Terminaram as votações para o Orçamento Participativo 2026 de Porto de Mós no passado dia 30 de setembro, com apenas 4 propostas a votação. E digo apenas, porque um concelho com 10 freguesias, 100 mil euros disponíveis para investir num projeto, e depois surgirem só 4 propostas e haver tanto para fazer e para onde aplicar o referido valor, é deveras estranho o porquê de não haver interesse por parte dos Portomosenses.
O desenvolvimento dos lugares só se faz com investimentos tanto nas pessoas, quanto nas infraestruturas, e se existem oportunidades para o fazer, não as deixemos desperdiçar. São precisamente esses os objetivos cruciais do Orçamento Participativo, servindo não só como uma ferramenta essencial para dar voz à comunidade, mas também permitir a concretização de projetos que, de outra forma, não seriam prioridade no plano de investimentos da Câmara Municipal.
Da minha parte houve uma proposta a votação para a União das Freguesias de Arrimal e Mendiga, que no ano passado ficou no 4.º lugar em oito e este ano, quando foram apresentados os 4 resultados provisórios no decorrer do processo de votação, constou sempre em último lugar com poucos votos. Para que se percebam os critérios, a votação é aberta a todos os cidadãos, com idade igual ou superior a 18 anos, que sejam recenseados ou naturais do concelho de Porto de Mós.
Assim, aplicando esta norma na minha freguesia que registou 1352 eleitores inscritos nas últimas eleições em Portugal, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, é notório que com estes resultados nem os cidadãos das freguesias “puxam” para a suas próprias terras, porque a minha proposta terminou a última votação provisória somente com 44 votos, o equivalente a pouco mais de 3% da população recenseada na freguesia (isto se houvessem certezas de que todos os votos fossem exclusivamente de cidadãos da União das Freguesias de Arrimal e Mendiga), contra 303 votos da proposta que estava em primeiro lugar. Com estes resultados à vista, está mais que óbvio que continuamos sem ganhar e sem conseguir trazer o Orçamento Participativo para a nossa freguesia. Contudo, é de louvar e agradecer ainda assim o apoio e os votos das pessoas que elegeram a proposta da Antiga Escola Primária do Arrimal como uma das favoritas.
E evocando aqui uma grande voz que Portugal perdeu recentemente, a do grande Jorge Palma, “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar.”


