Liberdade não se escreve sem jornalismo

20 Maio 2026

Comemorou-se no passado dia 3, pela 33.ª vez desde que foi instituído pelas Nações Unidas, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, e os números apresentados neste aniversário fizeram soar alarmes. Em 2026, a liberdade de imprensa mundial atingiu o seu ponto mais baixo em 25 anos, segundo os dados mais recentes do Índice Mundial da Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Pela primeira vez na história deste indicador, mais de metade dos 180 países analisados apresentam condições classificadas como “difíceis” ou “muito graves”. Esta degradação do direito à informação também afeta regimes democráticos, frequentemente sob o pretexto de políticas de segurança nacional. Num espectro global, Portugal ocupa a 10.ª posição, o que representa uma descida de dois lugares face a 2025. Apesar desta queda, a RSF mantém a classificação do quadro português como “sólido e favorável” ao exercício do jornalismo. No entanto, o relatório expõe um aumento de episódios de pressão e hostilidade, sobretudo em contextos políticos e desportivos. Mas se olharmos lá para fora, o indicador jurídico foi o que mais sofreu por tabela, revelando uma tendência preocupante de criminalização do jornalismo. O recurso a ações judiciais contra a participação pública e o endurecimento de molduras penais tornaram-se mecanismos comuns no que toca às tentativas de limitação da atividade jornalística. Ainda de acordo com a RSF, isto resulta de uma combinação de fatores frequentemente associados a regimes autoritários, sobre pressões económicas e com falta de regulação sobre plataformas digitais. No panorama internacional, a Noruega mantém a liderança isolada pelo décimo ano consecutivo. Já nos Estados Unidos, registou-se uma descida de sete lugares, vá-se lá imaginar porquê… Os números estão à vista e não mentem. É tempo de pôr a mão na consciência e não de pagar para ver o que aí vem, porque liberdade não se escreve sem jornalismo.