Há uma ideia que se instalou, quase sem ser questionada, no tecido empresarial local: a de que o que falta às empresas é marketing. Mais presença digital, mais publicações, mais anúncios. Mais, mais, mais…
Mas talvez estejamos a olhar para o problema pelo lado errado.
A maioria das empresas não sofre por falta de marketing. Sofre por não saber comunicar.
Vivemos numa altura em que nunca foi tão fácil estar presente. Criar um perfil nas redes sociais, lançar um website ou investir em publicidade online está ao alcance de praticamente qualquer negócio. Ainda assim, essa presença raramente se traduz em relevância. E menos ainda em diferenciação.
Porque comunicar não é estar. Não é aparecer. E, definitivamente, não é publicar por publicar.
Comunicar implica clareza. Implica saber dizer, sem rodeios, o que se faz, para quem se faz e por que razão isso deve interessar a alguém. E é precisamente aqui que muitas empresas falham. Preferem esconder-se atrás de palavras seguras como “qualidade”, “rigor”, “excelência”, que já não dizem nada a ninguém.
O resultado é uma “paisagem” empresarial onde tudo parece igual. Onde as marcas se confundem umas com as outras. Onde a comunicação se tornou previsível, repetitiva e, muitas vezes, irrelevante.
A isto soma-se outro problema: a tendência para copiar. Copia-se o concorrente, copia-se a tendência, copia-se o que “está a resultar”. Mas quando todos seguem o mesmo caminho, deixa de haver diferenciação. E sem diferenciação, não há escolha, há apenas comparação de preço.
Num contexto cada vez mais competitivo, esta forma de comunicar tem consequências reais. Não apenas na captação de clientes, mas na própria sustentabilidade dos negócios. Porque uma empresa que não consegue explicar o seu valor dificilmente o conseguirá vender.
E sabem o melhor? São as empresas locais que têm tudo para fazer isto melhor. Têm proximidade, conhecimento do território, relações construídas ao longo do tempo. Têm histórias que não precisam de ser inventadas. Têm contexto e têm uma identidade única.
Mas continuam, muitas vezes, a comunicar como se fossem todas iguais.
Talvez o problema não esteja na falta de ferramentas, nem na falta de investimento. Talvez esteja na falta de clareza na forma como comunicam com os clientes.
E enquanto essa mudança não acontecer, continuará a haver mais marketing, mas não necessariamente uma melhor comunicação.
E no final, não é quem comunica mais que se destaca, mas sim, quem tem algo para dizer principalmente sabe dizê-lo de forma diferenciada.


