O tempo também é um imposto

17 Junho 2026

Quando pensamos em impostos, pensamos normalmente em dinheiro.

Pensamos no IRS, no IVA, no IMI ou em qualquer outro valor que sai da nossa conta bancária todos os meses. Mas há um imposto de que raramente falamos.

O tempo.

Não aparece em nenhuma fatura. Não surge em nenhuma demonstração financeira. Não é aprovado em nenhum orçamento. Ainda assim, todos o pagamos.

Pagamo-lo quando esperamos por uma resposta que nunca mais chega. Quando um processo simples se transforma num percurso burocrático. Quando uma decisão demora semanas, meses ou anos. Quando ninguém consegue dizer quanto tempo falta ou quando o problema ficará resolvido.

O mais curioso é que nos habituámos a isso.

Aceitamos com naturalidade atrasos que não aceitaríamos em mais nenhum contexto da nossa vida. Se uma empresa privada demorasse meses a responder a um cliente, dificilmente sobreviveria. Se um fornecedor falhasse sistematicamente os prazos acordados, rapidamente perderia credibilidade.

Mas quando o atraso vem do Estado ou de uma entidade pública, tendemos a encará-lo como inevitável.

Não devia ser.

O tempo tem valor económico. Tem valor social. Tem valor humano.

Uma família que adia um projeto de vida porque espera por uma decisão está a pagar esse imposto. Uma empresa que não consegue avançar com um investimento porque aguarda uma autorização está a pagar esse imposto. Um cidadão que perde horas, dias ou meses para resolver um problema simples está a pagar esse imposto.

E, muitas vezes, nem sequer sabe quanto está a pagar.

É por isso que a qualidade das instituições não se mede apenas pelo dinheiro que gastam ou pelos serviços que prestam. Mede-se também pelo respeito que demonstram pelo tempo dos cidadãos.

Responder rapidamente não é um detalhe administrativo.

Cumprir prazos não é uma formalidade.

Dar previsibilidade não é um luxo.

É respeito.

Talvez uma das razões pelas quais existe tanta desconfiança em relação às instituições não esteja apenas nos impostos que cobramos, mas no tempo que fazemos perder.

Porque o dinheiro perdido pode voltar a ganhar-se.

O tempo perdido não.

E enquanto continuarmos a tratar o tempo das pessoas como um recurso inesgotável, continuaremos a cobrar um imposto que ninguém votou, ninguém vê e todos pagam.