CASSAC: das primeiras mãos até à primeira pedra

25 Maio 2025

Era uma vez um sonho. Nasceu discreto, lá por 1998, no seio de uma comunidade que sabia o que queria: um espaço de apoio social que dignificasse os seus, do berço à velhice. Chamaram-lhe CASBEM, nascido em Mendiga, filho da vontade popular e do trabalho voluntário. Não havia fundos, nem garantias, mas havia gente — e isso, por vezes, basta.

Foram homens e mulheres que, de porta em porta, conheceram famílias, ouviram necessidades e mapearam a realidade social, com convicção. Semearam um sonho que hoje se concretiza. Criaram uma comissão formada por populares – vinte e seis cidadãos empenhados – que, unidos a amigos e familiares, fundaram a associação CASBEM – Centro de Apoio Social e Bem Estar de Mendiga. Com pouco mais que vontade, lançaram a semente. Com o tempo – cronológico e político – a sigla mudou para CASSAC e o projeto cresceu para além da sua origem, alargando-se às outras freguesias confinantes, ganhando corpo e legitimidade. Mas o caminho foi duro. A descrença instalou-se, o apoio institucional tardou, e a esperança foi-se diluindo entre burocracias e hesitações.

Foram muitas as direções que, com mais ou menos ímpeto, tentaram avançar com a construção da sede da instituição. Mas só a atual teve a coragem de enfrentar o maior dos fantasmas: o risco. Contra receios antigos, avançou com os projetos, conquistou financiamento, organizou a engenharia financeira necessária. E fê-lo sem alardes, numa postura discreta, mas eficaz. Merecem solidário aplauso! No dia 6 de abril de 2025, a primeira pedra foi lançada. Celebrou-se, com discursos emocionados, a realização de um sonho. Falou-se do presente e do futuro, dos utentes e dos idosos, dos desafios e das promessas. Mas esqueceram-se alguns nomes, algumas memórias fundadoras. E isso, apesar de não anular o mérito dos que hoje lideram, exige reparação. Porque a história não começa em 2005, começa em 1998 – e há rostos, mãos e vontades que não podem ser varridas pelo tempo ou por omissões involuntárias. Quem esteve lá desde o início, na fase CASBEM, entre 1998 e 2002, sentiu o silêncio. A história oficial esqueceu a semente lançada por cidadãos comuns que acreditaram antes de ser conveniente. Celebrar a construção da sede do CASSAC é justo. Mas é também justo lembrar quem primeiro empunhou a enxada e lançou as sementes num terreno ainda estéril. Foram eles que, com pouco mais do que a capacidade de sonhar, deram corpo a um projeto que parecia utópico.

A instituição cresce agora com força, sustentada pelo rigor na construção e, esperamos também, sem que aconteça mais um esquecimento: a sustentabilidade energética que deve ser atendida e implementada, pese embora algum investimento adicional inicial que será recuperado a médio prazo e que, seguramente, provocará significativa redução de custos financeiros, essencialmente.

Não esqueçamos nunca que por trás do betão há história, há pessoas, há memória e que o futuro só se constrói com alicerces sólidos, também esses que vêm de trás, mesmo quando parecem esquecidos.