Achegas para a história local (26): Recordações (I)

5 Julho 2026

Durante a nossa meninice e juventude aconteceram coisas de que nunca mais nos esquecemos. Tanto nos tempos de escola como de outras actividades, nomeadamente brincadeiras. Neste local recordamos os transportes públicos, ou a falta deles; também falamos um pouco das festas.

A freguesia das Pedreiras era, e ainda é, muito mal servida por transportes públicos, à excepção da zona da Cruz da Légua, servida pela estrada nacional 8 – a actual IC2 ainda não existia -, onde passavam as “camionetas da carreira” das empresas Capristanos, Claras e Camionagem Ribatejana, com destinos a Leiria, Santarém, Torres Novas, Nazaré, Alcobaça e Lisboa.

Uma pessoa das Pedreiras que quisesse deslocar-se a qualquer daqueles destinos teria que ir, a pé, até à Cruz da Légua para apanhar o transporte, ou então utilizava os meios de transporte usuais na época, bicicleta ou carroça.

Mais tarde apareceram umas carreiras, que passavam por dentro das Pedreiras para Alcobaça à segunda-feira e para Porto de Mós à sexta-feira. Esta ainda se mantém.

Depois da Estrada Nacional n.º 1, actual IC2, ser construída houve carreiras para Leiria e Lisboa.

Lembramo-nos também das festas que se faziam em honra dos santos predilectos dos habitantes da freguesia das Pedreiras, São Sebastião, Santo António, Nossa Senhora da Piedade e Sagrado Coração de Jesus. De notar que estas festas ainda hoje se realizam. Houve ainda uma festa em honra de Santa Teresinha do Menino Jesus. 

Na festa de São Sebastião, além das cerimónias religiosas – missa e procissão -, havia várias bancas onde se vendiam os apetitosos pinhões. Esta festividade realizava-se num só dia, 20 de Janeiro, por serem os dias frios e pequenos. 

Já as festas em honra de Santo António e Nossa Senhora da Piedade tinham, e têm, lugar no mês de Junho, coincidindo com o dia 13, dia dedicado a Santo António.

Estes festejos seriam os maiores da freguesia, chegando a ter a presença de uma tenda de matraquilhos e até um carrossel, pensamos que durante dois anos, era o Carrossel Angola que divertia muita gente, dum modo especial os mais pequenos. 

Também por esta altura se vendiam ali muitas cerejas, produto das inúmeras cerejeiras existentes na freguesia.

Estas festas tinham por base a igreja velha, onde se realizavam as cerimónias religiosas, beneficiando dum espaçoso largo, o Adro que estava pejado de oliveiras. Aqui realizava-se também a feira dos 13, com as oliveiras a darem sombra aos animais, sobretudo no Verão, e ao mesmo tempo zonas de prisão dos mesmos.

Ainda na década de 1960 apareceu nas Pedreiras, pensamos que por duas vezes, um pequeno circo, o Circo Noronha, que abancou entre o coreto e a casa da D. Celina do Adro. 

Neste pequeno circo havia palhaços, trapezistas e uma excelente contorcionista, a Gininha. Quem não se lembra do “Upaaa Gininha!”, palavras do apresentador de modo a evidenciar a actuação de jovem circense?

Enfim são algumas das recordações que, por vezes, aparecem na nossa memória. 

Voltamos ao assunto.