Comida tradicional portuguesa com o toque do chefe, é assim que Mário Santos descreve o conceito do novo restaurante de Porto de Mós, do qual é proprietário juntamente com a sua «parceira, esposa e sócia», Adriana Grazini. Aberto ao público desde o dia 20, o Ponte Vista, está localizado em pleno coração da vila, junto ao Parque Verde. Natural de Mira de Aire, Mário Santos foi durante muitos anos emigrante, passando por vários países. «Saí de Portugal muito cedo, com 4 anos, eu e os meus pais emigrámos para a Alemanha onde fiz a minha formação até aos 16 anos. Nessa altura regressei por insistência dos meus pais para continuar os estudos cá e estive aqui cerca de seis anos. Depois voltei a sair, passei pelo continente africano, voltei à Alemanha e depois radiquei-me em Toronto, no Canadá», conta. Foi precisamente em Toronto que conheceu a sua esposa há 20 anos e nem um nem o outro tinham tido qualquer experiência no mundo da restauração até este momento. Então, o que despertou o interesse por esta área? «Quando regressámos a Portugal [há quatro anos] tínhamos o intuito de investir cá em algo e devido ao défice de oferta deste tipo de espaços em Porto de Mós, achámos que este seria o projeto ideal», explica.

Investir em Porto de Mós foi sempre uma prioridade

De uma coisa Mário Santos estava certo, queria concretizar o projeto em Porto de Mós: «Nunca coloquei a hipótese de sair do concelho, queria investir cá. Não quer dizer que não possamos vir a investir fora, mas o primeiro projeto tinha de ser aqui». Apesar de admitir preferir que sejam os clientes a dar-lhe esse feedback, a verdade é que o proprietário acredita que encontrou um local perfeito para passar do papel à realidade este projeto. «A localização é esplêndida, com vista para o nosso castelo, para as serras, depois tem toda esta envolvente do parque, isso motivou-nos muito para fazer aqui alguma coisa», frisa. A obra começou a ser pensada em 2017 e ficou concluída em junho de 2020, mas só agora abriu ao público, a explicação é simples e chama-se “pandemia”. «Esteve em suspenso durante praticamente um ano, mas em maio ou junho deste ano, até por causa do alívio de todas as regras, começámos a planear a abertura», explica.

Uma equipa escolhida ao detalhe

«Conseguimos resgatar um filho da terra, o chefe Telmo Coelho. O currículo fala por si, esteve a trabalhar para um grupo de restauração muito conhecido, que pertence ao chefe Vítor Sobral, ele tem diversas casas em Lisboa e o nosso chefe participou na abertura e elaboração dessas casas», começa por explicar. Também tiveram uma conselheira que foi «uma grande ajuda em termos de programação do restaurante, em termos de cozinha, a Laura Roldan». Por fim, explica Mário Santos, conseguiram «ter um chefe de sala e sommelier [profissional responsável por cuidar da carta de bebidas] com algum renome, Rafael Santo»: «Veio de uma cadeia de restaurantes em Manchester muito famosa, que tinha ligação ao Manchester United». A ideia era «encaixar as peças certas no lugar certo», refere o proprietário. «Nós somos da opinião que o serviço começa à porta, desde a receção do cliente até à sua saída e despedida», frisa.

A comida além de ser tradicional portuguesa é também pensada para aproveitar os produtos endógenos. «Não podíamos abdicar de ter os pratos da nossa zona, como o cabrito e o borrego. Todo o conceito é a condizer com a nossa área geográfica», garante. Além do serviço à carta, estão a ser introduzidas as “sugestões do chefe” que são os «especiais do dia» sobretudo para agilizar a questão dos almoços: «Para que os almoços sejam mais rápidos sobretudo para quem está limitado de tempo, que só tem uma hora de almoço e em que o preço também é ajustado como uma diária», explica Mário Santos, acrescentando que esta é «uma casa aberta a todas as pessoas e a todo o tipo “de carteiras”». No futuro querem também permitir a possibilidade de realização de eventos no espaço. O restaurante conta também com o rooftop com vista «para o castelo, parque verde e serras».

A adesão e o futuro

O restaurante está aberto há poucos dias, mas Mário Santos já recebeu muito feedback por parte dos clientes. «Estamos muito felizes porque os clientes têm aderido muito e gostam não só da comida mas também do próprio espaço, da decoração, do ambiente, que quisemos que fosse simples mas elegante, porque achamos que “menos é mais”». Além de «feliz e orgulhoso», promete que «a aposta na qualidade» será uma constante.

Do empreendimento faz também parte o hostel e a ideia inicial era abrir o restaurante e o hostel em simultâneo, mas os planos mudaram. «Por imposições da obra ao lado e de alguns atrasos repensámos e decidimos fazer isto em duas etapas. Agora abriu o restaurante e muito em breve, esperamos que este mês, consigamos abrir o Quinta Vigia Hostel Boutique», adianta. Este alojamento terá um total de oito suites, algumas delas para casal e outras familiares, para casais com filhos, tendo assim uma capacidade máxima de 24 hóspedes. Este hostel foi também pensado para suprir a falta de oferta de alojamento, «sobretudo na sede de concelho» e o objetivo é «trazer turismo, nacional e estrangeiro».