Ninho de vespas

27 Maio 2025

Cresci a ouvir dizer que falar publicamente sobre política é como sacudir um ninho de vespas. Portanto, quem é que no seu perfeito juízo o faz quando consciente das picadas que se arrisca a levar?

Domingo, depois de votar, aguardei com expectativa o resultado. É um dia que, jornalisticamente falando, me diz muito, mas dois sufrágios em dois anos foram dose. Estava de folga e aproveitei-a para, durante a tarde, ir acompanhando algumas sondagens. Já à noite, depois do encerramento das urnas, dediquei-me a ouvir os painéis de comentário político que os canais públicos e privados iam transmitindo. Afinal de contas, já haviam batido as oito da noite e o destino dos portugueses estava traçado. Faltava apenas a contagem e o veredito final.

Pelas 21h00, dei por mim a sacrificar a tecla de atualização do meu pc, que já percebi que, tal como eu, preferia que o Governo só se renovasse de quatro em quatro anos, em nome da estabilidade. O meu foco estava naturalmente neste concelho, onde já nem voto. À medida que as contagens nas 10 freguesias iam sendo disponibilizadas pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, a curiosidade ia decrescendo, tal era a previsibilidade do resultado (e eu que nem sou nada de apostas), até que Serro Ventoso me deu uma chapada. Ora bem. Se até então havia poucas novidades, reinando AD em todo o lado e com o Chega a assumir cada vez mais protagonismo em relação a votações anteriores, eis que saem os resultados desta freguesia em particular, com a vitória do partido de Ventura.

Tenho vindo a dizer há uns dois anos que acredito piamente que esta força política vai continuar a crescer, e que muito em breve vai ganhar freguesias. As autárquicas avizinham-se e, mesmo não estando ligado a qualquer partido, olho para elas com imensa preocupação. Em Porto de Mós estamos no fim de vários ciclos: autarcas que atingem agora o número máximo de mandatos e outros que não vão manter-se onde estão, seja por opção própria ou por força da Democracia. Abrem-se portas para quem até hoje não teve a real oportunidade de as atravessar.

Os portugueses deram, domingo, ainda mais voz ao descontentamento que os tem vindo a assolar. Tiraram o tapete à esquerda e viraram as atenções para a direita e para a extrema-direita. Conheço Porto de Mós e conheço os portomosenses. Não me parece que tanta gente assim se identifique com aquilo que o Chega realmente oferece, mas sim com aquilo que o Chega diz prometer. Estão descontentes com os do costume, e eu também. Não me parece mesmo é que nos possamos dar ao luxo de cair no conto do vigário. A ver vamos.

Leram aqui que dificilmente as próximas legislativas se realizarão em 2029, para mal dos meus pecados, e também do botão de atualização do meu PC.