Em pleno período de campanha eleitoral com vista às últimas Autárquicas, a agitação tomou conta das redações dos órgãos de comunicação de abrangência regional (não compro os genéricos conceitos que visam distinguir “grandes” ou “pequenos” de acordo com a sua índole) na hora de dar seguimento a este exercício democrático. Em Leiria, felizmente, foram vários os meios de comunicação que olharam para este exercício de sufrágio com toda a atenção do mundo, extrapolando muitas das vezes as fronteiras imaginárias traçadas por quem julga que os limites de atuação de um jornal, rádio ou portal noticioso apenas se devem circunscrever à área geográfica onde os mesmos estão sediados. Numa modesta mas firme opinião, defendo que a pluralidade da oferta verdadeiramente informativa é tão importante quanto a diversidade de espectros ideológico-partidários candidatos a qualquer tipo de eleição. O papel do jornalista é fundamental. Dizem os códigos ético-deontológicos que nos norteiam que temos que informar com rigor e isenção, cobrir o acontecimento de forma fria, justa e imparcial, e deixar o (e)leitor formular a sua opinião sobre todo e qualquer indivíduo, partido ou programa. Mas o jornalismo ainda é feito por humanos. Por isso, quantos mais forem os profissionais devidamente encartados a trabalhar sobre o mesmo ato eleitoral, mais ampla, digna e criteriosa será a sua cobertura. E aqui quem ganha? Ganha o (e)leitor, sem sombra de dúvida. Não me faz, portanto, sentido algum que ainda exista por aí uma tacanha mentalidade de política de cancela junto de órgãos de comunicação de maior foco local ou regional. O mundo está mais rápido e o grau de exigência aumenta, para o bem e para o mal, o que me leva a acreditar na crescente necessidade de parcerias que garantam a pluralidade da veiculação de informação nas geografias locais. Só assim se combate o jornalismo condicionado, enviesado e infetado pelos vícios do costume.


