«Os jogos do Alqueidão são sempre emocionantes. Às vezes está empatado e parece que a equipa está à espera do fim para dar aquele click e ganhar», descreve Patrícia Rodrigues que há cinco anos se tornou numa fã fervorosa e acérrima do Centro Cultural e Recreativo do Alqueidão da Serra, altura em que começou a assistir de forma assídua aos jogos. Hoje com apenas 20 anos, a alqueidoense já desempenha a função de diretora da equipa sénior e dos petizes, cargos que, segundo adianta, continuará a exercer durante os próximos dois anos.

Para se descobrir quando surgiu a sua ligação ao clube, é necessário recuar até tempos mais remotos, pois segundo conta a O Portomosense, foi quando ela e a irmã nasceram que o pai, Paulo Rodrigues, mais conhecido por “Janeiro”, as tornou sócias do clube. Patrícia Rodrigues refere que o facto de o pai ser jogador há largos anos e que hoje integra a equipa de veteranos, foi um fator determinante na sua aproximação ao clube. «A minha mãe levava-me a ir ver os jogos dele e foi a partir daí que comecei a demonstrar mais interesse», recorda.

A paixão pelo CCR Alqueidão da Serra tornou a ganhar uma outra dimensão que exigiu um jogo de cintura da jovem. «Eu gostava de ir ver os jogos e por isso, arranjava tempo, conciliando com as obrigações da escola e convites para outros eventos», frisa. De todos os jogos a que assiste, o seu coração de fã fá-la afirmar que são aqueles contra a ADP e o Mirense os menos apropriados para cardíacos. «Apesar de não serem os mais importantes, são os mais emotivos, por serem dérbis e porque tudo pode acontecer nesses jogos», sublinha.

Apesar da ainda curta ligação ao clube, a jovem alqueidoense já conseguiu assistir a dois momentos marcantes na história do CCR Alqueidão da Serra e um deles foi logo no início da sua afeição ao clube. «Quando eu tinha 15 anos, o Alqueidão da Serra desceu da Divisão de Honra para o distrital e esse foi um dos piores momentos. Porém, há cerca de dois anos que consegui ver a sua passagem novamente à Divisão de Honra», afirma. Na perspetiva de Patrícia Rodrigues, foi «uma pena» a pandemia ter trocado as voltas às competições porque «o Alqueidão era uma equipa que estava bem classificada para a taça distrital».

Sobre se ainda existe o estereótipo de que o futebol é feito para homens, Patrícia Rodrigues considera que esse pensamento já não tem lugar hoje em dia e justifica: «Todas as equipas têm pelo menos uma menina e há uma equipa que até tem mais meninas do que meninos». Além disso, a jovem refere que apesar de ser, atualmente, a única mulher na direção, os jogadores «nunca a puseram de parte» e inclusive, a convidam sempre para jantares dos mais variados âmbitos.