Adriana Santo estuda Matemática Aplicada à Economia e Gestão no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, e apesar de ter sido nos números que encontrou a sua vocação, é através das palavras que, hoje, desenvolve o trabalho, como uma das cinco embaixadoras de carreira da União Europeia. Com apenas 22 anos, a jovem, natural da Mendiga, explicou-nos como é que esta oportunidade apareceu no seu percurso. «Havia dois embaixadores em Portugal, um deles deu uma palestra na minha faculdade em que explicava a função de um embaixador e que estava a recolher perfis e currículos», conta. Adriana Santo percebeu logo que tinha interesse em fazer parte deste projeto e quis saber, junto do embaixador da sua escola, o que tinha que fazer para se candidatar, iniciando assim o processo. Em setembro do ano passado a jovem foi contactada pela European Personnel Selection Office, instituição que trata do recrutamento, informando que tinha sido escolhida como embaixadora de carreira da União Europeia. Os embaixadores podem também ser escolhidos por «parcerias diretas com as universidades» ou através de inscrição na página europeia.

Mas o que faz exatamente uma embaixadora de carreira? Adriana Santo explica: «Acima de tudo fazemos divulgação, explicamos aos jovens as suas oportunidades de estágio e emprego nas instituições europeias e os processos pelos quais têm de passar para se candidatarem». A jovem portomosense é uma das cinco embaixadoras portuguesas, todas mulheres, que este ano têm esta missão. O número de embaixadores em Portugal foi reforçado, por decisão do Ministério dos Negócios Estrangeiros, devido à «pouca presença de portugueses» a trabalhar nas agências e instituições europeias, explica. Quando esteve em formação em Bruxelas, o que foi transmitido, através dos representantes europeus, foi que «havia alguns candidatos portugueses, mas poucos e os que existiam não tinham noção da dimensão e importância destes trabalhos e do quanto tinham de se preparar para este tipo de candidaturas», conta Adriana Santo.

Oportunidades e o retorno

As oportunidades de trabalho e estágio são todas em agências e instituições europeias, onde se incluem a Comissão e o Parlamento Europeu, e que na sua maioria, se localizam em «Bruxelas e no Luxemburgo», mas não só. Há também em Portugal, na cidade de Lisboa, «duas ou três agências» para as quais estão abertas candidaturas, entre elas a Agência Europeia de Segurança Marítima e o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência. Na opinião da portomosense, estes trabalhos são em tudo benéficos, não só pela «bagagem» que acrescentam aos jovens, como pelos «enormes salários» que são pagos nestas instituições. «Estes trabalhos valorizam bastante o currículo de cada um. Hoje em dia as empresas [no recrutamento] pedem experiências diferentes [como Erasmus e voluntariado] e se os jovens puderem aproveitar estas bolsas é muito benéfico», salienta Adriana Santo, que lembra ainda que, em Portugal, poucos são os «estágios remunerados». A jovem garante ainda que as experiências no estrangeiro permitem uma troca cultural muito rica: «Podemos trabalhar com pessoas de todos os países e de todas as culturas e estamos a trabalhar em prol de todos os cidadãos europeus».

Até ao momento a portomosense está satisfeita com o feedback que tem recebido, através das múltiplas mensagens que chegam às suas redes sociais de jovens que procuram informação. As embaixadoras divulgam, não só através das redes sociais, mas também através de palestras em várias universidades, os trabalhos à disposição dos jovens. Adriana Santo lembra que esta é uma função «voluntária», e que apesar de terem algum apoio, as deslocações e tempo que dedicam não tm qualquer remuneração. Apesar disso, a jovem reconhece que o retorno é enorme: «Já tivemos formação em Bruxelas, temos um contacto próximo com as instituições e sabemos sempre em primeira mão as oportunidades de estágio e trabalho, apesar de não termos nenhuma vantagem no recrutamento». Também a facilidade em comunicar nos mais diversos ambientes tem sido uma aptidão melhorada com esta função, acredita. Ir para o estrangeiro é uma possibilidade, mas garante manter sempre «um pé em Portugal», para voltar.