Há decisões que podem ser burocraticamente justificadas, mas que continuam a ser difíceis de compreender. A decisão de não abrir, em 2026/27, uma nova turma do Curso Profissional de Técnico de Desporto da Escola Secundária de Porto de Mós é uma delas.
Não estamos perante um curso sem alunos, sem professores ou sem história. Pelo contrário. O curso existe há cerca de uma década, foi pioneiro na escola, dispõe de recursos humanos qualificados, tem procura e apresenta um percurso reconhecido pela comunidade educativa. Muitos dos seus antigos alunos continuam ligados ao desporto, nomeadamente como treinadores em clubes da região. Então, por que razão acaba?
A explicação oficial assenta sobretudo na falta de espaços desportivos, agravada pela concentração de todos os ciclos de ensino na escola renovada. É uma dificuldade real, e os professores de Educação Física foram claros ao alertar para a insuficiência das instalações.
Mas será que a solução para a falta de espaço deve ser simplesmente acabar com o curso? É aqui que a decisão deixa de ser apenas administrativa e passa a merecer discussão pública.
A CIMRL (presidida pelo presidente da CM Porto de Mós), tem responsabilidades na articulação da rede educativa e de formação profissional e foi no processo de concertação da rede para 26/27 que a proposta de abertura da turma foi recusada. A decisão é particularmente difícil de entender quando a própria rede profissional da Região de Leiria cresceu 17%, passando de 65 para 76 turmas.
Foram apresentadas alternativas: utilização de outros equipamentos desportivos do concelho, transporte dos alunos assegurado pelo Município, recurso a instalações complementares e até a criação de uma sala equipada para garantir a lecionação de módulos do curso. Apesar disso, prevaleceu o não.
A entidade responsável invoca critérios de planeamento territorial, sustentabilidade e não duplicação da oferta (existência do mesmo curso noutra escola do concelho). São critérios legítimos. Mas não podem transformar-se numa resposta automática quando estão em causa alunos concretos, uma oferta com procura e um projeto educativo construído durante dez anos.
O ensino profissional deve responder às necessidades dos jovens e do território. E os jovens de Porto de Mós já disseram, através da procura, que querem esta formação.
Uma escola “nova” deveria significar mais oportunidades, não menos. Uma obra de milhões não pode servir de argumento para retirar escolhas aos alunos.
O Curso de Desporto não precisava de ser encerrado. Precisava de soluções.
Porque quando a falta de espaço se resolve fechando uma porta, quem perde espaço para o seu futuro são os alunos pois são eles que ficam do outro lado da porta.


