Portugal e, em especial, a região Centro, viveu recentemente uma situação a que não estávamos de todo habituados. Uma tempestade destruidora seguida de chuvas torrenciais que, cumulativamente ou isoladamente, destruíram florestas, casas de habitação, indústrias e infra-estruturas públicas. Na fase do acordar da situação, tivemos vários sismos embora de fraca intensidade. Seria uma trilogia apocalíptica.
Com frequência, via televisiva, víamos fenómenos iguais um pouco por todo o Mundo e pensávamos – aquilo só acontece aos outros. Simplesmente enganados. Lembrei-me da célebre teoria de Murphy que, embora com várias interpretações filosóficas, diz: “ Se algo pode acontecer, mais tarde ou mais cedo acontecerá”.
Estamos envolvidos numa, ou melhor, em várias guerras, potenciadoras de economias debilitadas, de mais pobreza, mais fome e mais mortos. Esquecemo-nos temporariamente de outra “Guerra”, esta sem vencedores – a das alterações climáticas, tão ou mais destruidora e mortífera do Planeta Terra. O aumento dos Gases de Efeito de Estufa, embora problema sério, tende a ser ignorado. Até os “grandes senhores do Mundo”, dizem ser uma falácia. Portugal não está a passar ao lado e preparemo-nos para mais situações que repetitivamente nos irão afectar. As águas dos oceanos e, no nosso caso, do Oceano Atlântico Norte, devido ao aquecimento global, propiciam o aparecimento cada vez mais frequente de situações com a que acabamos de viver.
Muitas vezes ouvi falar em “ balanço climático” que, de modo empírico podemos dizer que é a relação entre a energia que a Terra recebe vinda do Sol e a que é devolvida pela Terra para a atmosfera. Haveria equilíbrio se não existisse uma “cúpula” de gases que todos nós e todos os dias produzimos que propiciam o “ Efeito de Estufa”. Aqui surge o desequilíbrio que tende a acentuar-se. Aqui está a razão do aumento global da temperatura. Os gases com efeito de estufa não só impedem a devolução de energia para o espaço como voltam a reflectir parte para a Superfície Terrestre fazendo aumentar a temperatura, potenciando tempestades, furacões, chuva ou granizo, ventos fortes e trovoadas.
Tempestades serão cada vez mais fortes e destrutivas. Não esqueçamos que a destruição pela força do vento, não é directamente proporcional à sua velocidade. Vento com velocidade de 80 km por hora, eleva o seu poder destrutivo para o dobro a 100 km por hora e não a 160 km por hora com se poderia pensar.


