Se é de Porto de Mós, é bem provável que já o tenha visto de câmara em riste, à procura do melhor ângulo. Falamos de João Carlos Pereira, GNR de profissão mas apaixonado pela fotografia desde a sua juventude. Considera que este gosto é «quase inato» e recua à década de 90 do século passado, «quando tinha 18 anos», para lembrar o momento em que iniciou «a descoberta pelo mundo da fotografia». Desde então, a experiência e a formação autodidata têm-lhe permitido aperfeiçoar-se e «levar este passatempo mais a sério».

O que se impõe a um jovem que descobre uma nova paixão como a fotografia? Claro está, comprar uma câmara. Durante um verão, trabalhou nas obras para, com esse ordenado, comprar a sua primeira máquina fotográfica, «uma Minolta X 300 que, na altura, já era uma máquina razoável, toda ela manual», recorda. O que sabia do assunto era pouco e por isso contou com a ajuda de José Almeida (“Alex”), «um [conhecido] fotógrafo [já falecido] que tinha loja em Porto de Mós»: «Privei um bocado com ele e fui aconselhado a comprar uma máquina, toda ela, manual. Segui os seus conselhos…», afirma. Os conselhos de José Almeida não se ficaram, no entanto, por aí: «Levava os rolos para revelar, e quando chegava o resultado, na maior parte das vezes metade das fotos vinham a preto e a outra metade a branco, aproveitavam-se duas ou três. Ele foi-me dando umas ideias e comecei, aí, a perceber um pouco mais», conta.

Nunca mais parou de clicar. Não tem qualquer formação na área, a não ser «um bocadinho de leitura de livros e de toda a informação que está online», mas a experiência e «a possibilidade da tentativa e erro», que o meio digital proporciona permitem-lhe «alcançar alguns objetivos».

Na hora de fotografar, a sua predileção vai para a «vida selvagem, tudo o que é animais», porém não se escusa a outros desafios. «Também gosto de fotojornalismo… Por exemplo, nas Festas de São Pedro faço, por vezes, um resumo, mas é apenas para gozo pessoal», revela, acrescentando que o que quer «é fotografar com gosto. Isto não é para ganhar dinheiro», reforça. João Carlos Pereira considera que a fotografia é um hobbie «caro», «se quisermos ter as melhores máquinas e as melhores lentes», por isso a sua filosofia é a seguinte: «Tento dar o melhor com o que tenho e com o que posso ter», adianta.

Divulgar o concelho através da fotografia

João Carlos Pereira é o fundador e um dos administradores, a par de Ilda Silva, de um grupo de Facebook com o nome Olhares Portomosenses, criado em 2011. O grupo, com cerca de 3 700 membros, tem como objetivo «mostrar o concelho de Porto de Mós através da fotografia», pode ler-se na descrição, naquela rede social. E João Carlos Pereira explica: «Por exemplo, eu, que ando mais na zona da vila [sede de concelho], não conheço muitos locais que existem em Arrimal ou no Juncal, e o objetivo era pôr as pessoas desses locais a fotografar, para dar a conhecer todos os cantos do concelho a toda a população».

O fotógrafo considera que o grupo «tem crescido» e «tem tido mais colaboração por parte dos membros», e adianta que «todos os dias há pessoas novas a quererem aderir». Porém, a sua missão de administrador obriga-o a gerir as publicações dos membros. «O objetivo é ter uma página limpa, mostrar a fotografia em si, dar um certo tempo de visibilidade, e não ter publicidade ou outro tipo de eventos», afirma, acrescentando que a publicitação de assuntos que nada têm a ver com o propósito do grupo é frequente. «Aquele grupo foi criado para ser só de fotografia e para mostrar todos os cantos do nosso concelho», reitera.

João Carlos Pereira tem nas redes sociais e noutras plataformas online, a montra onde divulga o seu trabalho. Todavia, além disso, tem agora patente, no Castelo de Porto de Mós, a exposição Gineta, “A Dama da Noite”. A mostra teve início a 26 de junho e deveria ter terminado no passado dia 26 de julho, com a presença do autor, porém, «dado o manifesto interesse do público, foi decidido o seu prolongamento até ao próximo dia 9 de agosto», pode ler-se em nota da Câmara Municipal.

Nos comentários, no Facebook, são vários os elogios tecidos ao fotógrafo: «Uma exposição interessante. Todos devem ver, para uns recorda-se “o bicho”, para outros ficam a conhecê-lo. Parabéns João Carlos Pereira pelas magníficas imagens e pela perspicácia»; «Magnífica exposição com excelentes trabalhos de um nobre artista na arte da fotografia»; «Parabéns e muitas felicidades para o magnífico trabalho e vamos a mais». Algumas das fotografias já tinham sido expostas, no ano passado, numa mostra com o mesmo tema, em Alcobaça. «Esta exposição foi já uma segunda edição. Surgiu o convite da parte do Município, resolvi aceitar e expor, com novas fotografias», conta o fotógrafo.

Uma das fotografias de João Carlos Pereira foi publicada na edição deste mês da famosa revista National Geographic.

Catarina Correia Martins | texto
João Carlos Pereira | fotos