Há um mês perguntei a um amigo, freelancer, onde trabalhava. Respondeu-me: “em casa, ou no café da rua, quando aguento o barulho.” Não é caso único. Em Porto de Mós não há onde um designer, um programador ou alguém que vive de projetos se sente ao lado de outras pessoas a fazer coisas parecidas. Isto não é falta de gente com talento, é falta de um sítio para essa gente trabalhar.
O trabalho remoto veio mudar tudo, em teoria. Hoje dá para viver aqui e faturar clientes de Lisboa, do Porto ou de fora do país. Mas só isso não chega. Trabalhar sozinho, todos os dias, sem ninguém com quem trocar duas palavras sobre um projeto, cansa. E é isso, mais do que falta de oportunidades, que acaba por empurrar gente nova para fora do concelho.
Um coworking não resolve tudo, mas ajuda mais do que parece. Não é só mesas e um wi-fi, é o sítio onde um contabilista conhece um designer, onde alguém do turismo local ouve uma ideia de marketing que nunca tinha pensado. Isso não acontece à distância, por Zoom. Acontece quando há um espaço físico e as pessoas lá passam.
Leiria e Alcobaça já têm isso a acontecer. Nós, aqui ao lado, ainda não temos essa realidade.
Já olhei para isto com atenção, números, localização, o que faria sentido e a conclusão é sempre a mesma: não precisa de ser grande para começar. Uma sala, um horário partilhado ou até uma parceria entre vários parceiros. O resto vai-se ajustando.
Porto de Mós tem paisagem, tem qualidade de vida, tem gente formada que gostava de ficar. Falta é decidirmos dar-lhe um sítio para trabalhar. Continuamos a exportar talento e a queixarmo-nos, anos depois, de que o concelho não renova. Ainda dá para mudar isso.


