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“Emocionalidade”: o projeto do CASSAC para “atenuar o défice” na resposta ao nível da saúde mental

5 Abril 2023
Jéssica Moás de Sá

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Jéssica Moás de Sá

5 Abr, 2023

Um «projeto especificamente desenhado para atenuar o défice de resposta ao nível de saúde mental no território da área de atuação da instituição e consequentemente, no concelho de Porto de Mós, através da prestação de diversos serviços, atividades e programas que visam promover a saúde e prevenir a doença». É assim que o projeto Emocionalidade, do CASSAC, é definido pela diretora técnica, Margarida Pires, e também pela psicóloga a trabalhar neste mesmo projeto, Catarina Amado. É também objetivo «promover e aumentar a literacia da população no que respeita à saúde mental». Para isso, fazem parte do projeto as seguintes atividades: «Consultas de psicologia/acompanhamento psicológico; workshops/palestras sobre temáticas relacionadas com a saúde mental; programa de mindfulness; programas de estimulação cognitiva – AtivaMente, bem como sessões individuais de estimulação cognitiva; distribuição de flyers/panfletos informativos sobre a saúde mental e continuar a criar e publicar de forma regular posts para divulgação de conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais».

O projeto começou a 19 de setembro do ano passado e prevê-se que «tenha a duração de nove a 12 meses, podendo, após avaliação, ter continuidade ou ser replicado», explica a diretora técnica. Até ao final do ano passado, «em termos práticos, o projeto esteve mais dirigido para os utentes do CASSAC a quem está a ser prestado um acompanhamento psicológico mais regular», agora, «está numa fase mais dirigida a toda a comunidade, mas sobretudo seniores, com a realização de um breve questionário à saúde mental e qualidade de vida». Através deste questionário pretende-se «para além de conhecer a perceção que os mesmos têm da sua qualidade de vida, identificar/sinalizar/rastrear situações de demência entre a população sénior». Apesar de reconhecer que não se ficará com «um diagnóstico global da população sénior», tendo em conta que é feito «apenas a uma parte da população, previamente identificada pelas juntas de freguesia, parceiras do projeto», a diretora técnica acredita que permitirá «conhecer melhor a realidade para também melhor poder intervir sobre ela, sobretudo a nível psicossocial».

Na opinião de Margarida Pires faltam projetos destes no concelho e de uma forma generalizada. «Ainda existe muito estigma e preconceito associado à doença mental, por isso creio que este tipo de projetos seja uma mais-valia, além de concorrerem para aumento da literacia em saúde, neste caso em saúde mental, e de contribuírem para a qualidade de vida da população», frisa. Entre os focos do projeto estão as demências, que têm aumentado de forma «preocupante» e por isso precisam de uma resposta: «O aumento reflete a necessidade de acompanhar, integrar e promover os direitos destas pessoas, não esquecendo as respetivas famílias e os cuidadores formais». A responsável lembra que Portugal é «o quarto país da OCDE com mais casos de demência por mil habitantes e prevê-se um aumento do número de casos. Assume-se que as demências sejam a principal causa de gastos na Saúde em indivíduos com idade acima dos 65 anos».

“Melhorar, crescer, inovar!”

O mote já está no entretítulo acima: “Melhorar, crescer, inovar!”. É isso que Margarida Pires tem como paradigma para o CASSAC, não sendo este o primeiro projeto inovador que promove. A principal motivação é «ir ao encontro das necessidades e expectativas dos utentes e ter mais e melhores serviços». «Queremos sempre fazer mais e melhor por aqueles que cuidamos, mas também pela comunidade onde estamos inseridos, acho que só assim é que faz sentido a intervenção», garante a diretora técnica. Margarida Pires diz ainda que a intervenção do CASSAC é pensada de «forma eclética e multidimensional e por isso, apesar dos poucos recursos, existe vontade de fazer sempre mais». «Pelas características geográficas da zona onde atuamos e pela população com a qual e para a qual trabalhamos, procuramos levar os serviços ao domicílio ou de forma o mais próxima possível da população», reforça. A responsável diz ainda que «as respostas para os problemas e necessidades da comunidade devem estar na comunidade [freguesias e concelhos]».

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