Isaltino, o maior

2 Junho 2026

O Isaltino Morais está mais uma vez a contas com justiça. Agora, o Ministério Público acha que ele cometeu os crimes de “peculato e abuso de poder” no exercício do cargo de presidente da Câmara Municipal de Oeiras. Em abril de 2013 o tribunal condenou-o a dois anos de prisão efetiva por fraude fiscal e branqueamento de capitais. Incorrigível, voltou ao mundo da irregularidade e do crime. 

Num país com uma forte cultura de cumprimento da lei, da norma e dos bons costumes, o Isaltino seria hoje uma pessoa contida, recatada e discreta nas suas aparições públicas. Não é assim. Desfila em tudo o que é palco televisivo, faz gala das suas qualidades de autarca e promove o seu ego, tão grande quando injustificado. Chega a ser ofensivo para autarcas sérios e cidadãos contribuintes deste país. Diz umas graçolas e declara que os milhares de euros que ilegalmente recebe da Câmara para custear as suas comezainas e outros devaneios não passam de bagatelas e acusa os seus pares de também fazerem o mesmo. Num registo fanfarrónico, ignora a lei, despreza a moral e a ética. Sente-se o maior. Para completar o menu, e à boa maneira “trumpista”, ainda se envolve num conflito territorial com o concelho vizinho Amadora, cuja área pretende reduzir. O isaltinismo descredibiliza a política e mina a democracia representativa.

Aí por volta de finais de 2015, falei da prisão do Isaltino, e das suas consequências, a um amigo, Oeirense “adotado”. A dado passo da conversa, ouvi o que não esperava: “pois… mas se ele se voltar a candidatar, eu votarei nele. O gajo fez muita obra”. Surpreendido, ainda argumentei: Óh (…), mas o homem é um criminoso! Depois, o que custa menos é fazer muita obra num Município como Oeiras: pequeno territorialmente, plano e com enorme densidade populacional, características que o tornam gerador de uma brutal receita de impostos como FEF, IMI, IMT e IUC, nomeadamente. “Pois, pois, mas… o gajo é bom, se ele se voltar a candidatar eu voltarei a votar nele”. Foi um momento frustrante que me deixou a refletir: parece que estamos a viver num mundo a girar ao contrário, onde a racionalidade, a lógica, a seriedade e a verdade deixaram de fazer sentido. Estranhas contradições que se tornam, a cada dia que passa, mais frequentes e destrutivas de valores sociais que julgávamos intocáveis: o agredido faz o elogio do agressor, a vítima desculpa o violador, a fraude é desculpada pelo lesado.

Apetece fazer um apelo aos Agentes do Ministério Público: não atrapalhem, deixem os Isaltinos deste país trabalhar. Eles gostam e o povo votante não se importa.