Vivemos no tempo das corridas, do contrarrelógio, da pressa, do simples correr em busca de mais horas do dia. Vivemos a deixar para amanhã, para depois, para “qualquer dia”, sabendo lá quando será esse dia. Vivemos os dias a dizer “espera”, “já vou”, “já faço”, “amanhã vejo”, “temos de combinar”, “temos de ir almoçar”, “temos de nos encontrar mais vezes”, até a um “depois ligo” onde nunca chega o telefone a tocar. Vivemos num tempo sem tempo, escravos desse mesmo tempo onde tudo o que gostamos de fazer não fazemos, e onde passamos os dias envolvidos em trabalho, trânsito e tantos afazeres que nos roubam aquilo que de mais precioso temos na vida… o tempo.
Até quando paramos, por breves instantes, os ecrãs conseguem-nos sugar o nosso pouco tempo – sim, aquele precioso tempo, e ainda dizemos que não temos tempo. E as crianças, será que têm tempo? Há aqueles que não têm atividades e passam o tempo a olhar para ecrãs que lhes roubam o tempo e os desligam do mundo envolvente, onde o tempo poderia ser explorado de forma diferente, valorizando aquilo que, em tempos, era de valor. Outros, por sua vez, passam os dias na correria entre as mil atividades, ficando sem tempo para tanta coisa simples que deixaram de fazer.
Um dia, vão sentir falta de terem vivido, de terem estado naquele local, com aqueles amigos e será tarde. Os pais, mais uma vez, veem o tempo a fugir entre os dedos, pensando sempre que estão a fazer o melhor, mas será que estão? É urgente, parar. Parar para ter tempo para o que realmente nos faz bem. Temos de ter tempo para ouvir quem nos rodeia, para conversar, para brincar, para visitar quem tantas memórias nos pode criar, para mimar e nos mimarmos, para convivermos. Temos de passar a ter tempo para aquilo que realmente nos alivia a mente e nos enche o coração. Temos de ter tempo para dizer o que sentimos. Nunca são vezes demais dizer “gosto de ti”, “amo-te”, “obrigada”… Temos de ter tempo para agradecer o dom da vida, para viver e conviver, para brincar e saltar, para ver o nascer e o pôr do sol, para conhecer, visitar ou simplesmente descansar se nos apetecer. Temos de ter tempo de qualidade para quem de nós necessita e para todos os que nos fazem o bem. Quem nos rodeia precisa de nós: os filhos, os pais, a família… e nós também precisamos desse tempo. Deixemos de adiar e colocar em primeiro lugar aquilo que, na realidade, é secundário. Valorizemos as coisas simples da vida, os momentos simples, as palavras singelas.
Aproveitem o tempo, enquanto é tempo, neste tempo, em que nunca temos tempo para o realmente importa. Um dia podemos acordar e já não ter tempo para viver e dizer tudo o que queríamos.
Sejam felizes, pois o hoje nem sempre é certo… e o amanhã ainda está para vir.


