Retrospetiva de um Ano Profundo

10 Janeiro 2026

Sabem aquela tia que só vos liga de três em três meses, mas que quando chega faz a festa? Bem, eu não sou tia por isso não sei do que falo, mas sei que estive ausente durante uns mesitos. No entanto, a Cátia quer abraçar o Ano Novo e que melhor momento para ressurgir, na memória do leitor, do que em janeiro? Já tinha saudades de vos escrever e tratarei de matá-las nos meus próximos textos. Vamos lá, então.

Antes de olharmos para janeiro, precisamos de saber recordar o que ficou para trás e decidimos deixar no baú. E, sabem o que não entra nele? Os meus trinta! Pois, eu entrei na terceira década e, com isso, comecei a notar um pequeno bigode chinês ao longo das minhas bochechas. Ah! E mais falhas de memória, que certo dia não sabia de uma pomada e, na verdade, tinha-a colocado dentro da caixa de sapatos do meu pai. Chegar aqui é perceber que o corpo tornou-se mais teimoso que pastilha no cabelo. Agora tens de dormir 8 horas por noite – o café já desistiu de nós –, para evitar a troca constante entre a direita e a esquerda. Também o teu raciocínio fica mais lento, pois precisas de pensar se a luz verde do semáforo fica em baixo ou em cima do amarelo! Sabes? Aposto que ficaste a pensar. Além disso, para ajudar na equação, já não conheces nenhum dos termos dos jovens de hoje em dia, como “seis-sete”, ou “drena”. Então, sabes que já começamos a ser vistos como “retro”. E está tudo bem, prefiro ser considerada antiga, do que saber o que é um Tralalero Tralala, ou um Brr Brr Patapim. Desculpem, mas protejam as crianças e não as tornem burrinhas, que já chega dançarem ao som da Fé nas Maluca.

Este ano também ficou marcado por outros acontecimentos, pelo que gostava de projetar um forte abraço a todas as pessoas que este Natal tiveram de lidar com a ausência de alguém que amavam muito. Não estamos sozinhos na dor, mesmo que não a sintamos da mesma forma. Que neste novo ano, olhemos com amor não só para quem partiu, mas também para quem se mantém junto de nós. Não sabemos quando deixaremos de ter oportunidade de caminhar lado a lado. Por isso mesmo, há que cuidar também de quem cuida de nós e é só. Para mais frases motivacionais, por favor, contactar a minha mãe, ou o padre da paróquia.

Ó pá, tenho tanto para contar, mas não tenho espaço! Resumindo, também fiz três filmes, trabalhei em dois festivais de cinema, apresentei o meu projeto e sou mestre! Ao fim de dois anos, posso dizer que tenho mais um canudo e mais uma razão para viver em precariedade porque, infelizmente, as artes não têm o devido cuidado. É assim a vida. Pode ser que um dia mude, talvez com estas eleições, mas eu não sou “delulu” amigos. Não sou “delulu”.