A máxima atribuída a Cícero: “perde-se mais pela indecisão do que pela decisão errada” resume, em poucas palavras, a necessidade de favorecer a ação sobre a dúvida. Por norma, é sempre melhor avançar com uma decisão rápida (confiando na nossa intuição) do que perder uma oportunidade importante, pois o livre-arbítrio é uma ilusão.
Alto! Como assim não existe livre-arbítrio? Sim, como mais se pode explicar a manifestação de atividade elétrica no cérebro cerca de 300 milissegundos antes de reportarmos uma decisão consciente? Isso sugere que a escolha é apenas uma sensação posterior de controlo, e não a causa da ação. Isto implica que as decisões simplesmente emergem de modelos de previsão inconscientes. Mas não é isto um paradoxo? Se as escolhas não são verdadeiramente livres, como podemos escolher ser decisivos?
Mesmo que o livre-arbítrio tecnicamente não exista, a neuroplasticidade existe. A determinação não é uma escolha “livre”, mas sim um padrão neuronal treinável. Por outro lado, a indecisão é, muitas vezes, o resultado de previsões contraditórias: qual delas traz mais recompensa? Ou menos dor?
Destes princípios, podemos inferir que pessoas decisivas aprenderam a: tolerar incerteza; confiar em heurísticas, ou seja, decisões boas o suficiente; e atuar mesmo quando os dados são incompletos. Estas capacidades podem ser moldadas pela experiência, regulação emocional e prática. Portanto, não é surpreendente que tornar a determinação num hábito nos torne pessoas decididas, pois cada pequena decisão feita rapidamente fortalece o “circuito decisivo”. Essas pequenas ações geram impulso, o qual, por sua vez, cria confiança, e confiança gera clareza.


