O Plano Estratégico de Turismo Sustentável 2020-2030, para Porto de Mós, «é um documento orientador, de estratégia, que tem como principal objetivo a gestão da organização do destino [turístico]», explicou na sessão de apresentação Dulcineia Ramos, do Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação em Turismo (CiTUR), do Politécnico de Leiria.
De acordo com a coordenadora da equipa que elaborou o trabalho, o que esta fez foi «avaliar e diagnosticar todos os recursos do concelho». «O que procurámos fazer foi dar linhas orientadoras para que os agentes locais, a Câmara e as associações possam levar a cabo as linhas deste plano», explicou.

O documento com cerca de 300 páginas foi elaborado ao longo de quase um ano e meio, em parceria com o Município, e as orientações que reúne foram pensadas para um período de 10 anos.
A equipa identificou como principais valores do concelho naquilo que ao turismo mais interessa, «a segurança, a tranquilidade e a autenticidade», mas também «as experiências diversificadas, as relevâncias históricas únicas, a natureza e a sustentabilidade».

Pretende-se «o desenvolvimento de um turismo de qualidade, sustentável, que beneficie e valorize a economia local, incluindo o desenvolvimento e a melhoria de diversas infraestruturas, equipamentos e serviços» e para o conseguir é necessário organização e planeamento de uma oferta turística de qualidade e diversificada através da criação e disponibilização de novos produtos e serviços turísticos com a finalidade de aumentar o fluxo de visitantes».

De acordo com dados estatísticos que revelou, em 2017, os visitantes estrangeiros passaram, em média, duas noites em Porto de Mós, e os nacionais apenas uma, no entanto, são estes últimos os que mais nos visitam. O mercado português representa 75% do total, seguindo-se os mercados francês e inglês. Para surpresa da equipa do IPL, «o mercado espanhol aparece, apenas, em quarto lugar».

O turismo concelhio «é de alto pendor sazonal», embora Dulcineia Ramos acredite que o turismo de natureza possa vir «a alavancar a diminuição desta sazonalidade». Para avaliar se isso se confirma, serão imprescindíveis os dados fornecidos pelos operadores locais «porque não temos propriamente um contador à entrada do Parque Natural para contar as pessoas que cá vêm», disse.
A investigadora universitária recordou que o retrato-tipo do turista que visita o Centro de Portugal, é o de alguém com alguma flexibilidade em termos de horas, com maiores preocupações éticas e ambientais e que está sempre ligado à internet. Os turistas procuram soluções “feitas à medida” e essa procura ganhou ainda mais força com a questão da COVID-19, o que será uma oportunidade para Porto de Mós porque as pessoas querem locais que ofereçam «segurança e tranquilidade», mas também «experiências únicas» e o concelho tem bons argumentos esse nível.
Dulcineia Ramos disse que o Plano identifica quatro grandes eixos prioritários, com 14 medidas e 51 ações a desenvolver. Um dos eixos, por sua vez, aponta como prioridade para o concelho o turismo de natureza, cultural, gastronómico e industrial.

O IPL considera que «apesar da grande diversidade de oferta, no caso do turismo de natureza, torna-se necessário o desenvolvimento da promoção do mesmo, bem como melhorar o alcance do público-alvo e a requalificação de certas zonas». O turismo cultural «tem marcos históricos e culturais autênticos, bem como oferece diversidade, contudo é necessária a requalificação de algumas zonas e o melhoramento da promoção e comunicação do produto ao público pretendido». Já o turismo gastronómico, lê-se no plano, «corresponde a um produto pouco desenvolvido, sendo o seu principal meio de promoção as Tasquinhas. Existe alguma ausência de identidade gastronómica, no entanto, trata-se de um produto que pode ter relação com todos os outros apresentados». Apesar do turismo industrial ser «um produto bastante diferenciador, ainda não se encontra em desenvolvimento na região, sendo que tem um enorme, potencial de atratividade no municipio de Porto de Mós».