Desde o início do ano até à primeira quinzena de novembro, o Vamós, o transporte urbano de Porto de Mós, transportou mais de 3500 passageiros revelou o presidente da Câmara, na última Assembleia Municipal, deixando claro que este serviço está a atrair um número crescente de portomosenses.

«No ano passado foram transportados perto de 2000 passageiros» e por se estar em pandemia e com períodos de confinamento não é possível fazer comparação direta mas os números registados até agora (que apontam para uma duplicação do número de passageiros até ao final do ano) são, segundo Jorge Vala, prova da adesão da população ao sistema de transporte urbano. No seu entender, este aumento «tem muito que ver com a habituação das pessoas aos horários do Vamós», ou seja, já estão a organizar a sua vida de acordo com as horas a que sabem que têm transporte.

«As coisas começaram devagar mas sem grande preocupação nossa porque sabíamos que este projeto iria ter uma adesão significativa porque serve a população que não tem os compromissos de horário de uma unidade fabril mas que quer vir à vila aos serviços públicos ou visitar alguém em lares ou nas unidades de cuidados continuados, por exemplo», referiu o autarca.

Jorge Vala explicou que o lançamento, em outubro de 2019, do Vamós, não foi, apenas, o cumprimento de uma promessa eleitoral mas uma necessidade. Estando a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) a elaborar um concurso público internacional para a criação de uma verdadeira rede regional de transportes públicos, tornava-se imperioso que o concelho criasse o seu próprio transporte público urbano para depois ser incluído na futura rede. Criado o Vamós e estando a ser uma experiência bem sucedida, a expectativa é agora, em consequência desse concurso internacional, alargar o sistema a todo o concelho, ter dois autocarros, e criar horários diferentes mas enquanto isso não acontece e porque o atual contrato está a terminar, vai ser aberto novo concurso para um período de dois anos. Se antes dessa data entrar em funcionamento a rede regional que irá abranger os 10 municípios da CIMRL o contrato local, da responsabilidade do município, será interrompido, revelou o autarca.

O Vamós representa um custo anual de cerca de 20 mil euros para os cofres municipais, valor que o presidente da Câmara considera inteiramente justificado. Apesar de estar «em constante ajustamento, o ter horários que comecem, por exemplo, às sete e meia da manhã e sejam de alguma forma coincidentes com os transportes escolares para servir melhor sobretudo os trabalhadores na sua deslocação para diversos locais, é uma coisa que só se conseguirá na sequência do concurso público internacional», garantiu Jorge Vala. O edil aproveitou para esclarecer que a previsível distribuição das linhas por todo o concelho não significa que em todas haja transportes regulares. Nalgumas pode haver “transporte a pedido” ou serem semanais funcionando apenas em determinados dias e a horas específicas. «Não tem de ser com rotas diárias e para todos os sítios a partir das sete ou sete e meia da manhã porque isso não é possível. Aquilo que queremos é um serviço abrangente que permita às pessoas, por exemplo, sair de Mira de Aire, vir a Porto de Mós, passar pelo Juncal e regressar a Mira de Aire tudo no mesmo dia».

«O Vamós é um projeto que valeu a pena mas que vai valer ainda mais quando no futuro o consolidarmos», sublinhou o autarca, concluindo, assim, os esclarecimentos que lhe tinham sido pedidos pelas deputadas Liliana Pereira, do PS, e Cristiana Rosário, do PSD, sobre os custos mas também sobre o futuro do Vamós.