Há algo de verdadeiramente especial nas festas escolares. Não são apenas momentos de animação ou de apresentações para entreter. São, acima de tudo, ocasiões de encontro, entre alunos, professores, famílias e toda a comunidade que dá vida à escola.
Num tempo em que a relação entre escola e famílias se faz, muitas vezes, por mensagens apressadas em grupos de WhatsApp, onde há mais ruído do que escuta, mais mal-entendidos do que conversa, estes momentos de presença real ganham um valor imenso. É ali, num arraial, num teatro, num sarau desportivo, numa apresentação de projetos ou numa simples exposição de trabalhos, que nos olhamos nos olhos, conhecemos quem está ao lado dos nossos filhos todos os dias, percebemos melhor o que se faz dentro das salas de aula e, sobretudo, sentimos que fazemos parte.
Hoje, muitos pais não conhecem os colegas dos filhos, nem os pais desses colegas. As reuniões são rápidas, os contactos formais, e o dia a dia vai-se escoando sem tempo para que a escola seja vivida em conjunto. Falta espaço para a relação, para a escuta, para a construção de uma comunidade.
A escola não é apenas um lugar onde se ensinam conteúdos, é um espaço de relações. Um lugar onde se crescem pessoas. E quando se abrem as portas para partilhar o que ali se vive, o impacto é transformador: os alunos sentem-se valorizados, as famílias aproximam-se, os professores sentem o seu trabalho reconhecido, e a escola passa a ser mais do que um edifício: passa a ser um espaço de pertença, uma outra casa.
Cada festa, cada atividade aberta, é uma oportunidade de reforçarmos laços, de celebrar o esforço, a criatividade e a entrega de quem está ali, diariamente. De mostrar aos nossos filhos que nos importamos com eles, que queremos ver, ouvir e estar junto a eles.
Trazer os pais para dentro da escola não é um luxo, é uma necessidade. Não para controlar, mas para participar. Não para vigiar, mas para caminhar juntos. Porque, quando a escola se vive em comunidade, todos ganham. E a educação cumpre o seu papel mais bonito: o de formar pessoas inteiras, ligadas ao mundo e aos outros.
É isso que quero para cada projeto onde estou envolvida. É essa a razão da minha decisão de dedicar, há quase 25 anos, a minha vida ao ensino.

