Passaram-se sensivelmente dois meses desde que a tragédia bateu à porta da região Centro e, sendo esta a primeira vez que recorro a este nobre espaço d’O Portomosense desde então, procuro agora uma oportunidade para deixar registado o apreço que sinto por todos aqueles que, com muito ou com pouco, fizeram o que lhes foi possível para amenizar os efeitos, ainda por estes dias tão palpáveis, dos estragos que as tempestades provocaram. Mas nem só de Portugal chegou ajuda, e é precisamente sobre isso que hoje escrevo. Fruto da minha atividade profissional, acompanhei à distância, e por múltiplas vezes no próprio terreno, os resultados das várias campanhas humanitárias promovidas pelas nossas comunidades emigrantes, que acabaram por se estender não só aos seus compatriotas, como a toda a sociedade civil dos países que os acolhem. O caos que todos nós por aqui testemunhámos em primeira mão só foi verdadeiramente percetível alguns dias depois para quem está longe. Nas primeiras horas, as imagens que chegavam lá fora não estavam perto de registar aquilo que se passava. Viam-se algumas zonas de cheias, árvores tombadas e telhas levantadas, mas pouco mais. Enquanto aqui lidávamos com perdas inestimáveis de vidas e de património, por lá ainda se pensava que tudo não passava de uma ventania um nada mais severa. Só com o passar do tempo, e com uma cobertura jornalística mais ampla, é que a mensagem da real dimensão da tragédia ultrapassou as nossas fronteiras. Rapidamente, os nossos emigrantes puseram mãos à obra, movidos pela veia solidária que tão bem os caracteriza. Só do Luxemburgo, como testemunhei em primeira mão, chegaram mais de 100 toneladas de bens aos distritos de Leiria e Santarém. De França, Alemanha, Suíça, Reino Unido, Dinamarca, Brasil, Estados Unidos e Canadá, o apoio também se fez sentir. Uns em forma de géneros, outros de modo pecuniário, mas arrisco-me a dizer que raríssimas foram as comunidades lusas espalhadas pelo mundo que não se mobilizaram para enviar algo, por muito “poucochinho” que fosse. Em casos como estes, não existem grãos de areia pequenos demais.

Portugal voltou a precisar dos seus emigrantes, eles não disseram que não
4 Abril 2026

