Dezenas de pessoas manifestaram-se esta sexta-feira, dia 21, junto ao Centro de Saúde de Porto de Mós por causa da falta de médicos. O problema que não é novo ganhou agora outras proporções depois dos cinco médicos que compõem o corpo clínico terem ficado reduzidos a apenas um.

Perante esta realidade, o Centro de Saúde da sede do concelho encontra-se na iminência de fechar portas. «A partir do início do próximo mês provavelmente irá encerrar e depois eu quero saber quem é que vai dar resposta às pessoas que não têm capacidade financeira para ir a um médico privado», alerta o presidente da Câmara, Jorge Vala.

Ana Margarida Amado, presidente da Ur’Gente, a associação que organizou a iniciativa, lembrou que esta manifestação acontece três anos depois de terem protestado pelo mesmo problema mas garante que, neste momento, a situação é «mais grave». «Só temos um médico aqui no Centro de Saúde, que logicamente tem feito um grande papel naquilo que pode, mas humanamente é impossível satisfazer todos os utentes que, neste momento, só têm médico de família no papel», afirmou. Nas contas do presidente da Câmara são mais de nove mil os utentes sem médico de família.

Na manifestação marcaram presença vários autarcas que quiseram mostrar-se solidários com a causa, entre os quais, os das três freguesias mais afetadas por este problema da falta de médicos. Na sua intervenção, Manuel Barroso, presidente da Junta de Freguesia de Porto de Mós, fez questão de esclarecer o motivo que o levou a estar presente: «Eu não estou aqui por política, estou aqui porque também tenho falta de médico. Eu e todos nós».

Francisco Baptista, presidente da Junta da União de Freguesias de Arrimal e Mendiga, onde atualmente não existe médico, lembrou que este problema só irá agravar ainda mais a desertificação que já se sente naquela zona serrana do concelho. «Precisávamos de renovar a nossa sociedade com gente nova, que se queira fixar nas nossas freguesias, e assim de certeza que será muito difícil. Ninguém quer viver num sítio onde não há as condições básicas de saúde para se viver», adverte.

Por sua vez, Filipe Batista, presidente da Junta de Freguesia de Alqueidão da Serra, mostrou-se desiludido com a quantidade de pessoas presentes na manifestação, «tendo em conta a gravidade da situação», e revelou que o único médico que existia na extensão de saúde da freguesia encontra-se de baixa médica. «Não está previsto o seu regresso. Já estamos nesta situação há dois meses, podemos estar três, um ano, não sei… É mesmo grave o que está a acontecer», lamentou.

Fotos | Rita Batista