Nos últimos quatro anos, Porto de Mós não só estagnou, como, nalguns casos, regrediu. Esta é, pelo menos, a forte convicção de João Salgueiro, o candidato do Partido Socialista (PS) às próximas eleições autárquicas. No decorrer da cerimónia em que fez a sua apresentação perante o eleitorado portomosense, João Salgueiro justificou essa sua certeza, dando vários exemplos relativamente ao tempo em que era presidente da Câmara e que considera ter sido um período de pujança para o concelho: «Porto de Mós era o terceiro concelho do distrito no rácio, positivo, das importações/exportações. Já no ranking da governação fomos o 17% a nível nacional entre os 308 municípios (e nem vos diga a posição do município no atual mandato porque até tenho vergonha). Por sua vez, o Centro Escolar de Porto de Mós foi um dos três projetos escolhidos pelo governo para constar de um vídeo a apresentar em Bruxelas como exemplo do bom aproveitamento de fundos comunitários, e a obra do saneamento de Mira de Aire foi considerada de excelência pela Agência Portuguesa do Ambiente».

Olhando, então, para a atualidade, o candidato do PS já não encontra nada disto e por isso, propõe-se iniciar «um novo ciclo de esperança» e «procurar pôr Porto de Mós novamente na linha da frente». «Queremos dar continuidade àquele trabalho que interrompemos há quatro anos e afirmar Porto de Mós como território apelativo e, acima de tudo, inclusivo» afirmou, explicando que para o conseguir conta com uma equipa multidisciplinar e jovem mas já «com grandes provas dadas nas suas atividades profissionais».

«A escolha não foi feita por acaso. Eu sempre pensei em equipa, nunca no “eu” mas no “nós” e o “nós” está aqui bem expresso nesta grande equipa que Porto de Mós vai ter. Não serão vereadores de fachada, muito menos de catálogo. Vamos ter vereadores daqueles que trabalham no dia a dia a resolver os problemas das pessoas. Só assim conseguimos andar para a frente. É de gente de trabalho que este concelho precisa e de gente que não faça floreados nem esbanje dinheiro em coisas supérfluas», sublinhou.

João Salgueiro explicou que encara esta candidatura com «humildade democrática» e «espírito de missão» e que quando foi convidado refletiu sobre o assunto e verificou que não lhe faltavam nem «ânimo», nem «disponibilidade». «Isto tudo conjugado pelos apelos que me foram feitos pela sociedade civil de Porto de Mós e pelos empresários, não pude dizer não, e cá estou eu com humildade e este sentido de missão», disse.

O candidato socialista prometeu a apresentação do seu programa eleitoral para mais tarde, depois de ter sido objeto de «conversação» com os candidatos do PS aos diversos órgãos autárquicos», adiantando, contudo, as áreas que considera prioritárias. Assim, é «condição essencial» para João Salgueiro que as prioridades assentem numa «gestão rigorosa e criteriosa». «Os investimentos prioritários são sobretudo aqueles que são financiados por fundos comunitários e que são os mais importantes num concelho ou até numa freguesia» disse, chamando a atenção para o facto de que «os fundos comunitários estão disponíveis e, ou são gastos, ou já não voltam» e estando em fim de ciclo as verbas que vêm para Portugal, «se não os soubermos aproveitar agora, perdemo-los definitivamente e as grandes obras que podíamos ter feito nos últimos quatro anos em Porto de Mós, não foram feitas e esses fundos já não voltam». A primeira prioridade passa, então, por estar atento às oportunidades (e às necessidades locais) e depois apresentar «projetos credíveis e de qualidade» para que possam passar no crivo apertado da CCDR-Centro.

Outro dos desafios prioritários para Salgueiro é a captação de novas empresas para o concelho. No seu entender a Câmara deve apoiar as empresas dos três setores mais fortes (têxtil, cerâmica e pedra) mas sem esquecer nunca os setores emergentes, por exemplo, os moldes, área em que, segundo o candidato, «Porto de Mós tem neste momento duas das principais fábricas do país ou até do mundo [em moldes de precisão]».

O comércio, a par da requalificação urbana e do saneamento são outras das principais prioridades estabelecidas por esta candidatura. A estas juntam-se as acessibilidades e para esta área, João Salgueiro garante que o seu programa eleitoral trará uma grande surpresa com a promessa de «uma importante via rodoviária de acessibilidade ao nosso concelho».

«O próximo mandato vai ter grandes desafios nomeadamente a questão social, a saúde e o emprego» disse em jeito de alerta aos elementos da sua equipa, afirmando, ainda que «a coesão e a inclusão social vão ser a bandeira que temos de agitar todos os dias».

«Porto de Mós conta connosco. Estaremos aqui quatro anos para ouvir as pessoas e arranjar solução para as suas preocupações e para as necessidades que ainda são muitas», frisou, deixando também no ar a ideia de que é importante que o se faça obedeça às necessidades de cada momento mas possa também ser algo para perdurar no tempo».

Candidata considera que há muito para mudar na AM

Rita Cerejo, a candidata do PS à Assembleia Municipal (AM) de Porto de Mós, disse na sessão de apresentação da candidatura, ser «uma grande honra e uma grande responsabilidade» o desafio que lhe foi lançado por João Salgueiro.
Para a antiga vereadora da Ação Social e da Juventude, a AM «é um órgão de extrema importância na organização autárquica contudo não lhe é dada nem reconhecida essa importância». Por outro lado, «é a própria AM que não explora as suas potencialidades junto da população que representa». Inverter esta situação é uma das suas prioridades, até porque considera que «existe muito para mudar na forma como a Assembleia opera».

«Mais do que a atividade regular e normal da AM, acho que deve ter um papel pedagógico e aglutinador no seio da sociedade. Deve informar e esclarecer os cidadãos relativamente a assuntos essenciais à vida de todos. Deve alertar para problemática cuja resolução convoca o envolvimento de toda a comunidade e deve fomentar a participação ativa dos jovens», afirmou dizendo serem estas «as linhas mestras deste projeto autárquico» ao nível da AM.

Na mesma sessão intervieram, o mandatário da candidatura, José Carlos Ramos, o presidente da concelhia do PS, David Salgueiro, o presidente da Federação Distrital de Leiria do PS, Walter Chicharro, a deputada à Assembleia da República, Maria da Luz Rosinha e o Secretário-Geral Adjunto do PS, José Luís Carneiro.

Entre os intervenientes locais, David Salgueiro disse que «este é o momento que se pretende que seja de viragem para o concelho e de colocar as mãos à obra e recuperar dos quatro anos em que o concelho estagnou». De acordo com o responsável,«a candidatura de João Salgueiro vem dar resposta a essa necessidade pretendendo retomar o crescimento económico, ajudar a fixar a nossa população, criar oportunidades para os jovens, emprego e um maior investimento».

Já José Carlos Ramos mostrou-se «farto de almoços e jantares, enquanto que projetos e obras, zero». No seu entender, a prioridade deve ir para a «fixação de pessoas e a criação de riqueza».

Lista de candidatos:

Câmara

João Salgueiro
Paulo Nobre
Sofia Amado
Rui Marto
Sonia Leirião
Carlos Matos
Mónia Costa

Assembleia Municipal

Rita Cerejo

Juntas de Freguesia

Calvaria de Cima – Adriano Silva
Juncal – Artur Louceiro
Mira de Aire – Artur Vieira
Pedreiras – David Salgueiro
Porto de Mós – Ana Matos
São Bento – Luís Ferraria
Serro Ventoso – Lurdes Neto
Alvados e Alcaria – Pedro Costa
Arrimal e Mendiga – Jorge Paulo Carvalho