Simão Fino é basquetebolista e aos 18 anos já foi convocado para seleção portuguesa de sub-18 e sub-20 (esteve na pré-convocatória), teve uma experiência num clube “grande”, o Benfica, representou quatro anos a Seleção Distrital de Leiria (por dois anos foi um dos mais novos do grupo) e frequentou o Centro de Alto Rendimento durante um ano. O atleta natural da Cruz da Légua nasceu para o basquetebol no Instituto Educativo do Juncal (IEJ) por influência de um professor que talvez não imaginasse a forma como o jovem iria evoluir. «Nunca tinha praticado muito desporto até que um dia um professor do IEJ me encontrou com os meus pais e perguntou se não queria jogar basquetebol», conta. Os seus mais de 1,90 metros – sim, leu bem! – ainda não “existiam” quando recebeu este convite, mas Simão Fino «já era mais alto que os colegas» e esse foi um dos principais motivos para o interesse do professor, consciente que nesta modalidade, a altura é uma forte aliada. Estava no 6.º ano quando começou a jogar e confessa que o desporto foi preponderante «para evoluir como pessoa»: «Treinar foi sempre um auxílio, afastava-me das coisas más, obrigava-me a pensar apenas naquilo. Depois, fazemos sacrifício não só por nós, também pela equipa, dependemos uns dos outros».

O atleta portomosense atua como base e extremo. «Nos escalões de formação sempre joguei a base, que é o jogador que leva a bola para o ataque, organiza o jogo, mete a equipa a rodar mas ultimamente tenho jogado mais a extremo em que tenho de correr para a frente para o contra-ataque, ser o marcador», explica. Esteve no Juncal até completar o ensino básico, mas depois, não havendo o curso de Ciências e Tecnologias no IEJ, foi estudar para Alcobaça. «Foi aí que me ligaram do Marinhense para ir para lá jogar e gostei muito. Eu era sub-16 mas estava a jogar no escalão de sub-18 e sénior», recorda. Estava ainda no seu primeiro ano no clube da Marinha Grande quando surgiu outro convite: ir para o Centro de Alto Rendimento, em Ponte de Sor. «É um centro onde apostam no potencial dos jogadores mais novos, que ainda não são reconhecidos. Estive lá um ano a estudar em Ponte de Sor, vivia num hotel, treinávamos três vezes por dia, de manhã antes da escola, depois da escola e depois tínhamos ginásio. Fez-me evoluir bastante como jogador e também como pessoa, ajudou-me a ter mais responsabilidades como ir para a cama cedo até porque chegava ao fim do dia todo partido», recorda, entre risos.

Os desafios ainda não tinham parado por aqui. Seguiu-se o Benfica (já em tempo de pandemia). «No centro fizemos alguns jogos contra o Benfica e já no Marinhense tínhamos feito no campeonato nacional, o Marinhense foi ao campeonato nacional depois de 20 anos e quando jogámos contra o Benfica em casa fiz um bom jogo, marquei mais de 30 pontos, como já tinha jogado contra eles no Centro de Alto Rendimento, eles já estavam de olho em mim e ligaram-me para ir falar com eles», conta. Simão Fino foi e ficou mesmo a jogar na equipa de sub-18 e treinou também com equipa do segundo escalão (Proliga). Esta experiência não correu, no entanto, como esperava. «Foram-me prometidas algumas condições que não foram cumpridas e acabei por regressar», explica. Como “bom filho a casa torna”, de braços abertos para o receber estava o Marinhense com quem tem neste momento contrato assinado: «Deram-me muito apoio, sinto-me sempre à vontade a falar com a direção, com os treinadores, mesmo a equipa é cinco estrelas, estou muito grato».

Falta de oportunidades no distrito

Todas as experiências que teve fora do distrito foram «muito importantes» sobretudo porque «Leiria não é muito reconhecida no basquetebol», salienta. E porquê? «Porque faltam oportunidades». Para a modalidade evoluir em Leiria e noutros distritos, Simão Fino acredita que é preciso «incentivo dos clubes que dão muito importância a outros desportos, como o futebol, e não dão ao basquetebol». «Nós gostamos de basquetebol, há muita gente que gosta mas que nunca chega a praticar porque não há oportunidades, há poucos clubes de basquetebol no distrito», acrescenta ainda. O jovem acredita também que criar mais centros de alto rendimento poderia ser uma mais-valia: «Ter apenas um só permite que 14 jogadores tenham a experiência por ano, se existissem, por exemplo, três centros, com mais de 40 jogadores, aumentava o nível competitivo de uma geração, porque o centro ajuda bastante a evoluir».

O futuro

O desporto é a principal aposta de Simão Fino mas reconhecendo que «não é fácil fazer carreira no basquetebol», quer licenciar-se. «No ano passado estive em Coimbra a tirar Tecnologia Alimentar mas não gostei do curso. Eu queria entrar em Ciências do Desporto e agora fui repetir um exame para ver se consigo alcançar esse objetivo, quero entrar no Instituto Politécnico de Leiria», explica. Por enquanto este é seu objetivo, licenciar-se enquanto continua a cumprir o seu contrato no Marinhense, no entanto, o atleta não descarta a hipótese de ir para o estrangeiro. «Sempre quis ir para fora, já tive um convite para jogar em Espanha, mas não me compensava na altura. Acho que jogar fora ajuda toda a gente, porque o basquetebol nacional é completamente diferente do que existe fora e qualquer país tem o seu estilo de jogo. Ficar a conhecer isso, ajuda-nos a evoluir e abrir horizontes», afirma. No estrangeiro, há um país que se destaca, por ser «o sonho de qualquer jogador»: os Estados Unidos da América. Outro dos sonhos é representar a seleção, mas esse já cumpriu e espera continuar a fazer parte dos escolhidos. A crença, está lá.