Foi lançado no início deste ano a partir do foguetão Falcon9, da SpaceX, o satélite Odin, da AstroForge. O objectivo era recolher dados sobre a superfície do asteroide metálico 2022 OB5, que se encontra actualmente a cerca de 18 milhões de quiómetros da Terra. Esses dados seriam utilizados para preparar uma futura missão de extração mineira, com o intuito de recolher algo como 1000 quilos de metais preciosos, entre eles platina. Embora estivesse previsto que chegasse ao asteroide em dezembro, o contacto com o Odin foi perdido. Apesar deste contratempo, uma nova missão (Vestri), com lançamento previsto para 2026, dará continuidade ao projecto.
Empreendimentos ambiciosos e de relativamente baixo custo como este abrem caminho para a corrida à exploração mineira espacial. Hoje em dia, os custos de lançamento caíram a um nível que torna essa atividade potencialmente rentável, com milhares de asteroides metálicos “acessíveis” para exploração.
Além da Astroforge empresas, como a britânica AMC, desenvolvem sistemas robóticos para extração mineira de esteroides, enquanto a Karman+ e a TransAstra apostam no desenvolvimento de tecnologias para a recolha de água de asteroides, com vista ao reabastecimento de sistemas de propulsão. Já a israelita Helios, está a desenvolver tecnologia para captar oxigénio do solo lunar, essencial para futuros habitats na Lua. Destaca-se também a missão científica ERO da Agência Espacial Europeia, que planeia trazer amostras do solo de Marte.
Actualmente, muitos dos conflitos geopolíticos resultam da disputa por recursos naturais escassos. A extração de matérias primas extraterrestres poderá reduzir as tensões ao disponibilizar novas reservas desses materiais, entre eles metais raros e valiosos como a platina, o níquel, o cobalto e terras raras, necessários para a produção de componentes electrónicos, baterias e tecnologia avançada — se extraídos em grande escala podem reduzir a dependência de minas terrestres, hoje dominadas por países como a República Democrática do Congo, Rússia e China.
David Deutsch explica, no seu livro The Beginning of Infinity, que é incorreto ver a Terra como um sistema fechado: «as pessoas sustentam-se através da criação de conhecimento» e «o universo é o nosso lar e o nosso recurso, quanto maior, melhor». Para Deutsch, a criatividade humana permite ultrapassar as aparentes limitações do mundo natural. Neste contexto, a abundância de recursos proveniente da exploração espacial — se for gerida de forma justa e ética — poderá contribuir para um mundo mais equilibrado, onde os bens seriam mais acessíveis e baratos, reduzindo os incentivos para conflitos e contribuindo para um cenário de paz global.

