Aprender a aprender com a IA, o nosso grande desafio!

15 Novembro 2025

Se olharmos para a História, percebemos que há momentos em que a humanidade é obrigada a reaprender tudo. A invenção da roda, da escrita e da internet, mudaram o mundo, e hoje vivemos outra dessas viragens com a inteligência artificial. O que está em causa não é apenas uma nova tecnologia, é uma nova forma de pensar, de fazer e aprender, e o perigo não está nas máquinas, mas sim nas pessoas que deixam de querer aprender ou que têm dificuldade em fazê-lo.

Lembro-me bem da dificuldade dos meus pais na adaptação ao uso dos computadores no local de trabalho ou dos telemóveis sem teclas, como está a ser para mim, agora, um enorme desafio acompanhar a forma veloz como a IA tomou conta da nossa vida e dos nossos locais de trabalho.

Nas escolas sente-se essa mudança todos os dias e os alunos usam a IA com uma naturalidade que parece ter estado sempre ali. Escrevem textos, traduzem frases, fazem resumos, criam imagens, geram músicas, preparam apresentações, organizam ideias, desenham no Canva, conversam com o Chat GPT, pedem explicações de matemática, estudam línguas, procuram receitas e até planeiam viagens. Fazem tudo isto com uma facilidade tão grande que nos espanta, pese embora esta utilização menos acompanhada possa limitar a capacidade criativa, de espírito crítico e induzir em erros crassos.

Os grandes modelos de linguagem, como o Chat GPT, mostram-nos isso todos os dias, precisamos de saber fazer perguntas, porque perguntas boas geram respostas boas, e essa é talvez uma das competências mais importantes do nosso tempo, a capacidade de perguntar com sentido, de pensar com clareza, de não aceitar a primeira resposta só porque é rápida.

O nosso ensino ainda vive muito da memória, de decorar para repetir, mas o mundo pede-nos outra coisa, novas formas de resolvermos os problemas, uma outra capacidade de adaptarmos e pensarmos. E este desafio não é só das escolas, é de todos!

No trabalho, em muitas áreas, começamos a perceber que a IA pode libertar-nos das tarefas que nos prendem ao automático e devolver-nos à essência da natureza humana, e é exatamente essa a direção que precisamos de seguir também na educação, usar a tecnologia para termos mais tempo para olhar, ouvir e pensar com os outros. Não precisamos de ser especialistas em algoritmos, precisamos é de ser curiosos e olhar para a IA com serenidade e confiança, porque o futuro não é para temer, é para construir, e a escola é o sítio certo para iniciar essa construção.