Rui Marto

Resiliência

24 Março 2026

Nos nossos dias toda a actividade política se socorre de frases e expressões, repetidas vezes sem conta, até que as mesmas entram no léxico comum dando-lhe, muitas vezes, um sentido que até aí não tinham.

Falo disto a propósito da palavra Resiliência e da sua repetição em tudo o que é discurso oficial, encaixando-a com a tempestade Kristin.

Passava eu pelos bancos da faculdade quando aprendia na temível disciplina de resistência de Materiais que Resiliência é a capacidade de um material absorver energia e libertá-la ao retornar à sua forma original, sem sofrer deformações permanentes. Ou seja, sujeita-se a acções, cumpre a sua função e fica tudo na mesma.

Temos noutra óptica que Resiliência é a capacidade psicológica de superar adversidades, adaptar-se a mudanças e recuperar o equilíbrio emocional após eventos difíceis, saindo reforçado.

Unindo estas duas vertentes à capacidade que a gestão do nosso país tem demonstrado após passar por diversas situações de provação das quais lembro: Gong em 2013, incêndios terríveis em 2017, Leslie em 2018, Pandemia “Covid” e agora Kristin. Para além de uns pequenos sismos a lembrar que existem. Tudo num prazo inferior a década e meia!

A pergunta que se impõe é a seguinte: O que aprendemos e melhorámos com cada uma destas situações?

Julgo não ser injusto ao dizer muito pouco ou quase nada!

As infra-estruturas críticas do país e do nosso concelho continuam a cair, a não estar protegidas nem dotadas com equipamentos necessários a uma resposta característica das infra-estruturas críticas. 

As pessoas continuam a não estar preparadas para agir/reagir assertivamente.

As instituições continuam a não ter capacidade de resposta atempada e assertiva.

Como sabemos “O Tuga” tem sempre sorte, mas nesta altura devemos exigir dos decisores políticos outro tipo de acção e transformar o nosso País e Concelho num lugar onde resiliência tenha o sentido da psicologia – sairmos da adversidade reforçados e não para que tudo fique na mesma.