É Verão! A maré das notícias falsas baixou. Os ecos de ódio levam as pessoas a pensar em ideias de humanidade nascidas no seu fundo. Sensibilidades como a lua, a aragem fresca na noite quente, o olhar para o mar com a família, erguem-se nos quotidianos. Vêm as festas e muitas dinâmicas de união que a nossa sociedade e cultura potenciam. Até uma pausa na sombra ou um copo de água oferecido, são portas abertas a uma conversa sem ódio.
Em tempos de reprodução desse sentimento que o Chega ama, debruçamo-nos sobre o oposto. Não quero com isto negligenciar o Ódio, que é uma espécie de Amor subvertida, dada a energia que requer dos “Odiantes” para manter tal sentimento. Também os Amantes, para irem amando em continuum, recorrerem a malabarismos para assim se manterem. Deveremos amar e até ir amando os “Odiantes”.
Considero a súmula lógica de Einstein – de que não sabemos como a terceira guerra mundial acontecerá, mas que podemos ter a certeza que a quarta será combatida com paus e pedras – bem representativa do escalar de qualquer guerra se respondemos ao ódio com mais ódio. Assim, sempre que encontrarmos alguém que está a odiar qualquer coisa, deveremos acariciá-lo, com palavras, com gestos como carícias na face ou abraços e, nos casos mais crónicos de ódio, quando estiverem para nos bater, deveremos beijá-los com toda a paixão antes do desferir do murro ou usarem a arma que trazem no bolso. Não se trata de dar a outra face, mas de atacar com a única arma possível e extrema, o Amor. Não se trata de um gesto condescendente para com o “Odiante”, mas a única resposta possível a qualquer Amante.
A extremização dos dois pólos deve ser absoluta, mesmo que os Amantes percam a guerra. De qualquer forma, já o Quino tinha sabiamente colocado nas palavras da personagem Mafaldinha a frase, “quando matarmos todos os maus, restam os assassinos”. Há que buscar soluções na forma de amor. Elas estão à nossa frente para ser inventadas.
É verão! A claridade do amanhecer e pôr-do-sol, que ainda nos são oferecidos sem taxas, são caminhos para visões translúcidas sobre as nossas vidas; lugares onde privilegiamos os bons momentos com a família e os amigos. Geografias optimistas onde a “Sagrada Sobrenatural extra brilhante inteligente bondade da alma!”, que Allen Ginsberg cantou, se pode tornar luz poética em cada um. Acreditem! Aposto que o verão não será tão inferno e o futuro menos sombrio, a odiar menos coisas.


