Estava marcada para o passado dia 8 de julho a visita do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, no âmbito da inauguração das obras de requalificação da Extensão de Saúde de Mira de Aire e também do Gabinete de Saúde Oral, visita que acabou por ser cancelada e onde ia ser exposta «a instável situação da saúde» do concelho, explicou o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, em reunião de Câmara.

Além de informar que as inaugurações acabaram por ser também canceladas «por não fazerem sentido sem a presença do secretário de Estado», o autarca adiantou qual seria o contexto desta visita. «A proposta de visita aconteceu na sequência de um pedido de reunião que nós fizemos ao senhor secretário de Estado que se mostrou disponível para vir a Porto de Mós», explicou Jorge Vala. O «objetivo principal seria mais uma vez manifestar a preocupação sobre o problema da saúde no concelho»: «Neste momento temos um problema de enfermeiros, temos dois enfermeiros a menos, um no Alqueidão da Serra e outro em Mira de Aire. O de Alqueidão foi transferido em mobilidade para a USF Novos Horizontes, o de Mira de Aire aposentou-se e portanto, neste momento, não temos esta vaga suprimida, embora tenha vindo outro enfermeiro, aparentemente, para o processo de vacinação». Quanto aos médicos, refere, «saiu a doutora Joana Teixeira e também o doutor Nuno Couto, temos uma compensação feita por um médico recém-licenciado mas continuamos com um médico a menos que não foi suprimido».

Jorge Vala frisou que «o quadro de profissionais de saúde do concelho é muito instável», nomeadamente porque «uma parte dos profissionais, sobretudo os médicos, continuam a aguardar pelos concursos de mobilidade para serem transferidos para locais mais próximos da sua naturalidade ou residência, uma vez que a grande maioria é do norte do país».

Ao secretário de Estado, o Município iria propor que fosse utilizada uma estratégia «que acontece nalgumas zonas do país»: «As chamadas vagas carenciadas». «Com estas vagas, o médico que concorre fica obrigatoriamente a preencher uma vaga durante um período mínimo de três anos. Tem um pequeno acréscimo de vencimento, como forma de incentivo», explica. «Num concelho como o de Porto de Mós que tem sistematizado ao longo da sua história um quadro clínico tão volátil, pensamos que se justifica uma solução de emergência no sentido de estabilizarmos os profissionais e passarmos de uma vez por todas a ter ficheiros entregues a pessoas que estão em contacto com os utentes mais do que três ou quatro meses», salienta o presidente. Apesar da visita de António Lacerda Sales ter sido cancelada, o executivo acredita que a reunião poderá ser reagendada para breve.