Correndo o risco de ser acusado de níveis deficientes de testosterona pelas reais machezas da manosfera, devo confessar que gosto de fazer as compras lá de casa. Ir ao supermercado é um exercício divertido que combina gestão de stock, planeamento financeiro, escolhas alimentares e ocasionais caprichos, cujo entusiasmo em loja contrasta com o questionamento da própria sanidade mental, ao olhar abismado para um chocolate com sabor a chili.
Mas o auge do meu fascínio surge no momento de pagar, quando posso observar uma multitude de pequenas idiotices na fila. Segue sem mais demoras a minha lista completamente aleatória e cientificamente dúbia dos perfis comportamentais mais comuns:
o Bufador Implacável: aquela pessoa que, mal chega à fila, começa a bufar impacientemente, como se tivesse uma reunião importante com o presidente das Nações Unidas daí a cinco minutos, mas achou essencial ir comprar uma embalagem de pão de forma antes, não vá ele pedir ajuda humanitária para África;
o Cheira-Rabos: aquele que, tendo carrinho, o encosta no nosso traseiro com um carinho questionável, ou, quando leva os artigos na mão, se cola a nós de tal forma que o bafo quente da sua respiração nos aquece o pescoço num dia frio de inverno, qual lapa samaritana que zela pela nossa segurança à retaguarda;
o Guardião dos Costumes: este espécime tem aversão a tecnologia, preferindo esperar dez minutos na fila para pagar um único litro de leite, com moedas de cinco cêntimos que vai retirando de uma infinidade de bolsos, enquanto descreve pormenorizadamente a sua mais recente ida ao médico, perante um operador de caixa em desespero;
o Analista de Eficiência: podemos observar esta criatura a saltar de fila em fila, qual grilo consumista, enquanto avalia a velocidade de movimentos do funcionário, o número de artigos de quem está à sua frente e as rotações por minuto do motor do tapete rolante, de forma a ganhar seis gloriosos segundos, porque tempo é dinheiro!
o Dominador Territorial: um verdadeiro milagre da invisibilidade, pois conseguimos ver um cesto ou carrinho na fila, mas não a quem pertence; este conquistador marcou o seu lugar na fila e foi continuar a sua caçada por mais artigos, insaciável na sua demanda supérflua e seguro que quando terminar, terá o seu lugar à espera.
Este estudo não exaustivo poderia continuar, mas quem está exausto agora sou eu, portanto ficamos por aqui!


