Tudo começou com uma «brincadeira de Carnaval», conta-nos Susana Rodrigues, uma das cinco pessoas que há 10 anos fundou o grupo de teatro de Mira de Aire. «Eu e mais dois amigos vestimo-nos de ciganos e participámos no Carnaval de Mira de Aire. Ganhámos e decidimos concorrer ao Carnaval de Serro Ventoso. Depois disso, pensámos em fazer uma peça sobre aquilo que tínhamos retratado no Carnaval e foi um grande sucesso», recorda. Aos três amigos, juntaram-se, meses mais tarde, outros dois e assim formaram Um Par de Cinco. Susana, Noé, Paulinho, Vando e Alex eram os rostos por detrás do grupo de teatro amador, onde todos tinham uma característica em comum: a paixão pelo teatro. «Éramos malucos por teatro», garante.

Os primeiros tempos não foram fáceis para o grupo que desde cedo teve de aprender a desenvencilhar-se. «Nos primeiros anos vivemos sem o apoio de ninguém», recorda Susana Rodrigues, frisando que esta situação de instabilidade se manteve até há quatro anos, altura em que o atual executivo tomou posse. «Só começámos a ter apoios a partir do momento em que este executivo foi para a Câmara. Aliás, se não fosse esta ajuda da Câmara nós não conseguíamos fazer o evento Fim de Semana Teatral, de maneira nenhuma (ver caixa abaixo). Apesar das dificuldades com que se foi debatendo, o grupo não esqueceu a vertente solidária e desde o início assumiu a promessa de que sempre que apresentasse alguma peça, «50% do valor das receitas» do espetáculo revertia a favor de uma associação da freguesia.

Uma paixão que exige esforço e dedicação

A vida acabou por levar cada um dos elementos para um caminho diferente e, hoje, Susana Rodrigues é a única que ainda “resiste” do grupo original. «Fizemos muitos bons trabalhos, enchíamos casas… mas a vida profissional dos meus colegas deu uma volta e fiquei apenas eu», conta. Hoje em dia, o grupo é composto por sete elementos, com idades que vão desde os 21 aos 60 anos. «Tenho muito orgulho no meu grupo», admite, visivelmente satisfeita. Além de Susana Rodrigues, fazem parte Anabela Rodrigues, Rute Cruz, Rafael Cruz, Jorge Querido, Vanessa Mendes e Gene Vieira. «Cada elemento tem o seu valor, sem eles nada disto seria possível», considera. Susana Rodrigues confessa que não tem pretensões de ver o grupo crescer em termos de número de elementos, pelo que espera manter o número atual. «É muito mais fácil controlar um grupo pequeno, com gente responsável. Eu prefiro [que sejam] poucos mas bons», frisa. Sem um espaço próprio, é na Casa da Cultura de Mira de Aire que ensaiam, sempre que esta esteja disponível, e a regularidade dos ensaios depende das peças que têm agendadas. «Quando começamos a preparar um projeto, normalmente ensaiamos uma vez por semana», conta. Com o aproximar da data de apresentação do espetáculo, os ensaios são intensificados, o que, reconhece, exige um esforço e uma dedicação extra, em termos de gestão, uma vez que para todos os elementos o teatro é um passatempo.

Ao longo da última década, Susana Rodrigues admite já ter perdido a conta ao número de vezes que subiu a palco mas acredita que foram, seguramente, «no mínimo umas 20». Destes últimos 10 anos, faz um balanço positivo: «Não temos uma vida muito fácil… mas temos tido sucesso nas peças que temos feito».

Organização de “coração cheio” com sucesso de “Fim de Semana Teatral”

De forma a assinalar 10 anos de existência, o grupo de teatro Um Par de 5 decidiu levar cultura a Mira de Aire e organizou o Fim de Semana Teatral, uma iniciativa que em três dias levou três peças de teatro ao palco da Casa da Cultura onde, segundo a organização, passaram «cerca de 500 pessoas». Com a voz toldada pela emoção, Susana Rodrigues, uma das fundadoras do grupo, faz um balanço «excelente» do evento que decorreu entre 14 e 16 de outubro: «Correu muito bem, dentro das nossas expectativas. Estou de coração cheio. As pessoas aderiram muito e acho que todos ficaram muito contentes com o trabalho que apresentámos». Além do Um Par de Cinco, o grupo anfitrião, participaram mais dois grupos de teatro do concelho (Mendigal e Trupêgo), a quem Susana Rodrigues reconhece o esforço e enaltece o trabalho.

O primeiro espetáculo ficou a cargo do grupo anfitrião, Um Par de Cinco que apresentou a peça As do moinho da fonte, na sexta-feira, dia em que a adesão do público já fazia antecipar o sucesso do evento. «A casa encheu e tivemos que ainda pôr mais cadeiras do que a lotação da casa», conta. Na segunda noite foi a vez do Mendigal, o grupo de teatro de Arrimal e Mendiga, levar a palco Rádio Stone e no terceiro e último dia, o grupo de teatro de Porto de Mós, Trupêgo, apresentou Nas margens do rio.