Há muito que não se viam números assim. É preciso recuar até 2014 para encontrar no mercado de automóveis ligeiros de passageiros e pesados novos um número tão baixo de vendas. Dados avançados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP) apontam para uma queda de 33,9% (35% em termos de veículos ligeiros) face a 2019. De acordo com Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, «tudo indica que será a segunda maior queda de mercado da União Europeia (UE), depois da Croácia. A UE no seu conjunto deverá ter uma redução de 25%».

Para Hélder Pedro, entre os fatores que justificarão tão significativa redução estará a queda ao nível de um dos canais mais importantes para o comércio automóvel, o do rent-a-car, que vive essencialmente do turismo. Ora, com a pandemia e o confinamento este canal teve uma descida de mais de 70%.

O responsável da associação empresarial que representa a globalidade do setor automóvel em Portugal avançou estes e outros números no decorrer de um webinar promovido pela Standvirtual, a maior plataforma de venda online de veículos usados, em parceria com a ACAP, destinado a fazer o balanço da atividade durante 2020.

Em fevereiro os números até eram animadores, havia uma tendência de crescimento mas assim que a pandemia chega ao país dá-se uma queda significativa ao nível das vendas, refere. «Em maio, o setor foi um dos primeiros a voltar à atividade mas não trouxe uma corrida aos stands. O mercado só começa a recuperar no período de agosto a outubro mas depois dá-se outra retração o que leva a acabar o ano com uma descida de 35% do mercado automóvel», diz.

Olhando para as vendas constata-se que entre os ligeiros, 44,2% são veículos a gasolina e 32,8% a gasóleo. Portanto, a tendência de redução de vendas de veículos novos a gasóleo verificada nos últimos três a quatro anos confirmou-se em 2020 e espelha bem a alteração de mercado já que o gasóleo chegou a representar 70% das vendas no mercado automóvel em Portugal, frisa Hélder Pedro.

Os carros elétricos têm vindo a ganhar adeptos entre os portugueses e já possuem uma quota de mercado de 5,4%. O elemento da ACAP lamenta que, ao que tudo indica, o Governo vá manter o mesmo nível de incentivos do ano passado quando vários outros países europeus estão a aumentar as ajudas a este nível. Mesmo assim, atualmente, Portugal é o quarto país da UE com maior percentagem de vendas de elétricos, o que é significativo tendo em conta que «há países com um PIB per capita bem maior mas que estão numa posição mais baixa». Os híbridos plug-in e convencionais correspondem a uma fatia de mercado de 8,2%.

Apesar da queda global do mercado houve comportamentos diferentes. A venda de carros elétricos aumentou 13,8% em 2020. Os carros a gasolina tiveram uma retração de 41,7% e os a gasóleo 46,9%. Já os híbridos tiveram um crescimento acima dos 100%.

Ao nível dos motociclos a pandemia teve um efeito inicial negativo mas com a reabertura do mercado as vendas começaram a aumentar e o ano terminou com uma queda de apenas 5,2% portanto muito abaixo daquilo que aconteceu com os carros ligeiros. Para Hélder Pedro, o aumento crescente do número de vendas a partir de agosto quererá dizer que «as pessoas começaram a procurar meios alternativos aos transportes públicos e os motociclos foram uma das soluções escolhidas».

Finalmente, os veículos usados importados tiveram também uma queda em 2020 mas abaixo do mercado dos novos. Durante o ano essa descida foi de 26,7%.