Rankings: quando os números precisam de um contexto

1 Julho 2026

Estamos em tempo de mundial de futebol e, no país, estamos também em tempo de exames nacionais, que começaram no dia 16 de junho. Talvez tenha sido esta coincidência de calendários que me levou a juntar duas realidades aparentemente diferentes, o futebol e a escola.

De um lado, seleções, favoritos, estatísticas e classificações, do outro, provas, médias, resultados e rankings. Em ambos os casos, há algo que nos atrai nos números, talvez porque eles parecem arrumar a nossa realidade, dar-lhe uma ordem.

Os rankings fazem parte da nossa forma de olhar para o mundo e, quando bem construídos, podem ser instrumentos muito úteis. Ajudam-nos a refletir, a comparar, a identificar dificuldades e também a reconhecer o mérito, mas também podem ser um problema quando olhamos para eles como se dissessem tudo, quando, na verdade, dizem apenas uma parte da história.

No ensino básico, esta questão coloca-se de forma diferente, porque, à partida, as escolas trabalham sobre os mesmos programas curriculares, os alunos realizam as mesmas provas e são avaliados segundo os mesmos referenciais. Quando surgem comparações, estamos a olhar para percursos educativos semelhantes, o que permite uma leitura mais direta dos resultados.  É saudável que existam dados e análises, mas a sua leitura deve ter em conta as diferentes realidades educativas.

No ensino secundário, há escolas com cursos científico-humanísticos e turmas preparadas, ao longo de três anos, especificamente para os exames nacionais, enquanto outras, como o IEJ, oferecem exclusivamente ensino profissional, com outros objetivos, metodologias e formas de avaliação. Ainda assim, o IEJ é uma escola de exames, aberta a quem quer voltar a tentar, concluir um percurso, regressar aos estudos ou procurar uma nova oportunidade. O que merece reflexão não é a realização dos exames, nem os seus resultados, mas a forma como são apresentados e interpretados.

Quando uma escola surge num ranking, a leitura imediata é que os números refletem diretamente o trabalho desenvolvido na preparação dos alunos para as provas. No caso do IEJ, porém, os resultados do secundário incluem apenas alunos do ensino profissional, candidatos externos, em disciplinas que não fizeram parte do seu percurso formativo.

Tudo isto é legítimo, mas a média pode esconder muito quando junta realidades diferentes como se fossem iguais. Esta reflexão não é contra os rankings, pelo contrário, defendo que os resultados devem ser conhecidos e transparentes, mas apresentados com clareza, justiça e equilíbrio, porque na educação, como no desporto, as classificações ajudam a organizar a realidade, mas raramente contam a história toda.

Comparar é importante. Comparar com rigor é ainda mais importante!

E já agora, que vença Portugal!