Numa das noites chuvosas, a Cláudia parecia não dar tréguas. Cá por casa, as tempestades com o nome de pessoas por ordem alfabética deixam-me um pouco tranquilo. A letra “O”
(Odília) ainda vem longe.
No aconchego do sofá e, antes de adormecer, estive a ver e a ouvir os telejornais. Acreditem que tive insónias. Referindo apenas alguns dos títulos das notícias: A abrir, a conferência do clima denominada COP30 (já vai em 30), depois, notícias sobre tempestades em Taiwan, a seguir super tufão Fung Wong , depois, a Ilha da Madeira sob aviso laranja devido a chuva forte, tornado em Nisa , depressão Cláudia com mais de 2 500 ocorrências, encontrado morto casal de idosos devido à inundação da casa, senhora morta após tornado em Albufeira, alguns comentários sobre apocalipse climático onde poderão morrer milhões de pessoas devido ao aquecimento global. Relembravam que a 1.ª Conferência sobre alterações climáticas teve lugar em 1995 depois de uma Cimeira da Terra em 1992 com poucos resultados. Referência ao Bangladesh para dizer que o País está ameaçado pela subida das águas do mar e onde poderão morrer milhões de pessoas até final do século. etc., etc.
Depois vieram notícias sobre a Guerra na Ucrânia, na Faixa de Gaza e eminência de um conflito entre os Estados Unidos e a Venezuela.
De uma coisa fiquei ciente: A comunicação Social em vez de prestar informações e esclarecer as pessoas, amplifica o ruído e alarma os telespectadores. O mundo em que vivemos está envolvido em conflitos militares, mas o conflito climático não é o mais pacífico. Se no primeiro caso alguns conflitos serão (mal) resolvidos pela força das armas, no segundo caso, não há vencedores. Das condições climáticas extremas à eventualidade de um holocausto nuclear, o que verificamos é que estamos na mão de meia dúzia de decisores políticos.
Para terminar, uma referência a uma personalidade das Artes e das letras: Almada Negreiros escreveu há muitos anos e cito: “O mundo não é ruim. Só está mal frequentado. Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas. Só faltava uma coisa: Salvar a humanidade”.
Tinha razão!


