A 8 de Maio de 1945, quando aconteceu o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, com a capitulação da Alemanha, a maioria dos alemães que tinham elegido democraticamente (e sem maioria parlamentar) o Partido Nazi, sentiram-se defraudados pelos políticos que seguiram durante mais de uma década. Sentiram-se enganados pela mentira, mas não pelos horrores que estes governantes tinham cometido. Afinal, a mentira era que lhes tinham prometido um Império que duraria 1000 anos e não cumpriram.
Em Abril de 2025, 80 anos depois, partidos democratas e os seus agentes continuam a prometer-nos impérios e nós a votar no tipo de império que mais nos convém. Há os saudosistas do antigo império ultramarino português, da colonização de lugares tão remotos como Macau ou Timor, tão ricos como o Brasil ou Angola, tão bons para as férias como São Tomé ou Cabo Verde. Há os defensores de impérios ultra-liberais em que, no fundo, cada império é a sua casa e a sua empresa, e logo se vê quem é que esse império irá colonizar, que territórios irá conquistar, de acordo com a esperteza do seu imperador. Há ainda os paladinos dos impérios centralistas, que acreditam na descida de impostos aos seus contribuintes, na venda de bens públicos como a água, a saúde e a energia ao sector privado (diga-se “impérios empresariais”). Há por fim, as diversas formas de império marxista, defendidas por indivíduos que pretendem anular as nossas individualidades em prol de uma igualdade forçada.
Não é necessário ir muito longe para verificar a quantidade de cidadãos que procura alargar o seu império de imóveis à custa da queda do império do vizinho, ou a anexação do seu antigo império familiar aos herdeiros que restavam. São bastos os colonizadores das estradas públicas, onde conduzem como se tudo fosse deles; os conquistadores do pensamento alheio na conversa de café, que pretendem que todos pensem como eles; ainda os verdadeiros imperadores partidários, que lá vão fazendo umas obras nos seus impérios, sobretudo em anos de eleições.
No fundo, andamos todos à procura de um imperador que nos prometa o império mais verosímil e concordante com o crescimento do nosso próprio império e, se alguém for arrastado para o infortúnio de ser anexado pelo nosso poder, azarito, que não se fazem impérios sem carne para canhão.
Com este artigo, estarei eu próprio a tentar colonizar a opinião dos outros? Talvez seja melhor não o fazer. Prefiro acreditar no império do Livre-arbítrio, onde a polifonia das opiniões tem lugar. Mas que não se pisem os calos dos impérios ao lado. Pode ser que um dia reparem em nós e que nos queiram conquistar.

