota da Boa Memória – onde Porto de Mós se insere.

Esta foi também uma oportunidade para as instituições e empresas deste setor “discutirem”, através de duas talks, os problemas e as soluções para fazer evoluir não só esta vertente do turismo como o turismo num todo. A primeira talk foi subordinada ao tema Fortificações Marítimas e o Turismo Militar e a segunda teve como tema A Rota da Boa Memória: Contributos para a Ativação de um Produto Inovador, Sustentável e Competitivo. Um dos pontos altos deste encontro foi também a apresentação dos novos associados da ATMPT e a entrega das distinções Turismo Militar Português 2021 e Destino Turismo Militar 2021/2022.

Na sessão solene, o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, destacou que Porto de Mós é associado da ATMPT desde a sua fundação (2015) e que sabe a «importância que tem o concelho para a própria associação»: «Aqui se realizou a mais importante batalha medieval». Na opinião do autarca, o turismo deve ser trabalhado «de forma convergente», onde os vários tipos de turismo cooperam juntos com o mesmo propósito: atrair novos turistas. «O turismo não tem fronteiras, tem que ser trabalhado sem muros e é assim que tem sido feito no concelho. Se temos um certo número de visitantes nas Grutas de Mira de Aire, não podemos deixar que apenas 1% desça para visitar o centro de Porto de Mós. Hoje estamos a trabalhar para que visitem o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, o Castelo, entre outros», salienta. «Somos um ponto importante do Turismo Centro de Portugal nas rotas do turismo de Natureza e ativo, temos o turismo industrial, somos um ponto de passagem do turismo religioso, precisamos unir sinergias porque o produto turístico só é consistente se tiver muitas ofertas lá dentro e o turismo militar é uma das ofertas importantes que o nosso território tem», acrescentou ainda o autarca.

Na sessão solene falou ainda a diretora do Departamento de Dinamização da Oferta dos Recursos da Direção de Valorização da Oferta do Turismo de Portugal, Teresa Ferreira, que elogiou o trabalho desenvolvido em Porto de Mós, destacando duas áreas: «A implementação de um projeto financiado pelo Turismo de Portugal, que teve que ver com tornar o castelo um monumento acessível, não há muitos no país e o trabalho que Porto de Mós tem feito a propósito do turismo religioso/fruição espiritual, tem sido um município bastante impulsionador da melhoria do Caminho da Nazaré», referiu.

O presidente da ATMPT, Álvaro Covões, afirmou também que Porto de Mós tem sido «um parceiro desde a primeira hora». O responsável acredita que o turismo militar pode «contribuir para o desenvolvimento do país, lutar contra a desertificação» e, por isso, a associação «quer lançar a semente para que todos se dediquem a isto». «Porto de Mós é um exemplo que conseguiu construir um storytelling à volta da Batalha de Aljubarrota que é conhecida em todo o país», elogiou.

“Rota da Boa Memória” inclui Porto de Mós

Abrantes, Tomar, Ourém, Porto de Mós, Aljubarrota, Alcobaça e Batalha – são estas as localidades que a mais recente rota (disponível em  www.turismomilitar.pt) apresentada pela ATMPT inclui e que seguem a linha cronológica e espacial que as tropas de D. João I e o Condestável Nuno Álvares Pereira seguiram aquando da Batalha de Aljubarrota. Rota da Boa Memória – é fácil de perceber o nome, a batalha sorriu aos portugueses – tem paragem no Castelo de Porto de Mós, onde no sábado as tropas estiveram reunidas na última etapa antes da batalha propriamente dita. Depois, o roteiro segue para o Campo Militar de São Jorge onde tudo aconteceu. Hoje este espaço é mais do que um campo e quem visitar a localidade poderá visitar o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota.

Esta rota foi o mote para uma conversa moderada pelo diretor da revista da ATMPT e também pelo técnico superior da Câmara Municipal de Tomar, João Pinto Coelho, sobre a forma como estas rotas podem ser potenciadas. Como oradores participaram dois profissionais do marketing e gestão de duas agências de viagens a operar em Portugal, Nuno Pinto e Carlos Arraiolos. Ambos concordaram que trabalhar «em rede» é fundamental: «Criar um produto com as empresas de animação, hotelaria, municípios e criar um storytelling à volta do património, conseguir construir uma experiência para o utilizador» é fulcral, consideram.

Os especialistas consideraram também «que não é preciso criar um produto novo de raiz», sendo importante aproveitar o que já está consolidado no mercado: «Temos aqui um exemplo, os Caminhos de Fátima, ou poderíamos incluir as rotas na oferta que já existe nas agências, tal como, excursões do público sénior que iriam de autocarro visitar estes sítios», referiram. A ideia era que a esta rota fossem adicionados «dois ou três pontos de ancoragem, com hotelaria de referência, restaurantes ou packs já com bilhetes para entrar nos espaços», exemplificaram. Sobre esta temática, o presidente da ATMPT deixou algumas críticas às agências, afirmando que as «operadoras não estão a comprar em Portugal» e deixando o incentivo para que incluam nos seus roteiros o interior do país.

Porto de Mós foi um dos Municípios que recebeu o galardão Destino Turismo Militar 2021/2022, entregue pela ATMPT e que «enaltece as entidades que integram o projeto Roteiro de Turismo Militar e que continuam a trabalhar no âmbito da promoção do seu território».

Fotos | Jéssica Moás de Sá